terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Tempo


Como lhe disse, sempre tive alguma angústia existencial, pena da finitude da vida. Não é medo da morte, é pena. Medo de sofrimento, claro, mas é mais a pena. Gosto tanto, tanto, tanto de viver e todos os dias encontro mais uma razão, mais uma causa, mais uma coisa interessante, que me faz uma enorme pena saber que há um fim. (...) Eu já tinha um dia a meio da semana para respirar, foi por não querer aturar chatices na faculdade que resolvi um dia aposentar-me precocemente - o ambiente era de tal forma distorcido que já não me interessava nada aquelas lutas intestinas de poder. (...) O ser humano vive aflito porque ou não tem tempo, ou acha que tem todo o tempo e se não for hoje é amanhã, não sabemos viver com a noção de tempo e com este pavio curto que temos, quando ainda por cima depois há crises, doenças, isso tudo. (...) Mas podemos pensar todos os dias se temos liberdade para mudar o presente e futuro e acho que temos.

Mário Cordeiro, pediatra, entrevistado por Marta F.Reis, para o I, 08-02-2019, p.25.

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