segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Clarear o rosto

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Da rainha do Antigo Egipto Nefertiti à actriz Vivian Leigh, a tuberculose já tirou a vida a muitas mulheres consideradas belas. Mas talvez a doença tenha contribuído para essa beleza. Os sintomas da doença incluem olhos cintilantes e dilatados, bochechas rosadas, lábios vermelhos e uma cintura fina. E eram todas essas qualidades que ao longo do tempo foram associadas à beleza. Nos séculos XVIII e XIX, essa aparência era muito procurada. Lord Byron popularizou-a quando disse: “Gostava de morrer de tuberculose”. Aliás, os doentes de tuberculose eram investidos de qualidades que, talvez, pudessem não ter como maior sensibilidade ou pureza espiritual. Contudo, a prática de clarear a pele não foi apenas típica do período vitoriano. Os antigos romanos usavam fórmulas de chumbo para clarear a pele. Na Idade Média, no Renascimento ou mesmo no Século XVIII, a maioria das pessoas trabalhava ao ar livre e somente os ricos se podiam dar ao luxo de passar longos períodos dentro de casa. A pele branca e não bronzeada tornou-se um símbolo de estatuto e riqueza.
No passado, as mulheres chegaram a limpar o rosto com urina de crianças para se livrarem de sardas indesejadas. Hoje, esfregamo-nos com cremes ácidos para nos livrarmos de pelos indesejados. No passado, bebemos o sangue de bois para melhorar a nossa tez. Hoje, limpamos os nossos rostos com lama. Espantamo-nos com aqueles que, no passado, usavam venenos na maquilhagem – chumbo, mercúrio, antimónio e arsénico -, mas hoje temos clínicas de botox. E o principal ingrediente do botox é toxina botulínica. Trata-se da substância mais tóxica conhecida pelo humano. E estamos a injectar-nos com ela.
Ao longo da história, o uso de cosméticos esteve em conflito com os árbitros morais da sua época: na Antiga Roma, os líderes religiosos desaprovavam a sua utilização, de tal forma que Ovídio, a propósito, escreveu um poema didáctico a defender o uso dos cosméticos; na Idade Média, os líderes cristãos consideraram imoral a sua utilização; ainda hoje, certas facções do Islão assim o declaram, caso aqueles impliquem o engano e o desejo descontrolado. Também feministas consideram que os cosméticos, e a maquilhagem em particular, realçam o estatuto secundário das mulheres, tidas como objectos sexuais.

A ideia de propaganda política (através da arte) é uma ideia de Napoleão. A sua irmã mandou esculpir 1200 rostos em Carrara, depois vendidos a todos os municípios que assim tinham uma ideia palpável de Napoleão. Uma ideia que, posteriormente, veio à mente de Lenine, Estaline, Hitler, Mussolini.

[a partir de “O sentido da Beleza”, episódio 4, Rai 5, Massimo Brega]

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