
Da
rainha do Antigo Egipto Nefertiti à
actriz Vivian Leigh, a tuberculose
já tirou a vida a muitas mulheres consideradas belas. Mas talvez a doença tenha
contribuído para essa beleza. Os sintomas da doença incluem olhos cintilantes e
dilatados, bochechas rosadas, lábios vermelhos e uma cintura fina. E eram todas
essas qualidades que ao longo do tempo foram associadas à beleza. Nos séculos
XVIII e XIX, essa aparência era muito procurada. Lord Byron popularizou-a quando disse: “Gostava de morrer de
tuberculose”. Aliás, os doentes de tuberculose eram investidos de qualidades
que, talvez, pudessem não ter como maior sensibilidade ou pureza espiritual.
Contudo, a prática de clarear a pele não foi apenas típica do período
vitoriano. Os antigos romanos usavam fórmulas de chumbo para clarear a pele. Na
Idade Média, no Renascimento ou mesmo no Século XVIII, a maioria das pessoas
trabalhava ao ar livre e somente os ricos se podiam dar ao luxo de passar
longos períodos dentro de casa. A pele branca e não bronzeada tornou-se um
símbolo de estatuto e riqueza.
No
passado, as mulheres chegaram a limpar o rosto com urina de crianças para se
livrarem de sardas indesejadas. Hoje, esfregamo-nos com cremes ácidos para nos
livrarmos de pelos indesejados. No passado, bebemos o sangue de bois para
melhorar a nossa tez. Hoje, limpamos os nossos rostos com lama. Espantamo-nos
com aqueles que, no passado, usavam venenos na maquilhagem – chumbo, mercúrio, antimónio
e arsénico -, mas hoje temos clínicas de botox. E o principal ingrediente do
botox é toxina botulínica. Trata-se da substância mais tóxica conhecida pelo
humano. E estamos a injectar-nos com ela.
Ao
longo da história, o uso de cosméticos esteve em conflito com os árbitros
morais da sua época: na Antiga Roma, os líderes religiosos desaprovavam a sua
utilização, de tal forma que Ovídio, a propósito, escreveu um poema didáctico a
defender o uso dos cosméticos; na Idade Média, os líderes cristãos consideraram
imoral a sua utilização; ainda hoje, certas facções do Islão assim o declaram,
caso aqueles impliquem o engano e o desejo descontrolado. Também feministas
consideram que os cosméticos, e a maquilhagem em particular, realçam o estatuto
secundário das mulheres, tidas como objectos sexuais.
A ideia de propaganda
política (através da arte) é uma ideia de Napoleão.
A sua irmã mandou esculpir 1200 rostos em Carrara, depois vendidos a todos os
municípios que assim tinham uma ideia palpável de Napoleão. Uma ideia que,
posteriormente, veio à mente de Lenine,
Estaline, Hitler, Mussolini.
[a
partir de “O sentido da Beleza”, episódio 4, Rai 5, Massimo Brega]
Sem comentários:
Enviar um comentário