Na entrevista que vai marcando o início de fim de semana político em Portugal, a de Rui Rio, ao Bloco Central, da TSF, sem dúvida que podemos concentrar-nos, não sem interesse, no que nela há de mais imediato e que gerará mais comentários, polémica, ataques e contra-ataques, fogo de artifício político (citando de cor: "quem não está estruturalmente de acordo com o partido, que faça como Santana Lopes e saia").
Mas podemos seguir, ainda, outra via. Quem gosta de filosofia (política), quem procura fixar, de algum modo, um horizonte do que significa, historicamente, uma dada instituição, relevante na vida de uma comunidade, registe-se, como neste programa de rádio, pela primeira vez, um líder do PSD assume que a viragem liberal do Partido Social Democrata se inicia com Durão Barroso (de quem Rio era vice, já agora; ouvir, sobre este ponto, o programa da TSF depois do minuto 35). Algo que, nesta conversa, começa por ser dito, em jeito de novidade, por Pedro Adão e Silva.
Mais difícil de dizê-lo, e até a partir de um prisma que não coincidia com o modo como Passos Coelho governava ideologicamente, quando era taticamente prioritário combater o mais recente ex-PM. Não deixamos, nesta noite, de voltar a sublinhar o contributo de Ana Rita Ferreira, esse sim, original face ao comum das análises da época (e anos subsequentes), a que não deixámos de apor o nosso olhar e assinatura.
Uma outra nota interessante de Adão e Silva: a economia em bom ritmo não permitiu, ainda assim, aos Democratas manterem o poder nos EUA, ou que os Conservadores estivessem em alta no Reino Unido. Pelo que pode haver mais vida para além da economia, como factor determinante numa eleição.