sábado, 5 de outubro de 2019

A debilitação do conhecimento e da vontade (política) na era da incerteza


A incerteza, quase gritante, que rege o nosso tempo, e se coloca ao nosso futuro, faz com que, não apenas o nosso conhecimento - naufragando num oceano de dados, informação, ruído contínuos e incessantes -, mas também a nossa vontade fiquem debilitados, entorpecidos e, mesmo, se demitam. Sob duas formas políticas se dá essa demissão da vontade (política), regista Innerarity: a da (ideia de) adaptação ao que quer que seja que aí está/esteja (a adaptação como primado da direita) ou a contestação ou renúncia a tudo que se nos apresenta (a oposição como mandamento da esquerda). O exemplo dado pelo filósofo político é o da globalização: a perspectiva, de um lado, de que há que nos adaptarmos a como a globalização se dá, hoje por hoje; o posicionamento, por outro, de recusa de qualquer tipo de globalização (antes, mesmo, de verificar que oportunidades/vantagens dela podem advir e de como a conformar no melhor sentido).
Há, neste momento histórico em que nos encontramos, outras consequências advindas da perplexidade para com o mundo em que vivemos: emoções confusas, sentimentos que vogam sem uma âncora institucional segura, ausência, para muitos, de um marco que fosse hoje indisputável (quando é tão indispensável), alguém em quem confiar, uma bússola de orientação.
Em diferentes páginas de Política para perplexos, identifico uma comunhão de diagnóstico, por parte de Daniel Innerarity com Gilles Lipovetsky, a este respeito. Ou seja, se como o filósofo francês tem dito (recorde-se, por exemplo, esta entrevista), a uma fase histórica, em que o predomínio das instituições, das comunidades, tornava claro o sentido, o significado, o rumo, o caminho que a pessoa devia seguir, contudo coartando-lhe a liberdade, a absolutização do indivíduo, a sua "saída" de comunidades e instituições, colocou-o entregue a si mesmo, sem qualquer mapa, gerando níveis inéditos de stress e uma sociedade medicada a propósito e em sobredoses, já o filósofo basco assinala: "podemos também constatar que os nossos sentimentos vogam sem qualquer âncora institucional, dando lugar a sociedades exasperadas, ansiosas e irascíveis. Quando tudo se torna imprevisível, instável e suspeito surge a nostalgia das paixões tranquilas e levanta-se com especial inquietação o problema de saber em quem confiar, como recuperar alguma referência que nos permita orientar os nossos conhecimentos e emoções (...) que algumas certezas nos abandonaram é algo que podemos comprovar comparando as nossas previsões com aquilo que realmente aconteceu: ou se considerarmos a segurança de que gozaram muitas gerações e civilizações menos informadas do que a nossa, com uma tradição mais rígida que compensava a escassez da liberdade com uma orientação esmagadora. Quando alguém está bem equipado em matéria de certezas corre o risco de acabar no fanatismo; o risco maior de quem está perplexo é adaptar-se ao politicamente correcto e pouco mais"(pp.16 e 21).

A era da incerteza


Se eu tivesse de sintetizar o carácter do mundo em que vivemos diria que estamos numa época de incertezaOs seres humanos de sociedades anteriores à nossa viveram com um futuro talvez mais sombriomas a estabilidade das suas condições de vida - por muito negativas que fossem - permitia-lhes pensar que o porvir não ia trazer-lhes demasiadas surpresasPodiam ter fome e sofrer a opressão, mas não estavam perplexosA perplexidade é uma situação própria de sociedades em que o horizonte do possível se abriu tanto que os nossos cálculos acerca do futuro são especialmente incertos.

Daniel InnerarityPolítica para perplexos, Porto Editora, 2019, p.13. 

Innerarity


Verdadeiro case study para Daniel Innerarity é o chamado «processo catalão», que aliás foi convidado a intermediar por Madrid e Barcelona. A divulgação pública prematura do seu nome por uma das partes fez abortar a mediação e o filósofo basco voltou para Heidelberg convicto de que nem toda a gente quer uma solução que possa contentar ambas as partes. 

Carlos Magno, Prefácio pouco perplexo, para Política para perplexos, Porto Editora, 2019, p.10. 

Ironias ideológicas


1.Diz Paul Mason (em entrevista ao Ípsilon, Público, 27-09-2019): se são políticos muito à direita, como Trump ou Bolsonaro, que mais têm usado e popularizado as fake news, foi uma certa esquerda pós-moderna que, procurando impugnar a possibilidade de (acedermos à) verdade e adoptou o relativismo como credo, ironia da história, abriu um caminho que acaba por desaguar na pós-verdade, nas narrativas (que cada um escolhe, ou a que cada um adere), no menosprezo dos factos.

