A nota muito positiva da semana
prende-se, claramente, com a notícia da diminuição da percentagem da população
portuguesa em chamado, eufemisticamente diga-se, risco de pobreza (isto é, cidadãos que vivem com menos de 468€ mês).
E, bem assim, verificou-se a diminuição de desigualdades de rendimentos na
nossa sociedade. Os números traduzem realidades bem concretas: trata-se de
quase 100 mil pessoas que saíram da pobreza. De entre estas, algumas são
trabalhadoras, isto é, diminuiu, embora longe do desejável, o número de pessoas
que ainda que trabalhando, apesar, pois, de terem emprego, são pobres. Veremos,
nos próximos anos, se se trata, aqui, de algo estrutural ou, se, em breve, se
regressa aos quase dois milhões de pobres que o país tem ao longo de vários
anos (e, antes de transferências sociais, cerca de 4 milhões até). Ou ainda,
agora que neste âmbito se obtiveram os melhores resultados desde 2003, há uma
ambição de uma maior redução de pessoas nestas condições, o que passa,
necessariamente, por uma economia dinâmica, capaz de gerar emprego - e emprego
que incorpore uma produtividade susceptível de gerar salários menos e condições
de vida menos precárias. O investimento vem aumentando, mas necessita de ser
incrementado. As exportações diminuem e o Brexit ameaça um impacto na economia
portuguesa não negligenciável. Das estratégias dos diferentes partidos para que
a economia possa manter ou acelerar os seus índices se fará muito do debate
para as legislativas do próximo ano. Sempre, e de qualquer forma, conhecendo-se
que sucessos e insucessos económicos extravasam a pura engenharia de medidas
políticas. E sem nunca esquecer que desta melhoria que se observou – sobretudo
muito palpável nas famílias numerosas - ficaram de fora os idosos, cuja
situação até piorou. O que pensam fazer, que medidas tomar, os nossos partidos
para melhorar a situação, desde logo material, dos idosos?
*Notícia do Público, aqui.
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