quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Questões suscitadas a propósito da problemática da eutanásia (II)



Eu acredito sinceramente no seguinte: não há um direito ao suicídio, e se não há um direito ao suicídio, também não deve haver direito ao suicídio assistido”.
Ninguém escolheu viver. E isso tem que ser um dado fundamental para compreender se está no nosso livre-arbítrio ou se está na nossa capacidade de escolha justamente o pôr termo à vida que nós não escolhemos ter.

Paulo Rangel, jurista, eurodeputado, no debate, a 5 de Junho de 2017, no Porto, p.39.


Nenhum de nós está preparado para lidar de uma forma clara com essas questões. (…) Não tenho uma forma objectiva de avaliar que seguramente me dê 100% de certeza que aquela pessoa não se vai conseguir adaptar e não vai conseguir recuperar daquele seu estado de grande sofrimento e que está a pedir para morrer. (…) Não vale a pena dizermos que ninguém quer morrer, há pessoas que querem morrer, há pessoas que, de facto, estão num sofrimento que não conseguem tolerar. Não se conseguem adaptar à circunstância da vida em que estão.

Miguel Ricou, representante da Ordem dos Psicólogos, no debate, a 20 de junho de 2017, em Braga, pp.48-49.


Inglaterra e o País de Gales andam há vinte e dois anos a discutir isto. Não é um tema fácil

Serafim Rebelo, representante da Ordem dos Enfermeiros, Braga, 20 de junho de 2017, p.50.



Se calhar, saímos daqui com mais dúvidas do que as que tínhamos ainda quando entrámos, mas se calhar o processo é este. É diferente debater e decidir.

Ana Paula Martins, representante da Ordem dos Farmacêuticos, Braga, 20 de junho de 2017, p.51



Muitos doentes, principalmente deprimidos, têm ideias de morte, isso não significa que tenham tantas ideias de suicídio, porque há uma confusão muito, muito, muito grande entre ideias de morte, principalmente sendo passivas, porque estas fazem parte da aquisição da mortalidade do ser humano, das ideias de suicídio, onde há, de facto, uma ideação activa, em que o indivíduo se interpreta como o potencial agente da sua própria morte. São situações completamente diferentes. (…)
No Poeta Militante, talvez de 1975, há um verso: «ah se eu pudesse suicidar-me por seis meses», e é um bocadinho isto que acontece com a maior parte das pessoas que tem aquilo a que se chama ideação suicida.

Carlos Braz Saraiva, psiquiatra e professor, no debate, em Aveiro, a 18 de julho de 2017, promovido pelo CNECV, depoimento registado em Decidir sobre o final da vida, CNECV, 2018, p.70.



Só 10% dos portugueses com necessidades paliativas é que têm acesso a cuidados desta natureza

Duarte Silva Soares, médico paliativista, Aveiro, a 18 de julho de 2017, promovido pelo CNECV, depoimento registado em Decidir sobre o final da vida, CNECV, 2018, p.71.

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