quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Leituras


Comecei a ler um livro dedicado ao (balanço do) Pontificado de Bento XVI, de um autor italiano, Roberto Regoli, Professor de História Contemporânea na Pontifícia Universidade Gregoriana, instituição na qual dirige o Departamento de História da Igreja, bem como a revista "Archivum Historiae Pontificiae", sendo especialista na História do Papado, da Cúria e Diplomacia Pontifícia nos sécs.XIX-XXI. O livro intitula-se (ainda que não se encontre editado em português): "O Pontificado de Bento XVI. Para lá da crise da Igreja".
Das primeiras dezenas de páginas de leitura, ficam duas curiosidades (que anotei): a de que D.José Policarpo fazia parte de um grupo chamado St Gallen, por se reunir naquela cidade suiça, no qual pontificavam figuras como Carlo Maria Martini ou Walter Kasper - o qual olhava, no período pré-sucessão de João Paulo II, para a figura de J.Ratzinger como "promotor de forças católicas centralistas e restauradoras" (mesmo sem o verem, necessariamente, como a figura que seria o sucessor, olhavam-no como aglutinando tais sectores); um cardeal, à época do conclave para a sucessão de J.Paulo II, disse de Ratzinger uma definição curiosa: "inteligente como uma dezena de professores [juntos] e devoto como uma criança que recebe a primeira comunhão". 
A questão das prioridades e da resposta face à secularização, de relacionamento com o mundo - entre as várias demandas e agendas que se colocavam ao conclave de 2005 - como adquirindo certa centralidade na resposta a encontrar quanto a quem seria o novo Papa. A escolha, é aqui enfatizado, recaiu em que se considerava que melhor conhecia a história, o pensamento, a filosofia do Ocidente e era capaz de dialogar com ele, numa época de forte crise de fé
Também não menos curioso verificar que os vaticanistas, segundo Regoli, são 42% italianos, 28% outros europeus, 19% norte-americanos e 1% provenientes do resto do mundo. Portanto, em termos de relato jornalístico sobre temas do Vaticano estamos confinados a um relato ocidental e, acrescenta o professor, sempre centrado numa lógica política (de interpretação dos acontecimentos), segundo uma grelha política esquerda/direita (uma dicotomia "já superada", diz o ensaísta) ou conservadores/progressistas, sem se atentar devidamente na dimensão religiosa/espiritual.

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