Eu acredito sinceramente no seguinte: não há
um direito ao suicídio, e se não há um direito ao suicídio, também não deve
haver direito ao suicídio assistido”.
Ninguém escolheu viver. E isso tem que ser um
dado fundamental para compreender se está no nosso livre-arbítrio ou se está na
nossa capacidade de escolha justamente o pôr termo à vida que nós não
escolhemos ter.
Paulo Rangel, jurista, eurodeputado, no debate, a 5 de
Junho de 2017, no Porto, p.39.
Nenhum de nós está preparado para lidar de
uma forma clara com essas questões. (…) Não tenho uma forma objectiva de
avaliar que seguramente me dê 100% de certeza que aquela pessoa não se vai
conseguir adaptar e não vai conseguir recuperar daquele seu estado de grande
sofrimento e que está a pedir para morrer. (…) Não vale a pena dizermos que
ninguém quer morrer, há pessoas que querem morrer, há pessoas que, de facto,
estão num sofrimento que não conseguem tolerar. Não se conseguem adaptar à
circunstância da vida em que estão.
Miguel Ricou, representante da Ordem dos Psicólogos, no
debate, a 20 de junho de 2017, em Braga, pp.48-49.
Inglaterra e o País de Gales andam há vinte e
dois anos a discutir isto. Não é um tema fácil.
Serafim
Rebelo, representante da Ordem dos Enfermeiros, Braga, 20 de junho de 2017,
p.50.
Se calhar, saímos daqui com mais dúvidas do que as que tínhamos ainda quando entrámos, mas se calhar o processo é este. É diferente debater e decidir.
Ana Paula Martins, representante da Ordem dos Farmacêuticos, Braga, 20 de junho de 2017, p.51
Muitos doentes,
principalmente deprimidos, têm ideias de morte, isso não significa que tenham
tantas ideias de suicídio, porque há uma confusão muito, muito, muito grande
entre ideias de morte, principalmente sendo passivas, porque estas fazem parte
da aquisição da mortalidade do ser humano, das ideias de suicídio, onde há, de
facto, uma ideação activa, em que o indivíduo se interpreta como o potencial
agente da sua própria morte. São situações completamente diferentes. (…)
No Poeta Militante, talvez de 1975, há um
verso: «ah se eu pudesse suicidar-me por seis meses», e é um bocadinho isto que
acontece com a maior parte das pessoas que tem aquilo a que se chama ideação suicida.
Carlos Braz
Saraiva, psiquiatra e professor, no
debate, em Aveiro, a 18 de julho de 2017, promovido pelo CNECV, depoimento
registado em Decidir sobre o final da
vida, CNECV, 2018, p.70.
Só 10% dos portugueses com necessidades paliativas é que têm acesso a cuidados desta natureza.
Duarte Silva Soares, médico paliativista, Aveiro, a 18 de julho de 2017, promovido pelo CNECV, depoimento registado em Decidir sobre o final da vida, CNECV, 2018, p.71.
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