terça-feira, 29 de janeiro de 2019

O que há na Beleza?

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Mudando o conceito de Beleza de acordo com o tempo e lugar, só nos poderemos ficar por uma noção relativista da mesma?  Ou, nos termos de Umberto Eco, "será que não existe realmente nada que, de algum modo, mesmo que muito subtil, reúna as várias experiências da beleza ou daquilo que num determinado momento histórico é considerado belo?" (p.65).

A sua resposta é a seguinte: "creio que, se reunirmos uma antologia de vários textos que falam do belo, encontraremos sempre pelo menos um elemento comum. «Belo» - juntamente com «gracioso» ou «sublime», «maravilhoso» - aparece como um adjectivo usado sempre para indicar algo que nos agrada (Tomás dizia que pulchra dicuntur quae visa placent), que talvez desejemos possuir, mas que não deixará de ser agradável mesmo que não seja nosso.  (...) Se aquilo que considero bom (um alimento, uma bela casa, o reconhecimento e a admiração dos meus pares) não me pertence, sinto-me empobrecido. No que diz respeito à beleza, pelo contrário, parece que o prazer com as coisas belas é decididamente separado da sua posse. (...) A experiência do belo apresenta sempre um elemento de desinteresse (...) Isto vale para a civilização ocidental (...) a experiência do Belo sempre foi aquela que se experimenta estando assim, de costas e diante de alguma coisa da qual não fazemos e não queremos fazer parte a qualquer custo. Nessa distância, está o fio que separa a experiência da beleza de outras formas de paixão" (pp.65-68).

[Umberto Eco, A beleza, in Anões aos ombros de gigantes, Gradiva, 2018, p.68]

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