segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Da utopia da democratização de acesso ao "tudo menos informação"


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Acha que no futuro ainda vamos olhar para trás e dizer que o Facebook e as outras redes sociais destruíram a democracia?

Ainda não estou preparado para dizer que se destruiu a democracia. Mas posso dizer isto: comecei a fazer websites em 1994, lembro-me bem dos primeiros tempos da web, e havia muita gente com grandes utopias sobre as consequências de uma democratização da imprensa. No modelo antigo, se queríamos que a mensagem chegasse às pessoas, tínhamos cada um de ter a sua rotativa, ou a sua torre emissora, o que exigia um grande investimento de capital. Por isso apenas um pequeno número de pessoas tinha verdadeiramente acesso ao grande público. Vem a web, que criou esta enorme oportunidade de chegar às pessoas uma informação nova e óptima, e muita gente pensou: «Isto é fabuloso, isto é a democratização da imprensa». Com o tempo, fomos percebendo que, embora tudo isso esteja muito certo, a web criou também em nós a percepção de que, no modelo antigo, havia um grande consumo de informação; não porque as pessoas estivessem interessadas de facto na informação, mas porque francamente não havia escolha. Hoje em dia é frequente que uma pessoa intelectualmente ágil passe o tempo com jogos no telemóvel em vez de ler o jornal. Se as pessoas não querem ficar à espera dos noticiários à hora certa na chamada linear, vão para Netflix e passam lá o dia. Quantas mais oportunidades são criadas, mais pessoas querem tudo menos informação


Joshua Benton, investigador do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard, entrevistado por Cristina Margato, O irreversível declínio dos media tradicionais, Electra nº4, Dezembro 2018, p.51.

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