
Kierkegaard, em Ou/Ou, ridiculariza o «homem ocupado» para quem a ocupação é uma forma de evitar uma introspecção honesta. Podemos acordar a meio da noite e perceber que estamos sós no nosso casamento, ou que precisamos de pensar no que o nosso nível de consumo está a fazer ao planeta, mas no dia seguinte temos um milhão de pequenas coisas para fazer, e no dia a seguir a esse temos mais um milhão de coisas. Se as pequenas coisas não tiverem fim, não precisamos de parar para confrontar as questões maiores. Escrever ou ler um ensaio não é a única maneira de pararmos e perguntarmos a nós mesmos quem realmente somos e qual pode ser o sentido da nossa vida, mas é uma boa maneira.
Jonathan Franzen, O ensaio em tempos negros, in O fim do fim da terra, D.Quixote, 2018, p.17.
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