
Logo, no Teatro de Vila Real, no Grande Auditório, pelas 21h30, estarei a ver esta peça encenada por Diogo Infante, "O Deus da Carnificina", com Rita Salema, Patrícia Tavares e Pedro Laginha, a partir de texto de Yasmina Reza.
Adenda: "E que tal, o Deus da carnificina"? Diria que concebido para aquilo que em Direito se chama o "homem médio". Destinado ao "sucesso". Popular, com a convocação de muitos estereótipos das relações e papéis homem-mulher; com gags, gestos, inflexões com graça, em especial a versatilidade de Rita Salema; mas um texto que nunca surpreende, que não tem uma imagem inesperada, um piada mais sofisticada, algo com um nível de exigência razoável. É certo que "a desconstrução da vida de casal", "a denúncia da hipocrisia e do duplo padrão moral" conferem à peça a "boa consciência" de não se atolar (propriamente) no pimba, mas, enquanto a mesma decorre, em realidade, penso que ali se confirma que há mesmo partes de peças, ou de textos para certas performances, que os autores - e os actores/encenadores/humoristas - sabem garantir a gargalhada da plateia. E é pena, digo eu, que esta reaja tão ululante a partes vulgares, fáceis, o palavrão pelo palavrão, a resposta mais do que previsível. Também aqui se revela vão o idealismo que acredita que com mais "educação" ("instrução") a exigência de um humor mais sofisticado, e a recusa das graçolas do costume, se fará sentir. Que nada. Esperava mais de uma peça encenada por Diogo Infante.
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