
Houellebecq é o maior escritor europeu e um dos grandes escritores vivos. Instituiu uma história do tempo em que vivemos, a história contemporânea do homem branco em confronto com a solidão atomizada, o apetite atómico por pornografia, as suas rotinas e debilidades, os seus vícios e virtudes, o culto do dinheiro e do consumo, o sexo triste, a atitude exploratória e exploradora das mulheres e dos habitantes de mundos menos avançados, a submissão às regras da burocracia e ao oportunismo da indolência e da inveja. O que nenhum outro escritor conseguiu fazer foi universalizar essa história e torná-la uma narrativa da condição humana. Certamente, a nossa, europeus desavindos na fase pós-industrial das nações desenvolvidas. Os romances são diferentes mas têm aquilo que os críticos gostam de chamar consistência estética.
Clara Ferreira Alves, in Expresso, Revista, 19-01-2019, p.3.
P.S.: muitas vezes, extremadas as opiniões acerca de Houellebecq, muito influenciadas também pelas suas opiniões políticas. Há quem consiga superar essa dimensão e aprecie a obra pelo que ela vale e exemplo paradigmático disso foram as análises subscritas por um Zygmunt Bauman.
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