A propósito do seu livro, Caros Fanáticos, recém lançado em Portugal, o escritor israelita Amos Oz, disse há dias ao Público o seguinte: "Os problemas estão a tornar-se mais complicados e muitas pessoas procuram respostas muito simples; procuram respostas de uma frase, capazes de pôr tudo na ordem; frases que nos digam quem são os maus, quem são os inimigos, quem são os perigosos. Acham que se souberem isso o paraíso pode vir".
Nuno Pacheco, 12 Facadas de raiva e um alerta geral, Público, 18-10-2018, p.44.
Resta saber se há adeptos de Bolsonaro sensíveis a apelos eleitorais de ordem mais abstracta. Este sempre foi um dos pontos vulneráveis do processo civilizador: obter um padrão de sociabilidade regulado por abstracções - leis, imperativos e valores - com o correspondente rechaço de culturas de acção directa, fundadas no atrito e na violência. No caso em questão, trata-se de apelos à manutenção da democracia, dos direitos humanos, da incolumidade das minorias e do respeito à Constituição.
Renato Lessa, A democracia tem futuro?, Expresso, 13-10-2018, p.27.
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