2.Escreve Daniel Innerarity (em Política para perplexos, Porto Editora, 2019): se, tradicionalmente, a realidade era de direita, ficando a esquerda acantonada à utopia, à imaginação e criatividade, os tempos agora são bem diversos. Justamente, os factos, a realidade, para políticos de direita como Trump ou Bolsonaro, pouco ou nada conta, irrompendo antes a narrativa como, de longe, o mais importante (e factor de atractividade). Hoje em dia, aliás, conquanto não se veja concorrentes desta via de uma direita extrema manipular os factos com tanta frequência/eficácia, sentencia de modo corrosivo o filósofo político, parece que "os reaccionários são proprietários da criatividade". 

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

O NASCIMENTO DA LIBERDADE E DA AUTONOMIA


A autodenominação comum das sociedades tribais para o seu próprio povo era, regra geral, «pessoa», pelo qual se torna claro que os outros não são propriamente pessoas; pelo menos, não em pleno sentido. No mundo grego de Ulisses, o historiador Moses Finley não verifica «nenhuma consciência social, nenhum traço de mandamento divino, nenhum sentimento de responsabilidade para com alguém além da própria família, nenhum sentido de dever para com nada além da própria valentia e ambição pela vitória e o poder». Aqui não existe nenhuma igualdade para todos, muito menos paz ou até tolerância. (...)
Contudo, de repente algo escandaloso aconteceu. Cerca de 1300 anos antes de Cristo, certas pessoas e certos povos começaram, primeiramente de uma forma incerta e dúbia, mas depois de forma mais clara, a acreditar num único Deus que tinha criado o mundo, todos os povos e todos os homens. Isto foi revolucionário! Os deuses tribais eram responsáveis somente pela própria tribo e, não raras vezes, esses deuses lutavam ferozmente nas lutas sangrentas dos seus povos contra, nas suas perspectivas, os fracos deuses tribais de outros povos. E de repente havia um Deus para todos! Começou no Egipto sob o faraó Amenófis IV. (...)
De repente tinha-se de acreditar neste Deus com o coração e com o entendimento, ou não; devia-se prontamente obedecê-lo, ou não; e isto era algo interior, com a alma, ou seja, psíquico. E era, de certa forma, individual. (...) A religião já não era só os sinais exteriores de confirmação da ordem eterna, necessários à conservação de cada sacrifício, até mesmo de sacrifícios humanos (...) Um Deus que requeria [agora] uma decisão individual, extremamente pessoal e eticamente livre. Ele exigia algo interior. No fim dos tempos, todos se encontrariam perante esse Deus. A partir desse momento, o Homem estava sozinho, sozinho perante Deus, e a partir desse momento o Homem devia obedecer mais a Deus do que aos Homens. Acima de tudo, o Homem podia entender, com o tempo, que era livre, livre de decidir e que tinha de assumir responsabilidades pela sua decisão, mas no sentido de uma resposta perante o julgamento de Deus. Deste modo, o Homem libertou-se da prisão espiritual das religiões tribais, que não conheciam a liberdade religiosa, e teve de aprender o que era a tolerância. E porque é o próprio Deus quem deseja seguidores íntimos, todas as outras formas de seguimento à força perdem sentido. O monoteísmo, ao qual o Homem se converte livremente, plantou deste modo o gérmen do que o Homem entende actualmente como liberdade e autonomia

Manfred LutzEscândalo dos escândalosA história secreta do cristianismoPaulus, 2019, pp.20-22.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Um cimento fundamental de uma sociedade


A perda do Cristianismo como uma força que liga toda a sociedade deparou-se com uma crise severa. E tal crise é reconhecida abertamente por todos os quadrantes políticos. O advogado e político alemão de esquerda Gregor Gysi explicou, na Academia Evangélica de Tutzing, que é ateísta, mas tem medo de uma sociedade sem Deus porque se poderia perder a solidariedade, e que o socialismo não é mais do que um Cristianismo secularizado. (...) A Direita, mesmo não conhecendo muito bem o Cristianismo (...) canta, no tempo do Advento, cânticos natalícios a plenos pulmões

Manfred LutzEscândalo dos escândalosA história secreta do cristianismoPaulus, 2019, p.10. 

Da necessidade de «traduções salvíficas»


Jurgen Habermas, conhecido filósofo alemão, que se considerou a si mesmo como «um religioso desarmonioso», exige, por isso, com palavras dramáticas, pelo menos «traduções salvíficas» da terminologia judaico-cristã da imagem e semelhança do Homem com Deus. Só assim, acredita Habermas, se pode assegurar a aceitação geral do conceito de dignidade humana, que é o conceito central da nossa organização social. Além do mais, Habermas deseja que os cristãos sejam percebidos no discurso público como cidadãos religiosos. Contudo, este desejo devoto de um agnóstico choca os cristãos, que tendem a viver a sua fé de forma mais reservada e em privado. 

Manfred Lutz, Escândalo dos escândalos. A história secreta do cristianismo, Paulus, 2019, p.11.

