Os riscos de uma onda como esta são relativamente reduzidos em Portugal. Não temos nem um problema de criminalidade, nem de fracturas com imigração, que são os dois grandes tópicos que poderão motivar e mobilizar um discurso populista. Não temos problemas com a nossa comunidade migrante, nem de elevada criminalidade. Os riscos de uma espécie de populismo social ser mobilizado politicamente são baixos. A expressão do populismo em Portugal é canalizada através do futebol e dos seus dirigentes (...) Há uma constante, desde o 25 de Abril, e não vejo nenhuma razão para isso se alterar, de rejeição da extrema-direita, muito devido à memória do Salazarismo. Mesmo nos partidos de direita, nenhum reclamou o legado de Salazar. Em Portugal, um discurso como o de Bolsonaro de negação de que houve uma ditadura militar seria imediatamente remetido para algo muito limitado, é algo ultra-minoritário. (...) Até porque há um consenso ainda muito forte ao centro em questões como o tratamento de minorias e dos imigrantes. Não há forças extremistas de um lado e de outro que consigam induzir e fazer alastrar na sociedade portuguesa um sentimento de polarização e crispação como o que existe noutros países.
António Araújo, entrevistado por Maria João Lopes, Bolsonaro mostrou que a nossa direita é 'menos liberal do que se julgava', Público, 01-11-2018, pp.6-7.
P.S.: nas comparações entre o momento que vivemos e aquele europeu dos anos 30, hoje foi a vez de Emmanuel Macron intervir para corroborar essa ideia (ver aqui, no L'Express). Esta semana, recorde-se, também Marcelo Rebelo de Sousa aludiu à possibilidade de um conflito bélico como ponto culminante dos autoritarismos e populismos em curso (e que, segundo o PR, estão para durar e aumentar). Na última década, Mário Soares ou Paulo Rangel foram alguns dos políticos portugueses que, como sabemos, colocaram a possibilidade de guerra como cenário a não excluir.
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