sábado, 29 de dezembro de 2018

Borga


Um automobilista vê um cidadão de colete amarelo e pensa: será um manifestante? Não, é um azarado a mudar um pneu. (...) O problema é que esse mal-estar [em relação a várias situações da vida política] produz um tipo de reivindicação vaga, que gera palavras de ordem pouco sedutoras, tais como "Somos a favor de coisas boas e contra coisas más!" (...) O senhor em causa [espécie de representante dos 'coletes amarelos' a falar aos jornalistas] também não é um tribuno especialmente notável, o que prejudica a eficácia da transmissão da mensagem. No início da entrevista disse: "Isto começou numa brincadeira de seis amigos. Ninguém se conhecia". Ou seja, eram amigos, mas de outras pessoas. Entre eles, não se conheciam. O que talvez explique o fiasco da organização. Talvez devessem ter estreitado laços primeiro (...).

Ricardo Araújo Pereira, Por um 2019 pouco amarelo, Visão, 27-12-2018

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