DOS INSUBSTITUÍVEIS



As Memórias e a memória de Diogo Freitas do Amaral

1.Em uma das conversas derradeiras com Mário Soares, Diogo Freitas do Amaral confidencia, não sem amargura, que não possui partido, nem dinheiro para criar uma Fundação que lute pelos ideais sociais de uma Democracia Cristã.

2.No terceiro (e último) volume da sua auto-biografia (publicada pela Bertrand), Freitas do Amaral assume uma mudança ou evolução do seu pensamento (ou, talvez melhor, a mudança de referências partidárias para se manter fiel ao seu pensamento), evolução essa muito marcada quer pela experiência na Assembleia-Geral das Nações Unidas – de onde possuiu um palco privilegiado para olhar a vida política norte-americana e a crescente radicalização do Partido Republicano, no que à falta de salvaguarda dos direitos sociais diz respeito, ainda durante os anos 90 – quer pelo estádio, em termos nacionais, de partidos com os quais se havia identificado intensamente, em especial desconcertado, no início deste século, com Durão Barroso, como Primeiro-Ministro, vendo este aderir às teses mais liberais, no corte de prestações sociais a quem se encontrava em pior situação na vida.

3.Se olharmos às últimas duas décadas da sua intervenção pública, que pude acompanhar mais de perto, notaremos como Freitas do Amaral nunca seguiu ortodoxias ideológicas: as suas posições sobre temas tão diversos como o aborto – no qual desagradou fortemente à esquerda – e na guerra do Iraque – que o levou a ser atacado sem tréguas à direita – evidenciam, antes, uma fidelidade a um convicto e estruturado pensamento social católico e a uma liberdade que recusa as amarras de quem o pretendeu prender a qualquer estrutura partidária ou ideológica que o leve a transigir com um núcleo essencial de valores nos quais se revê. Continuo, aliás, a pensar, a título exemplificativo, que teve razão em ambos os pontos vindos de mencionar. E, mais ainda, continuo a admirar o homem livre que não sucumbe a insultos e dichotes (que o visavam condicionar, diminuir ou silenciar). Quando o seguidismo e o clubismo, também no mundo político, são tantas vezes a norma, quando se subscrevem programas políticos, sob a mesma sigla, que podem dizer tudo e o seu contrário (com o intervalo de poucos anos), a reivindicação de uma cabeça que quer pensar por si própria, à luz de uma doutrina clara, é, com certeza, um exemplo cívico inestimável.

4.Um certo dia, falando - como então, segunda metade dos anos 90, ocorria frequentemente -, numa das mais prestigiadas universidades norte-americanas (Berkeley, no caso vertente), Freitas do Amaral, Presidente da Assembleia-Geral da ONU, vê uma jovem, no final da sua oração de sapiência dirigir-se-lhe e afiançar, o que o emociona, que acabara de ficar tão empolgada com as suas palavras que decidira, ali mesmo, dedicar-se às Nações Unidas e, através delas, aos países mais pobres do mundo. Um dos traços mais marcantes de Diogo Freitas do Amaral é, pois, a sua capacidade pedagógica, a fluência da palavra, a articulação entre o rigor e a inteligibilidade do que diz e escreve. Com uma confissão, neste livro (intitulado “Mais 35 anos de democracia. Um percurso singular”): os seus escritos de Ciência e Filosofia Política foram uma forma, por vezes, de sublimar derrotas políticas. De entre os seus escritos, neste contexto, gostaria de destacar “A História do Pensamento Político Ocidental”. Como, com felicidade, escreveu, à época da publicação de tal Tomo, Guilherme d’Oliveira Martins, no Jornal de Letras, uma obra a traduzir, a expandir além-fronteiras, de rara envergadura intelectual e académica e com a incomum qualidade, simultânea, de chegar a um público composto por não iniciados.
Durante a sua estadia de um ano em Nova Iorque, cidade pela qual passeou as grandes livrarias e bibliotecas, bem como museus e na qual assistiu às melhores óperas com os grandes nomes da música erudita, Freitas nunca se poupou a um enriquecimento de horizontes: "sempre considerei esses gastos [com a cultura] como um investimento, nunca como despesa de consumo supérflua". Como escritor, ousou sair do seu campo de especialidade, inserindo-se no domínio histórico – onde a sua biografia de Afonso Henriques se tornaria muito popular e muito vendida - ou no teatro, expondo-se, é certo, ao registo crítico dos seus pares (de academia e não só) especializados em tais âmbitos.

