quinta-feira, 22 de novembro de 2018

A sempre discutida actualidade de "Os Maias"


Não é superficial falar na actualidade de Eça e na permanência de elites mal preparadas, de provincianismo, mas é redutor (...) Eça e Os Maias pedem muito mais do que uma leitura meramente 'funcionalista' da literatura. O princípio da actualidade de um escritor não é, por si só, um valor estético (...) A actualidade d'Os Maias é da ordem da transcendência dos grandes sentidos que lemos: a erosão do tempo, o sofrimento pelo falhanço amoroso, a perda das ilusões, a persistência do sentimento sobre a razão, o drama da decadência nacional, a pequenez do ser humano perante o destino, é tudo isto e muito mais que faz ressoar no nosso tempo aquilo que lemos n'Os Maias. Nesse sentido, eles são da mesma família d'Os Lusíadas.

Carlos Reis, em afirmações reproduzidas, no artigo de Sílvia Souto Cunha, Eça Agora, Visão nº1342, 22-11 a 28-11 de 2018, p.44.

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