O Eça interessava-se por política?
Pouco. Considero-o um liberal, uma pessoa de «esquerda», embora não fosse um republicano, de todo. Teve sempre uma atitude a favor dos desprotegidos, dos oprimidos. Mas não assistiu ao progresso, ao salto enorme que o País deu durante o fontismo, na década de 1870-1880, porque vinha cá pouco. Não se apercebeu de que a riqueza estava a aumentar nos campos ou de que as cidades estavam mais civilizadas. E nem sequer se interessou pelos então designados «melhoramentos materiais»: por exemplo, o caminho de ferro ou o telégrafo.
Maria Filomena Mónica, entrevistada por Filipa Melo, para a Ler, nº151, Outono 2018, p.28.
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