quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Aprender


Na sessão com a Diretora do Estabelecimento Prisional e com o Chefe dos Guardas Prisionais, a minha questão foi: como conseguem conciliar a obrigação da esperança, da crença na regeneração do indivíduo, na sua reabilitação - a obrigação desse discurso, mas mais fundamentalmente dessa convicção para um trabalho bem sucedido, em virtude do que se preceitua para a pena de prisão - com, por outro lado, o terem de lidar com o pior da natureza humana, com aquele lado que, por um ou outro motivo, ocorreu/veio ao de cima naquele concreto agente do delito, lado esse com que têm que lidar (diariamente) e que talvez lhes suscitasse um certo pessimismo antropológico. Uma das coisas interessantes que o Chefe dos Guardas prisionais me disse, a propósito, foi que, claro, também ele vai ao café e lê jornais, por vezes percebe que daí a nada vai receber uma pessoa que cometeu um delito que a ele, como a qualquer pessoa, lhe repugna e que tem a noção suplementar de que uma coisa é a indicação do delito, outra a explicitação, detalhada e factual do mesmo, muitas vezes com requintes de malvadez. Então, neste sentido, não sendo fácil esta luta interior, evita ler a sentença (para que o preconceito, o pré-juízo, o conseguir lidar melhor com a pessoa que praticou aquele acto ocorra).

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