domingo, 10 de fevereiro de 2019

As redes sociais promovem a não violência?


a) o argumento da abertura - e potencial promoção da tolerância - proporcionado pelas redes sociais


Sim: elas potenciam o encontro com mais informação, pontos de vista, perspectivas sobre o mundo, diversidade de interpretações da vida, do universo, culturas, pessoas - que em nós reforçam o pluralismo e a aceitação do diferente, ampliando os nossos horizontes, potenciando a tolerância, a compreensão mútua, a paz entre todos.

Não: as redes sociais criam bolhas. As pessoas vinculam-se, agregam-se no facebook, no twitter, no Instagram, ou no Whatsapp a pessoas que pensam como elas, têm os mesmos gostos, vêem os mesmos filmes e ouvem a mesma música, possuem a mesma visão do mundo e da vida; praticam o mesmo estilo de vida. As redes sociais reforçam o que somos, não acrescentam; estimulam o dado, o adquirido, o preconceito, não abrem as janelas do universo; fecham.


Um árbitro possível:


Dados periciais, estudos académicos:

Curiosamente, diz-nos Julie Posetti, investigadora do Reuters Institute e autora de um manual para a Unesco, "a investigação mais recente sugere que as redes sociais na verdade expõem os utilizadores a mais fontes de informação [e não a bolhas].O problema é que, como nas redes sociais todas as fontes parecem iguais, é mais fácil manipular os utilizadores. Isso acaba por obrigar os meios de comunicação a ter mais trabalho para merecer a confiança dos leitores. Obriga a criar hábitos de verificação, de transparência e de colaboração com a comunidade. Devo dizer que por um lado estou confiante de que a era digital nos dá mais formas de evitar as tais bolhas, mas ao mesmo tempo isto exige um grau de responsabilidade por parte do utilizador. As notícias foram democratizadas, isso exige mais ao jornalista mas também ao cidadão: não chega simplesmente aceitar a afirmação de um político, é preciso verificar e pensar de forma crítica" (DN, 28-10-2018, p.14). Um estudo muito recente, levado a cabo em Itália e França pelo Reuters Institute, mostra que o consumo de informação em páginas on line de jornais, rádios, tv é maior do que o de páginas de desinformação, mas o número de interconexões - comentários, partilhas, reacções -, geradas por um pequeno número de páginas falsas igualaram ou excederam as interacções com marcas de notícias mais populares.


(continua)

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