Finalmente, fez-se trabalho no sentido de alterar a realidade escolar portuguesa, no que à inflação de notas - e consequente entrada no Ensino Superior - diz respeito. O trabalho da Inspecção-Geral da Educação e Ciência levou-a a adoptar recomendações às escolas inflacionistas. E, em um conjunto significativo de casos, essas recomendações terão já estado na origem da diminuição do gap entre nota de frequência interna e nota em exame nacional. Da diminuição do gap, à (quase) eliminação vai ainda um passo. A reportagem e análise do Público mostra claros ganhos de equidade, transparência e justiça. Ficámos a saber que 2/3 das escolas que inflacionavam mais as notas eram privadas. Observamos que no Norte se inflacionam mais as notas do que a Sul (Viana do Castelo é o distrito campeão na discrepância entre a nota de frequência interna e os exames). Houve escolas onde direcções - apontadas a dedo - desapareceram e das quais muitos professores saíram (dar 20 em oralidade, a Português; atribuir nota máxima em matérias afins a atitudes e valores, classificando estes com percentagens elevadas - 30%, por exemplo -, eram truques). As melhores notas em exames nacionais, contudo, a Matemática e, sobretudo, a Português ocorrem, também, a Norte. Porto e Setúbal são os distritos do país com mais escolas. No distrito de Lisboa, os alunos têm, em média, uma nota de frequência interna inferior ao resultado em exame. A lei, no entanto, não permite penalizar as escolas que inflacionam notas (sucessivamente; nem as que sejam demasiado severas na atribuição classificativa). Mas os procedimentos da Inspecção de Educação já se mostraram suficientemente persuasivos para a realidade mudar. Um dos marcos da legislatura, em síntese. A prosseguir. E intensificar.
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