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sábado, 8 de setembro de 2018

A busca, e a amizade, da sabedoria (também na política)


Na entrevista que vai marcando o início de fim de semana político em Portugal, a de Rui Rio, ao Bloco Central, da TSF, sem dúvida que podemos concentrar-nos, não sem interesse, no que nela há de mais imediato e que gerará mais comentários, polémica, ataques e contra-ataques, fogo de artifício político (citando de cor: "quem não está estruturalmente de acordo com o partido, que faça como Santana Lopes e saia").
Mas podemos seguir, ainda, outra via. Quem gosta de filosofia (política), quem procura fixar, de algum modo, um horizonte do que significa, historicamente, uma dada instituição, relevante na vida de uma comunidade, registe-se, como neste programa de rádio, pela primeira vez, um líder do PSD assume que a viragem liberal do Partido Social Democrata se inicia com Durão Barroso (de quem Rio era vice, já agora; ouvir, sobre este ponto, o programa da TSF depois do minuto 35). Algo que, nesta conversa, começa por ser dito, em jeito de novidade, por Pedro Adão e Silva
Mais difícil de dizê-lo, e até a partir de um prisma que não coincidia com o modo como Passos Coelho governava ideologicamente, quando era taticamente prioritário combater o mais recente ex-PM. Não deixamos, nesta noite, de voltar a sublinhar o contributo de Ana Rita Ferreira, esse sim, original face ao comum das análises da época (e anos subsequentes), a que não deixámos de apor o nosso olhar e assinatura.
Uma outra nota interessante de Adão e Silva: a economia em bom ritmo não permitiu, ainda assim, aos Democratas manterem o poder nos EUA, ou que os Conservadores estivessem em alta no Reino Unido. Pelo que pode haver mais vida para além da economia, como factor determinante numa eleição.

domingo, 26 de novembro de 2017

Cegueira e cupidez

Resultado de imagem para ganância

A 20 de Março de 2003 começavam os ataques da ofensiva americana a Bagdade ou Operação de Libertação do Iraque. O nome depende da zona do globo onde se vive. Para Luís Barreiros, então embaixador em Bagdade, a guerra libertou os iraquianos de um ditador mas deixou-os num vazio de poder. "Depois da guerra, Bush disse que o mundo estava mais seguro. Não sei de que mundo está a falar", diz, recordando que o Daesh cresceu a seguir ao conflito
Seis dias antes, Portugal tentava ficar na fotografia do lançamento da ofensiva militar. A cimeira dos Açores, organizada por Durão Barroso, juntou José Maria Aznar, Tony Blair, George W.Bush para fazerem a declaração de guerra. Na capital iraquiana, o embaixador era apanhado de surpresa: "Fiquei preocupado porque tive dificuldade em perceber o que Portugal tinha que ver com aquela guerra". Pedi orientações a Lisboa que "não respondeu nada de especial".
Do outro lado do mundo, Pedro Catarino, embaixador em Washington, foi avisado pelo primeiro-ministro. "Durão Barroso não teria sido presidente da Comissão Europeia se não tivesse o relacionamento que tinha com Bush. Era um bom relacionamento. A relação entre a UE e os EUA é fundamental e convinha aos líderes europeus terem um presidente com um bom relacionamento com o Presidente americano".
O pós-guerra provocou um assalto dos empresários à reconstrução. Itália e Espanha foram dos países mais ávidos na corrida, mas vários empresários nacionais também tentaram a sua sorte. "Houve um gabinete em Bagdade criado pelo ministro Martins da Cruz para isso. Na primeira visita foram 10, mas não sei se os negócios se concretizaram", revela Luís Barreiros. O mais conhecido dos investidores era a Sonae Sierra que tentava fazer negócios através de um centro de distribuição que tinha na Síria. 

Carolina Reis, Os nossos olhos pelo mundo, Revista do Expresso, p.40. Expresso nº2352, 25-11-2017