5.O Professor de Direito Administrativo – que fundou a Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa -, introduziu, nos currículos jurídicos a determinante do inglês técnico e convenceu os estudantes a não recorrerem a uma praxe que via como desumanizadora, é muito crítico com a investigação judicial do caso Camarate e elogioso do trabalho realizado na Comissão Parlamentar de Inquérito em especial a 5ª (1993-1995), sugerindo responsáveis pelo trágico desenlace com Sá Carneiro, Amaro da Costa e Snu Abecassis, “o dia mais triste de toda a minha vida”, anota.
Ele que, por outro lado, distingue um Sócrates que, na sua interpretação, entre 2005 e 2008, teve méritos como a diminuição do défice, a criação do complemento social para idosos ou o enfrentar de corporações, do Sócrates eleitoralista e despesista a partir de 2009, com grandes aumentos aos funcionários quando a inflação era nula, e o caminho muito complicado das contas públicas. Guterres “governou bem, sem sobressaltos” e com “medidas sociais inovadoras” como o Rendimento Mínimo Garantido, e Cavaco, um homem de “autoridade e eficácia”, foi “um dos melhores governantes em democracia”, sustenta, permitindo “a convergência real do país com a UE”, com o senão das privatizações na banca não bem ponderadas e do controlo político da RTP. A Passos Coelho, escreve Freitas do Amaral, faltou sensibilidade social, em medidas muito penalizadores para vastos sectores, os mais frágeis, da sociedade portuguesa.

6.Entre muitas outras funções, Freitas do Amaral presidiu à comissão para a Reforma do Sistema Prisional, no início deste século, era então ministra da Justiça Celeste Cardona. Diga-se a propósito, que, entre 1959 e 1983, não havia sobrelotação das prisões, mas, de 1984 para cá passou a haver. Muito sinteticamente, a comissão presidida por Freitas do Amaral sugeria a) menos tempo de prisão efetiva (e penas menos longas) e b) novos edifícios prisionais (com o tratamento singularizado que a lei previa). Passados 15 anos, a reforma continua por avançar: "alguém se admira que, em 2018, tenha começado a haver greves e distúrbios nas nossas prisões? Como é possível, num país cristão, conhecido pelo seu humanismo natural e espontâneo, haver na classe política tanta falta de sensibilidade para com os que caíram na vida e não têm quem os ajude a levantar-se?", interroga-se e interroga-nos.

7.Épica é a sua troca de palavras com Madeleine Albright, em plena Assembleia-Geral da ONU, com o mundo árabe e israelita a digladiarem-se uma vez mais e Freitas a ter de ser árbitro: “- Ouça uma coisa: porque é que não faz o que eu lhe digo?”, interroga, autoritária, a diplomata americana. “Eu, já irritado com ela, mas sereno, retorqui de imediato:- Porque eu é que fui eleito presidente da Assembleia Geral, não foi a senhora!”.

8. Sobre as eleições presidenciais de 1986 – para muitos, a última em que o país se envolveu profundamente e se fraturou politicamente ao meio -, Freitas do Amaral, que recusou um comício de desagravo uma semana após os resultados eleitorais por considerar que isso iria atentar contra a democracia (com forças d extrema direita que pretendiam promovê-lo, a serem travadas por Freitas) entende que há três grandes factores que o levaram a perder: i) o currículo, então muito superior ao seu, de Mário Soares; ii) o contexto político-social de então: depois de décadas de ditadura de direita, o eleitorado naturalmente virou à esquerda. A surpresa, diz Freitas do Amaral, foi ter chegado aos quase 49% dos votos, na segunda volta. Nunca, até então, PSD mais CDS, coligados, haviam tido mais votos que os partidos de esquerda juntos. Ora, e face a um adversário com o peso de Soares, a sua votação foi elevada; iii) o medo, por parte do eleitorado, que a dupla Cavaco-Freitas inclinasse o país muito à direita e tivesse uma propensão autoritária jogou o seu papel. Os Distritos que mais votaram em Freitas do Amaral foram Viseu (67,9%), Bragança (67,7%) e Vila Real (65,3%). Finda a campanha, uma enorme dívida ficou por saldar, mas PSD e CDS recusaram-se a ajudar a pagá-la (e um generoso Rui Marques dispôs-se a ir pelo país angariar fundos...o que acabou por não ser necessário).

9. Evidentemente, a questão atinente a qualquer auto-biografia, a quaisquer "Memórias" passa, desde logo, por esse material fluido e complexo que a memória é. Pelo relato de acontecimentos que, em diferentes ocasiões, não tem presentes, já, hoje, determinados protagonistas para o contraditório poder ser realizado. Em muitos casos, pela tendência para o auto-elogio. Sendo que, na re-arrumação dos factos, das decisões, episódios históricos, uma narrativa, à distância, permite organizar, com uma coerência existencial, doutrinária e ideológica, aquilo que, muito naturalmente, passou, possivelmente, em algum momento, mais pelo "muito humano" do que pela perfeita sintonia entre o princípio e a acção. Tudo isso atento, creio, em todo o caso, que não podem passar despercebidas, nem deixar de ser estudadas as anotações de um dos chamados pais da nossa democracia, nem, sobretudo, o exemplo, a clarividência, a acutilância, a coragem de quem, numa espécie de linhagem a la Montaigne pode ser visto como padroeiro de livres-pensadores. Culto, interessante, estudioso, metódico, social e politicamente empenhado: Freitas do Amaral, europeísta e cosmopolita, um exemplo de cidadania, uma inspiração para quem observa o mundo, e o pretende discutir, a partir também de uma mundividência cristã.
Como centrista, dei primeiro força à direita democrática para enfrentar e atenuar os efeitos de uma tentativa de Revolução comunista; e depois, como centrista, dei força à esquerda democrática para enfrentar os efeitos de um retrocesso neoliberal. Isto foi ser incoerente?!”. A questão retórica fica-nos como uma espécie de síntese política de um percurso que Diogo Freitas do Amaral nunca deixou de tomar a sério e por inteiro.


