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sábado, 3 de novembro de 2018

Banha da cobra

      


Enquanto o Expresso, através do Football Leaks, confirma aquilo de que há muito se suspeitava - a criação, por parte dos maiores clubes, de uma superliga europeia de onde se excluem emblemas portugueses, Luís Filipe Vieira dizia esta semana que não sairá do seu clube enquanto não for campeão europeu. De hóquei? 
Com base nos mesmos documentos que deram origem à manchete do Expresso, a Marca titula hoje "Escândalo", apontando o dedo a Infantino e Platini como tendo encoberto o "doping financeiro" de PSG e Man. City. Não era Platini o santo e senha da famosa "verdade desportiva"? Quem nega ter claques, ou a existência de uma cartilha reconhecida até pelos que por ela foram instrumentalizados, é capaz de dizer tudo, incluindo a expressão "verdade desportiva". Que, na sua boca, não quer dizer, pura e simplesmente, nada. 

P.S.: Escreve o Director Pedro Santos Guerreiro, no Expresso, a propósito da superliga europeia, sobre a correlação entre a vida social e económica, no estádio em que a vemos medrar, e o futebol que, evidentemente, não vive em Marte. Acho graça aos que são a favor de um regime num lado, mas no outro nem pensar. Quem bebe pelo gargalo, compra a garrafa: "Criar superligas é trazer para o desporto o tipo de desigualdade que conhecemos nas companhias multinacionais. É fomentar uma desproporção concorrencial que sedimentará duas divisões no  futebol, distribuindo o dinheiro de forma tão desproporcionada que tornará quase impossível a mobilidade de clubes entre ligas (...) Quando os ricos querem ficar mais ricos, a história nunca acaba bem" (p.2).

sábado, 21 de outubro de 2017

MUITO BOM


Bárbara Wong entrevista Nuccio Ordine, no Público:




O meu livro é um grito de alarme. Quando pergunto aos meus alunos por que estão na universidade, respondem-me que é para obter um diploma. Um diploma não serve para nada! Há uma visão utilitarista da educação que mata a ideia de escola. Vamos à escola para sermos pessoas cultas! Para sermos pessoas melhores, para sermos éticos, não importa o curso. Na apresentação do meu livro, viajei de Norte a Sul de Itália e os estudantes diziam-me: “Professor, adoro os gregos e os latinos, mas os meus pais perguntam-me ‘o que vais fazer com literatura? Porque não te inscreves num curso onde possas vir a ganhar dinheiro?’ Isto é a corrupção da ideia do que deve ser a universidade! É corromper os estudantes. Temos médicos que o são porque ganham muito dinheiro e não por razões humanitárias e não pelo que prometem no juramento de Hipócrates. Esta corrupção – a ideia de ganhar muito dinheiro – atravessa a sociedade inteira, chega à política, à economia. Por isso temos corrupção no mundo inteiro. Costumo ler uma história belíssima de Kavafis [poeta grego, 1863-1933] sobre Ítaca, a história de Ulisses, que diz que a experiência da viagem é que fará de ti um homem rico, fará de ti um homem melhor. 



Contesto a ideia de que as universidades sejam empresas. A nossa missão não deve ser vender diplomas que os estudantes compram. Isso é uma enorme corrupção. A escola não pode ser uma empresa porque a lógica da educação não é a do mercado. O princípio da educação é aprender a ser melhor, para si mesmo e não para o mercado. O que vemos na City em Londres [no centro financeiro britânico] são pessoas com elasticidade mental, pessoas que vêm dos estudos clássicos ou da filosofia porque compreendem melhor o mundo do que os especialistas em economia ou programação. As consequências da Declaração de Bolonha, que veio alterar a forma como o ensino superior está organizado, são negativas? Bolonha foi muito dura para o futuro do ensino. Há coisas graves, a começar no léxico, as palavras não são neutras, têm significado, e quando as primeiras palavras que os alunos aprendem, quando chegam ao ensino superior, é “créditos” e “débitos”, impomos uma lógica da economia no ensino. As universidades recebem financiamento consoante os seus resultados, quanto mais alunos com sucesso, mais financiamento recebem, e assim baixa-se o nível para todos passarem. Ninguém vai avaliar a qualidade, só a quantidade. Deixa-se de financiar as pesquisas de base, mas se não fossem essas não seria possível fazer ciência. As grandes revoluções são fruto de pesquisas de base. Por isso, é preciso redireccionar as coisas porque o inútil de hoje pode ser o útil de amanhã. 





Na íntegra, aqui.