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

2017


Vamos para o 9º ano consecutivo em crise. A Europa, regista Vítor Bento, foi a pior região do mundo a responder aos idos de 2008. No Velho Continente, a palavra à Alemanha: a aposta continuada no modelo de poupança mais exportações, gerando sucessivos excedentes comerciais poderá ter consequências de maior. Paulo Rangel olha para a Comissão Europeia e faz notar que enquanto a Comissão Barroso abriu procedimento à Alemanha por tais excedentes, a Comissão Junker travou-o. O modelo alemão, aparentemente racional e maximizador das contas germânicas, no curto prazo (pelo menos) vai ser continuado mesmo depois das eleições do próximo ano, garante Nuno Garoupa. A ser assim, adverte Silva Peneda, a Europa será levada à desintegração. Vítor Bento realça, a propósito, que o excesso de poupança, alocada a determinados produtos financeiros, pode gerar nova crise financeira. António Barreto constata que, hoje por hoje, a Europa já "não é um bem maior, mas um mal menor". E de aí três linhas, separando as àguas dos olhares para 2017: "os optimistas acreditam que a esperança é a última a morrer, que tudo vai correr bem, que há sempre quem salve os povos das catástrofes e que a razão e o bom senso acabarão por imperar. Para eles, a Europa vai ressuscitar ainda mais forte"; "os pessimistas pensam que vivemos o crepúsculo da grande civilização ocidental, cristã, europeia, industrial, liberal e democrática. O que vier a seguir não será bom"; finalmente, "os cépticos admitem que uma solução razoável possa, em última instância, surgir e ser perfilhada pela maioria dos europeus, mas que será apenas a menos má das saídas da crise. A grande Europa está condenada. A Europa será uma solução de recurso (...) E perceber que ou há refundação, seja com quem for, ou há funeral". Augusto Santos Silva sublinha o trágico de para combater a crise se terem posto em prática políticas de austeridade.

[a partir da edição especial, comemorativa dos 153 anos do DN, 29/12/2016]

domingo, 8 de maio de 2016

Luva branca


Em entrevista a Ricardo Costa que a Sic e o Expresso passaram, Durão Barroso disse que só avançou para a Cimeira das Lajes depois de ouvir a opinião de Jorge Sampaio. Este, por sua vez, não demorou 24 horas a responder-lhe e este Domingo o texto que publica é tudo menos meigo:


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Um início




O discurso mais social de um Presidente da Comissão Europeia, desde Jacques Delors. É assim que em editorial ElPais classifica a intervenção programática de Jean Claude-Juncker, ontem, no Parlamento Europeu. Lá, onde anunciou um programa de estímulo económico no valor de 300 mil milhões de euros - o dobro do Pacto de Estabilidade e Crescimento desenhado por Hollande, em 2012 - para os próximos três anos, flexibilidade na interpretação das regras fiscais, impulso à Taxa Tobin, criação de um salário mínimo europeu. Houve auto-crítica às políticas de austeridade e à falta de equidade na distribuição dos sacrifícios resultantes das mesmas. Torreblanca atribui este posicionamento a dois factores: a) o factor populismos, dada a possibilidade, com ele criada, de real desintegração da UE; b) o factor Renzi e a flexibilidade nas regras orçamentais que vem defendendo, bem como a política de estímulos económicos. Em todo o caso, o compromisso com as reformas estruturais também ficou vincado na alocução de Juncker que, depois, provocado por Marine Le Pen, lhe agradeceu o voto contra (ele). O discurso soou tão social-democrata que o ABC faz, mesmo, manchete com ataque a Pedro Sanchez pelo facto dos eurodeputados socialistas espanhóis não terem ratificado Juncker, crítica partilhada pelo ElPais.

sábado, 29 de março de 2014

A entrevista de Durão Barroso - a táctica


Claro: quando Barroso diz que “o meu partido é Portugal”, fiz tudo para aliviar as condições de ajustamento, “estive uma hora ao telefone com a srª Merkel” para conseguir a baixa de juros e o adiamento dos prazos, fico muito mal emocionalmente quando vejo o nosso país assim, compreendo o jogo do governo e da oposição, mas já estou acima disso é natural que se veja, para utilizar a expressão do Prof. Marcelo – cujos comentários à entrevista que hoje passou na sic notícias são aguardados com expectativa -, um “fazer-se ao piso”.
Em todo o caso, se a sugestão para pelo menos os três principais partidos apoiarem um único candidato à Presidência da República tinha, afinal, como alvo do dito consenso a formar, o próprio Durão Barroso, parece-me muito difícil ter êxito, isto é, que o PS esteja, de algum modo, disposto a não apresentar qualquer candidatura em favor do presidente cessante da Comissão Europeia.

Em todo o caso, se a perspectiva acerca das presidenciais exposta por Manuel Maria Carrilho obtivesse comum vencimento – a saber, só dois candidatos poderiam reunir consistência internacional, determinante, para Portugal, neste instante: António Guterres e Durão Barroso -, então, em caso de abdicação por parte de Guterres, restaria Barroso e, na lógica apresentada pelo ex-ministro da Cultura, seria o único a preencher os requisitos para o cargo no actual momento histórico. Falta ao ex-PM português convencer, entre várias outras coisas, os seus concidadãos, mesmo no interior desta tese, como o seu reconhecimento internacional valeu mesmo aos portugueses. A entrevista, ao nível das presidenciais, deixou tudo em aberto; falta continuar a seguir sondagens sobre a matéria e conhecer potenciais adversários, para Barroso se decidir.