Boa semana.


p.s.: texto escrito para a crónica semanal de cidadania da próxima segunda-feira na ufm, que concluía com a esperança de voltarmos a contar com esta voz autorizada e essencial. Infelizmente, faltar-nos-à sempre esse seu ponto de vista de um dos derradeiros democratas-cristãos.

Um percurso único

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Juntando uma cuidadosa formação pessoal a uma inteligência seletiva, meticulosamente estruturada e de rara clareza na sua expressão, unindo preocupação de rigor concetual com atenção à realidade, dotado de um trato inexcedível e de uma leal constância a um grupo de amigos, colegas de Escola ou de vida, acabaria por ser sempre um Homem solitário, por causa da sua visceral independência, da sua aversão a prisões de pensamento, da sua descoberta feita ao longo de décadas de que havia mais mundos do que aquele ou aqueles que haviam marcado a sua juventude e o seu protagonismo primeiro na jovem Democracia portuguesa.

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, sobre Diogo Freitas do Amaral

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Confissões


Lembro-me permanentemente da minha mãe, mas sem qualquer desespero. Porque também acredito que as pessoas acabam sempre por se reencontrar. (...) Acredito que as pessoas se vão reencontrar num outro plano, numa outra dimensão, de uma maneira muito diferente da que vivemos aqui, mas num plano que está muito perto de todos nós. A fronteira entre a vida e a morte é tão ténue...(...) Não [a morte não é o fim]. Isso seria um contrassenso. Não é de maneira nenhuma o fim. É um estádio que as pessoas atravessam, como o nascimento. Também acho que o nascimento não é o princípio. Tudo continua e tudo já vem de trás. O tempo é aquilo que quisermos ficcionar sobre ele. Porque na verdade o tempo não existe. Ainda não nascemos, e já morremos. O tempo é isso. 

Mário Cláudio, entrevistado por Valdemar Cruz, para o ExpressoRevista, 28-09-2019, p.60-61.

Subterrâneos


Não acredito que haja pessoas completamente más, ou completamente boas. Há santos com subterrâneos de perversidade medonha, e também há perversos com um fundo de santidade enorme. As pessoas são uma construção. (...) Todos somos capazes de ser infames em certos momentos.

Mário Cláudio, entrevistado por Valdemar Cruz, para o Expresso, Revista, 28-09-2019, p.59.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Centeno questionado


Esta adoração pela figura do ministro das Finanças, que não tem paralelo em nenhum outro país da Europa Ocidental, é uma curiosa herança do salazarismo - e um atestado de menoridade, e até de mediocridade, que as lideranças políticas passam a si próprias. Elas lá saberão porquê.

João Pereira Coutinho, Os suspeitos do costume, in Cuidados Intensivos, Sábado, 26-09-2019, p.130. 


Esta história do "combate dos Centenos", a saber qual dos candidatos a primeiro-ministro tem o "melhor Centeno", seria uma completa patetice, se não fosse o revelador do dilema da oposição a Costa. Primeiro, porque quem tem o original Centeno ganha sempre, depois porque ter um Centeno e dar-lhe o papel que ele tem significa que não há verdadeira alteridade, genuína oposição. O que a oposição precisava era de um anti-Centeno. E não comecem já a espumar, o contrário de Centeno não é o "descalabro" das contas públicas, o défice galopante, a bancarrota. É simplesmente uma outra política, que a direita, no PS, no PSD, nos liberais interventivos, na Aliança, no CDS, nos partidos da TINA, dos fãs do Tratado Orçamental, diz que não é possível como se fosse uma lei da Física. Até Schauble, o pai de todos os Centenos, percebeu que, como em todas as coisas, há efeitos perversos e o poupar pode sair muito caro

José Pacheco Pereira, Querem saber por que razão não há genuína oposição ao Governo do PS? Por causa do combate dos Centenos, in A lagartixa e o Jacaré, Sábado, 26-09-2019, p.34.

Decência


É salutar, por isso, que o tão aguardado debate televisivo entre António Costa e Rui Rio tenha decorrido num nível de serenidade e de respeito mútuo, quase em contraciclo com o resto do mundo, mas que não impediu de deixar registadas as diferenças e as semelhanças entre os dois. Quem esperava "sangue", ao nível dos programas sobre futebol, pode ter ficado desiludido. Mas ainda bem que prevaleceu a decência no debate Costa-Rio. Significa que ambos acreditam que os eleitores portugueses são menos primários do que às vezes se julga e se apregoa.

