1.«O pior jogo do campeonato», «o pior clássico do século» - caramba, não faltaram adjectivos grandiloquentes para colocar no lixo o Sporting-Porto do último fim de semana. Já a vitória do Benfica nos Açores, jogando contra dez mais de metade da partida, foi, lendo a crítica, ligeiramente aquém de um hino de futebol. Claro que o jogo de Alvalade foi um jogo muito fraco, sobretudo na primeira parte, mas é preciso não ter memória de alguns Benfica-Sporting ou vice-versa, para proclamar o pior clássico do século. Sendo que, em alguns desses, ambos os rivais de Lisboa precisavam de ganhar, enquanto que neste, apenas o Sporting precisava: tivesse sido o Benfica a chegar a Alvalade com sete pontos de avanço sobre o segundo classificado e tivesse jogado como o FCPorto, entrando ao ataque na segunda parte e indo para cima do adversário nos 15 minutos finais, tentando tudo o que as forças físicas e anímicas lhe permitiam para ganhar o jogo, e teríamos escutado um hossana de louvores ao treinador e aos homens de encarnado. (...)
2.O eufórico alarido da crítica sobre a falta de qualidade do jogou, contrastou com a absoluta discrição com que abordaram um pequeno pormenor do mesmo jogo. Um pormenor de arbitragem que foi, à vista de todos, um imenso pormaior. Refiro-me obviamente ao lance, no final da primeira parte, em que Bruno Fernandes só podia ter visto o segundo amarelo e não viu. Este lance é de compêndio e merece ser estudado nos cursos de arbitragem porque se trata de um caso exemplar em que um árbitro erra, não por distracção, por avaliação deficiente da lei, por má interpretação da jogada, mas sim por outra e simples razão: por vontade própria e deliberada. (...)
[4] Luís Filipe Vieira pôde declarar, sem se rir, que Bruno Lage, «foi a primeira opção» para substituir Rui Vitória. Tudo o resto são invenções da imprensa. (...) Foi a imprensa que interpretou mal as patéticas súplicas públicas de Vieira a Mourinho, expondo-se a si e ao Benfica à humilhação de ouvir o Special one a dar-lhe duas negas consecutivas, o mais delicada e explicitamente possível. Foi a imprensa que não percebeu que quando o presidente do Benfica foi ao programa da Cristina Ferreira dizer que na semana seguinte (esta) diria quem era o treinador do Benfica, estava só à espera de uma vitória nos Açores para anunciar Bruno Lage; mas se tem saído uma derrota, não tinha treinador algum para apresentar. Às vezes não vale a pena complicar: o que parece é mesmo o que é.
Miguel Sousa Tavares, A primeira opção, ABola, 16-01-2019, p.36.
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