
A lei portuguesa (entre outras) prevê a possibilidade de pessoas sem licenciatura fazerem mestrados e doutoramentos. No livro A universidade como deve ser, os dois académicos que o redigem, António M. Feijó e Miguel Tamen, assinalam a páginas 55 (nota de rodapé 32): "A tese de doutoramento de um candidato admitido nestas condições no programa de pós-graduação a que estamos associados foi publicada pela Cambridge University Press". Ou seja: tivemos aqui um não licenciado que fez uma tese de doutoramento publicada na editora de uma das mais respeitadas universidades do mundo. Para quem tem a visão quadrada dos doutores e não doutores, deve ser um choque; para quem percebe, com facilidade, que não é o "dr" (ou "eng", ou "arq.") que distinguem - mesmo ao nível do conhecimento, de forma necessária - as pessoas (antes, a curiosidade intelectual, o mundo, a paixão pelo saber, o gosto de cultivar-se, o ser hoje mais sábio do que ontem), isto é perfeitamente plausível.