sábado, 17 de novembro de 2018

Pode ser outra coisa


Os Verdes só chegaram ao Parlamento alemão em 1983. Tiveram, agora, a maior subida no Hesse e na Baviera. Um movimento muito mais forte do que o incrementar da extrema-direita da AfD. Em Portugal, com as excepções de Rui Tavares e Viriato Soromenho-Marques não vi ninguém sublinhar esta realidade que coloca, de algum modo, em cheque muita da narrativa sobre a inevitabilidade de certas vitórias (a chegar) e do que as motiva (ou de que lado, uma clara maioria da população, se encontra, sobre esses temas que fazem com que a AfD, a nível nacional, atinja os 15%). Na sondagem realizada, em se perguntando aos eleitores acerca da expressão nacional do seu voto em legislativas, os Verdes ficaram num segundo lugar, claramente acima da AfD e dos sociais-democratas que estão hoje profundamente descapitalizados (eleitoralmente, na Alemanha). De resto, no seu texto no mais recente número do JL, Soromenho-Marques, ao contrário de tantos e expressamente recusando o louvor, permanece extremamente crítico de Angela Merkel, da sua falta de visão e de estratégia ao longo dos anos duros de uma crise (mais ou menos) interminável.


P.S.: vejo os 19 minutos iniciais da Quadratura do Círculo. Dedicados, por inteiro, à magna questão da tourada. Há semanas em que, por deveres de ofício, talvez nos sintamos um pouco menos conectados com o que possa passar-se algures. Mas, vendo o programa, fico descansado: para quase metade do tempo ser dedicado a touradas, ainda para mais um tema repetido pela segunda semana (consecutiva), é porque não perdi nada do que se passou no país. Ou porque o programa anda pouco imaginativo. Ou, porque, em geral, a comunicação social não traz grandes discussões a debate...A segunda metade, foi dedicada às tricas no interior do PSD que de tão repetidas e gastas, e gastas de décadas, só pode suscitar um longo bocejo. O sorriso chega, porventura, a propósito destes temas com os posts sempre enérgicos de Alfredo Barroso que, a propósito das caçadas e touradas, acusou Manuel Alegre e Sousa Tavares de se comportarem como "fidalgotes empertigados". Falando mais a sério ainda, convinha ler o artigo de António Guerreiro, no Y, para se entender, de vez, porque não é possível qualquer equilíbrio, negociação, harmonização de posições entre defensores de touradas e anti-touradas (a dicotomia cultura vs civilização). E respigo, por fim, do Sol, os números do Relatório da Atividade Tauromáquica 2017: 181 touradas (face a 313 em 2009). 378 mil espectadores, dos quais a maioria nas praças de Albufeira e Lisboa. Decresce o número de touradas e espectadores, mas ainda assim não são tão poucas e tão poucos como poderia pensar-se.

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