Ao mesmo tempo, a religião tem estado num crescendo como fenómeno político. Isto é mais obviamente verdadeiro no Médio Oriente árabe, onde a Primavera Árabe de 2011 foi feita descarrilar por grupos islamistas como a Irmandade Muçulmana e organizações terroristas mais radicais como o Estado Islâmico. Embora este último esteja quase derrotado na Síria e no Iraque, os movimentos islamistas continuam a alastrar em países como o Bangladesh, a Tailândia e as Filipinas. Na Indonésia, o popular governador cristão de Djacarta, Basuki Tjahaja Purnama (Ahok), foi atacado por alegada blasfémia por grupos islamistas crescentemente auto-confiantes e acabou por ser preso depois de perder por pouco a sua reeleição. Mas o Islão não é, todavia, a única forma de religião politizada. O partido do presidente Nodi, o Partido do Povo Indiano (BJP), é explicitamente baseado num entendimento hindu da identidade nacional indiana. Uma forma militante de budismo político tem estado a espalhar-se em países do Sul e Sudoeste da Ásia como o Sri Lanka e Myanmar, onde tem havido choques com grupos muçulmanos e hindus. Grupos religiosos fazem parte de coligações conservadoras em democracias como o Japão, a Polónia e os Estados Unidos. Em Israel, uma ordem política que tinha sido dominada, por mais de uma geração desde a independência, por dois partidos ideológicos de estilo europeu, o Trabalhista e o Likud, tem visto uma proporção cada vez maior dos votos ir para partidos religiosos como o Shas ou o Agudath Israel.
Francis Fukuyama, Identidades, D.Quixote, 2018, p.98.
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