sábado, 2 de fevereiro de 2019

O caso "Amoris Laetitia"


Prego muitas sobre esse tema nas missas matinais, aqui em Santa Marta. Não há nada de novo debaixo do Sol. Estamos diante do mesmo problema que no tempo de Jesus, quando Jesus Cristo começou a falar. O povo compreendeu-o perfeitamente e entusiasmou-se, pois Ele falava com autoridade. Em contrapartida, os doutores da Igreja desse tempo eram muito fechados. Eram fundamentalistas. «Podemos ir até este ponto, mas não vamos mais além». É a luta que travo hoje com a Exortação Amoris Laetitia. Porque ainda há quem diga: «Isso não podemos, isso já não». Mas existe outra lógica. Jesus Cristo não respeitava os hábitos que se haviam tornado mandamentos, pois tocava nos leprosos, coisa que não se fazia; não lapidava adúlteras, coisa que os outros faziam; falava com a Samaritana, embora não pudesse fazê-lo, pois tornava-o impuro. Deixou-se tocar por uma mulher que perdia sangue, e isso era impuro. Era Jesus Cristo que não respeitava a lei, ou era a lei dos outros que não estava de acordo com a verdade? Sim, tinha degenerado, à conta do fundamentalismo. E Jesus Cristo respondeu seguindo o rumo oposto.

Papa Francisco, entrevistado por Dominique Wolton, em Um futuro de fé, Planeta, 2018, p.107.

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