Rui Tavares Guedes, A decência e o combate políticoVisão, 19-09-2019, p.8.

Recessão democrática


                                                       (infografia Visão, 19-09-19)

A intensidade da desconfiança, do ódio e da intimidação [pelos políticos] que encontram agora não tem precedentes. Até os políticos veteranos ficariam surpreendidos pelo grau de azedume que enfrentam. (...) Pela primeira vez em décadas, a Freedom House - que mede o grau da governação democrática em todo o mundo - contabilizou mais países a afastarem-se da democracia do que a darem passos na sua direcção. Nas palavras de Larry Diamond, está agora em marcha "uma recessão democrática". (...) O que encontramos [a partir dos dados do World Values Survey] foi chocante: na América do Norte e na Europa Ocidental, os cidadãos estão de facto a afastar-se da democracia em grandes números. (...)
A maior parte das pessoas mais velhas parece ter com a democracia a tal ligação intensa. Interrogados sobre quão importante é para eles viver numa democracia, numa escala de um a dez, cerca de dois terços dos norte-americanos nascidos nas décadas de 1930 e 1940 deram a resposta mais elevado: consideram essencial. Mas a maior parte dos mais jovens tem um apreço muito menor pelo seu sistema político. Entre os millennials norte-americanos, nascidos a partir de 1980, menos de um terço considera essencial viver numa democracia
Fora dos EUA, o quadro é um pouco mais complicado. Em alguns países que têm uma história recente de governo autoritário, os jovens não têm um apreço significativamente menor pela democracia do que os mais velhos. Mas nas democracias que existem há mais tempo, em especial no mundo anglo-saxónico, os millennials mostram uma desilusão semelhante. Assim como nos EUA, os mais jovens têm menos apreço pelo regime em que vivem, o mesmo se passa com os jovens da Suécia à Austrália e da Grã-Bretanha à Holanda: dão menos importância a viver numa democracia. (...)
Nos EUA, por exemplo, cerca de um em cada quatro millennials acredita agora que a democracia é uma má maneira de governar o país - um aumento de mais de 100% em comparação com as pessoas mais velhas que responderam à sondagem. Globalmente, o quadro é mais uma vez idêntico: o desapontamento com a democracia também tem aumentado na Grã-Bretanha e na Holanda, na Suécia e na Nova Zelândia. Na verdade, até os jovens em países que são geralmente apontados como especialmente resistentes à actual crise da democracia liberal - como o Canadá, a Alemanha e a Suécia - são muito mais críticos da democracia do que os pais ou os avós. (...)
Na verdade, não são apenas os jovens norte-americanos que têm uma probabilidade maior do que os mais velhos de serem a favor de um homem-forte. Os norte-americanos de todas as idades são hoje mais a favor de um homem-forte do que eram há vinte anos. (...)
A boa notícia é que as pessoas que afirmam que um governo militar é uma boa maneira de governar a América são menos do que as que anseiam por um homem-forte livre de agir sem se importar com o Congresso ou com eleições. A má notícia é que o seu número aumenta rapidamente. (...) Olhando para lá do contexto norte-americano, há países em que o apoio a um governo militar caiu de facto nas últimas décadas. Mas a maior parte são nações, como o Chile, que tiveram uma experiência muito recente de ditadura militar. (...)
"Para as democracias funcionarem", escreveu há alguns anos Michael Ignatieff, teórico político e antigo líder do Partido Liberal do Canadá, "os políticos têm de respeitar a diferença entre um inimigo e um adversário. Um adversário é alguém que se quer derrotar. Um inimigo é alguém que é preciso destruir". (...)
Novos partidos podem ajudar de duas maneiras: ao empurrarem para a agenda política questões há muito ignoradas, aumentam a representatividade do sistema político; e ao catapultarem para o poder uma nova colheita de políticos, injectam sangue novo nesse sistema. (...) [Contudo] Muitos dos novos partidos não fornecem apenas alternativas ideológicas dentro do sistema democrático - desafiam regras básicas e normas do próprio sistema. (...) A razão pela qual populistas e recém-chegados à política estão tão prontos a desafiar as normas democráticas básicas é, em parte, tática: sempre que os populistas as transgridem, chamam sobre si a condenação unânime do establishment político. E claro que isso só prova que, tal como eles disseram, os populistas representam de facto um corte total com o status quo. (...) Enquanto as suas declarações mais provocatórias são muitas vezes consideradas gaffes por observadores políticos, a sua disposição para cometer tais gaffes constitui uma boa parte do seu poder de sedução

Yascha Mounk, Povo vs Democracia, Lua de Papel, 2019, pré-publicação pela Visão, nº1385, de 19-09 a 25-09-2019, pp.58-63.

