
Entre os filmes de que mais gostei no tempo da Faculdade, encontram-se "Mystic River" e "Million Dollar Baby". A estes, acrescentei, posteriormente, "Gran Torino", na pasta "Clint Eastwood". Deve ser o autor vivo de que mais filmes vi nos últimos 10/15 anos (creio que só falhei "American Sniper", e o filme acerca dos atentados em Paris, que ainda nem estreou por cá, salvo erro). Entre os "filmes pedagógicos", às vezes a utilizar, mas longe dos preferidos, coloco "Invictus".
Quanto ao novo filme do grande realizador, "Correio de Droga", aprecio o minimalismo, a narrativa clara e escorreita, a franqueza e lealdade (do personagem principal), a confissão individualista, a busca da redenção, a assunção por inteiro de quem se é, da responsabilidade individual ("guilty"), a sensibilidade do cultivo das flores, a recusa do espírito do tempo (a internet que lhe acabou com o negócio, o parar na estrada para mudar o pneu ao carro de um casal como um "homem a sério" faria, o tratamento tradicional, e sem politicamente correcto, das questões de identidade), a ética de trabalho (no exagero do workholic), a busca da reconquista da família, a centralidade desta reconhecida por fim, a sabedoria do my way nas rotas do seu traficar, nas deambulações românticas em slow's de quarto de hotel, nos conselhos aos mais novos sobre a vida, no querer estar nos momentos maiores da vida da neta, no acompanhamento da ex-mulher no termo da existência desta. Mas, ainda assim, não o colocaria - desde logo, sem o impacto emocional - na lista dos mais marcantes do realizador; um Clint Eastwood por inteiro, assumindo os seus tópicos, sereno, sábio porventura, mas sem o registo poderoso daquele pódio acima esboçado.
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