UMA DOR MAIOR


Estreou, no passado Domingo, Desassossego, na RTP2, um programa de entrevistas de Maria João Seixas. O primeiro convidado foi José Tolentino de Mendonça. A parte da conversa que mais me tocou (ver cerca do minuto 32) prendeu-se com o relembrar, por parte do entrevistado, de um verso de Ruy Belo, no qual o poeta falava da "terrível solidão dos filhos de Deus". Com aquela expressão, a ideia de que só os "crentes" sentem - quando sentem, em dados momentos, porventura - essa falta, essa ausência ("a terrível solidão que só os crentes vivem; porque é a experiência do abandono, o medo desse abandono; porque é como se atravessássemos essa ponte de cordas sobre o abismo completamente sós, sentindo que estamos completamente sós", nas palavras de D.Tolentino). Para quem lê a realidade sem que (esta) contenha qualquer "excesso", sem "encontro", nem sequer há "falta", nem "ausência" (mesmo que mais ou menos momentânea, ou prolongada). Os "não crentes" não seriam habitados por essa ferida, ou, pelo menos a ferida não seria tão intensa, a "solidão" ficaria para os "filhos de Deus" [evidentemente, todos os humanos são filhos de Deus, mas atenta a expressão, compreenda-se a interpretação no seu contexto; o mesmo se diga da precariedade de expressões como "crentes" e "não crentes", sobretudo se lemos, como me sucede, a realidade considerando os humanos como "seres que [necessariamente] confiam", como "homo credens"]. Nota Tolentino: os "crentes", muitas vezes no seu percurso, "não sentimos nada, nada, nada!" [a aridez perante Deus; pensemos no que sobre isso disse Teresa de Calcutá]. E "esse nada dói mais que o nada dos não crentes". Então, o salto, "depois percebemos que não estamos sós, que a nossa vida esteve sempre amparada, foi sempre sustentada pela misericórdia amorosa de Deus". Esse compreender-se ao colo, apesar de.
A reflexão do cardeal, fez lembrar-me João Duque, a propósito da recepção heideggeriana de Nietzsche: aquele que constata a "morte de deus" [a morte de um dado conceito/imagem de Deus, porque Deus, por natureza eterno, não pode morrer] é, ainda, quem O procura. Só sente a falta de Deus - do amparo, do colo, do Amor - quem O conhece(u)

Democracia e liberalismo - divergência


Segundo Yascha Mounk (que descobri com Manuel Maria Carrilho), nesta entrevista a Ricardo Alexandre, o populismo pode não representar uma década, mas tornar-se, mesmo, uma era (política). Segundo o cientista político, o populismo surge como resultado de três factores essenciais:
a) degradação/ansiedade económica;
b) grandes transformações culturais/demográficas (em diferentes sociedades); 
c) emergência da internet.

Um dos sublinhados mais interessantes de Mounk: a divergência a que assistimos em muitas sociedades entre democracia e liberalismo. Ou seja, em muitas sociedades é possível votar, mas não se respeitam minorias (e seus direitos), ataca-se a comunicação social, agridem-se/capturam-se instituições (democracia iliberal). Fala-se, e age-se, em nome do povo, em um primeiro momento talvez se respeite o que este pretende, mas de imediato se parte para a subversão democrática. Em outras sociedades, respeitam-se direitos das minorias, não se permitem tais agressões, mas o sentimento popular é completamente desrespeitado (liberalismo não democrático), o que leva à procura, pelo eleitorado, de alguém populista. Eis um dos grandes nós políticos deste tempo, de acordo com este académico, que importa desatar

terça-feira, 24 de setembro de 2019

O provincianismo de Lisboa


Na semana passada, uns ninhos da vespa asiática num parque de Sintra mobilizaram, em força, a comunicação social para o(s) problema(s) causado(s) por aquela espécie. Quem vive em Trás os Montes, desde há vários anos que tem notícia, convive, sofre e vai tentando encontrar soluções para com ele lidar. Mas chegada a vespa a sul, a questão passou a existir. Sorri, escutando rádios e televisões sobre o tema, como se os jornais abrissem, no quarto final de 2019, com uma notícia de 2010. No Domingo, uma carta de um leitor, de Viana do Castelo, António Matos, no Público, expunha, com acertada ironia, não apenas a problemática da vespa asiática, mas o profundo ensimesmamento, o mundo muito pequenino de uma Lisboa auto-centrada. Se o provincianismo é não ter mais mundo que o nosso minúsculo, não conhecer outras realidades, julgar que o que nos sucede é único e não tem comparação, abrir a boca de espanto com coisas que de há muito se verificam noutras latitudes, muitos media lisboetas - bem antes que outra coisa, lisboetas - são-no com toda a clareza. Há, é certo, uma forma de provincianismo, exógena a Lisboa, a qual consiste em atribuir à capital a culpa de todos os males, procurando desresponsabilizar-se do que não se faz (e do que se falha) a nível local/regional (a falta de melhores elites seria responsabilidade lisboeta); e uma outra, igualmente externa (a Lisboa), que adopta, acriticamente, um modo de ver a partir de Lisboa, como se aquela lente não existisse, e se tivesse que aderir a tais interpretações e representações, muito situadas, da realidade. Do mesmo modo que, inscritos, territorialmente em outros espaços, os olhares mediadores carregariam essa mesma ancoragem, não pode aceitar-se como neutra ou asséptica - e é o pretender-se tal coisa que deve denunciar-se como logro - um construção que padece do mesmo inevitável vício de um óculo situado. Como passa, demasiadas vezes, sem reparo essa ideia de que Lisboa transmite "a" realidade, o risco de ignorância do que é o país - em media ainda com enormes audiências que são determinantes na percepção do que é a realidade, para muitos portugueses - é maior. E sem um adequado conhecimento das realidades, não podemos tomar boas decisões. Mais facilmente iludidos. De aí que o provincianismo lisboeta seja, potencialmente, mais perigoso do que outros provincianismos (igualmente existentes).
A carta de António de Matos passará mais ou menos invisível, mas o Público faria bem em dar-lhe manchete. Por analogia, se não devemos confundir o "povo" com o "povo da televisão", também não devemos confundir a "o país" com a "noção de país das redacções em Lisboa"
Com a devida vénia, aqui fica a Carta do Leitor (Público, 22-09-2019, p.4):

"A vespa asiática chegou ao Minho há oito anos, avançando progressivamente para sul; afectou cidades como Viana, Braga, Barcelos, Guimarães, Vila Real, Porto, Coimbra, etc. Na cidade do Porto começou a ser combatida há cinco anos. Nos campos destruiu colmeias e as abelhas, atacou pomares, morreram pessoas. O ataque incisivo sobre as abelhas terá consequências imprevisíveis e de grande risco na produção de fruta, já que o declínio das abelhas será o declínio da polinização, com enormes impactos nas frutas, no vinho. Há cerca de seis anos houve importante reacção das entidades do Norte, tais como associações de agricultores e apicultiores, universidades, Governos e câmaras. Estudaram-se e aprenderam-se as formas mais eficazes de detectar e eliminar a infestação, mas já conhecemos o perigo e as formas de reagir. Ficámos esta semana a saber que se a vespa asiática tinha chegado ao Minho há oito anos, agora chegou a Portugal, primeiro num jardim de Lisboa e depois em Sintra, provocando grande alarido nos media e outras entidades que se desmultiplicaram em avisos, encerramentos, promessas. É assim o nosso país, dividido em dois, um que entrou agora em pânico e outro que não entende o alarido com coisa tão vulgar".

Harvard, segundo Centeno


Como desafio intelectual [os estudos que fez em Harvard] foi absolutamente incomparável e humanamente uma experiência única. Todos os nossos professores tinham sido, nalgum momento da vida, assessores, colaboradores ou secretários de Estado de governos dos Estados Unidos. Na academia norte-americana há uma cultura enraizada de partilha entre o altíssimo nível do conhecimento que se produz nas universidades e a política: pretende-se que haja um envolvimento, ainda que temporário, com a política. Todos os meus professores - do mais democrata ao mais republicano - tinham na sua sala uma fotografia sua com presidentes norte-americanos. O meu orientador, por exemplo, tinha uma com Bill Clinton, porque estivera no gabinete do ministro - secretary of state - do trabalho. Martin Feldstein, republicano, e na altura o Presidente do Centro de Investigação em Economia - que junta economistas de todo o mundo e tem sede muito próximo da universidade -, fotografara-se com [Ronald] Reagan em cujo gabinete trabalhara...Havia um grande envolvimento político, embora sempre com um sentimento de entrega àquilo que é o conhecimento: excluía-se liminarmente a criação de situações que dividissem ou pudessem vir a dividir, gerando qualquer tipo de incompatibilidades. Enfim...é uma cultura. Não, ela não existe em mais parte alguma do mundo. Como ali, não. 

Mário Centeno, entrevistado por Maria João AvillezPúblicoP2, 22-09-2019, p.7.

Centeno e o Eurogrupo


Uma das ideias que levava comigo quando cheguei ao Eurogrupo foi dar início à abertura de...[ri-se], vamos chamar-lhe 'concílio' dos ministros das Finanças que até aí funcionava em circuito muito fechado. Desde 2018 que com regularidade tenho convidado gente para lá ir conversar com os ministros, começando pelos prémios Nobel europeus de Economia até outros mestres. No entanto, confesso que os académicos vão sempre mais nervosos do que os ministros, precisamente pela falta de 'hábito' da passagem do conhecimento da academia para a prática política. Têm sido conversas interessantíssimas...

Mário Centeno, entrevistado por Maria João AvillezPúblicoP2, 22-09-2019, p.8.

Notícias por conhecer


Há muito poucos europeus que tenham, por exemplo, a noção de que criámos 11 milhões de empregos nos últimos cinco anos na área do euro! Ou que temos a taxa de desemprego mais baixa dos últimos anos. 

Mário Centeno, entrevistado por Maria João Avillez, Público, P2, 22-09-2019, p.8.