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domingo, 25 de novembro de 2018

No bar


Nesta entrevista à Tsf, David Justino é muito claro a apontar o dedo a Miguel Relvas como o homem que está por trás das "conspirações" contra a actual liderança do PSD. Mais: Justino assinala Relvas como aquele que fabrica candidatos que ninguém no país conhece, como Miguel Pinto Luz (na mesma linha, em grande medida, que coloca Carlos Carreiras). E, com indignação, face à existência de tantos proto-candidatos à liderança dos sociais-democratas, atira: "o PSD não está em saldo!". Do ponto de vista estratégico, com Passos Coelho, adverte o vice de Rui Rio, o PSD "desviou-se perigosamente para  a direita" e, se essa aposta "falhou", e se para insistir no mesmo não tinha valido a pena haver eleições e mudança de líder no PSD, deixem "trabalhar" quem está. 
Neste último aspecto, há, sem dúvida, um ponto no qual Justino acerta: os mesmos opinion-makers, uns quantos jornalistas/comentadores, mais próximos de um centro-esquerda, que escreveram que com um PSD "tão à direita", com Passos, os sociais-democratas não iam a lado nenhum (e jamais se reencontrariam com o país), argumentam agora que sem uma clara clivagem com o PS e a esquerda, o PSD não pode ter qualquer ambição (até por haver um eleitorado por representar e que ficaria órfão; a questão é saber se existe esse eleitorado que implica cálculos acerca de quão à direita, ou esquerda, se encontra o eleitorado português e onde existe margem de manobra para o crescimento do PSD; e sabendo-se, como se sabe, que os 700 mil votos perdidos à direita, nas últimas legislativas, encontraram-se entre pensionistas e população mais desfavorecida). Com este modo de argumentar, pode conseguir-se estar sempre na oposição, ou a dizer mal, de qualquer líder, ou linha estratégica seguida no/pelo PSD. Mas em matéria de credibilidade e de ser levado a sério o analista, estamos conversados. E a ideia que fica, ao ler-se constantemente os editoriais dos jornais portugueses, é que há muito jornalismo assim, feito por inércia.
Por outro lado, David Justino foi ministro da Educação de Durão Barroso, líder do PSD sobre o qual começa hoje a haver um certo consenso quanto ao facto de, com ele, o partido ter iniciado a deslocamento à direita (pelo que o "desviou-se perigosamente", dito sobre a liderança anterior, não pode deixar de ser confrontado com tal facto).

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Debates partidários


O segundo dos debates para a liderança do PSD, entre Rui Rio e Santana Lopes foi pior do que o primeiro: Judite de Sousa quis mais do mesmo e, enquanto o despique verbal decorreu na televisão generalista, certamente à cata de audiência, puxou-se, de novo, pelo lado pessoal (contabilizei 25 em 30 minutos, no Jornal da TVI). Se o original não foi bom, imagine-se o prato requentado, com os já esperados ajustes tácticos de ambos os candidatos: de um lado, Santana prescindiu de metade da agressividade do primeiro debate; por outro, sem ir ao extremo de Lopes no primeiro frente a frente, Rio não resistiu à politiquice dos recortes de jornal e de ir também um pouco à canela do seu oponente político. Em direto e ao vivo, falou da falta de credibilidade do seu adversário. No mais, assistiu-se ao que se sabia do domínio da técnica de debate: sempre melhor Santana Lopes a interromper, a provocar, a procurar irritar, a levar a conversa e a fazer o seu ponto político. Deu empate, segundo os comentadores, mas dir-se-ia que mais por controlo de danos de Santana - que considerou mais prejudicial ir à jugular de Rio, como da primeira vez. 
E, todavia, David Justino encontraria, no final do debate, um ponto substantivo de diferenciação, na medida em que Lopes prometeria alcançar os bons resultados orçamentais - e, eventualmente, diminuir a dívida - por conta do crescimento (embora Santana não prometesse "défice zero" e fosse dizendo que não estava obcecado com o tema), enquanto Rio apertaria com a despesa do Estado. Eis a ironia, sublinharia Carlos Carreiras: os que tanto criticaram Passos Coelho por "neoliberal" apoiam agora o candidato que mais segue, então, nessa defesa de corte na despesa, rumo ao "défice zero", um modelo de tipo austeritário (Santana não prometeu cortes na despesa). Judite de Sousa  não foi capaz de perguntar como se alcançava o défice zero, ou "um bocadinho de superávit"com o corte na despesa, isto é, em que despesas cortaria. Dois dias antes destes debate, (bem) entrevistado na sic, por Clara de Sousa, se cortaria "nas prestações sociais, na educação, na saúde?", Rui Rio respondeu: "bem pelo contrário!". Qualquer dia estão de regresso as famosas "gorduras" ao discurso político (na medida em que se diz diminuir a despesa, mas questionado se se mexe nas grandes cifras do Estado, se responde com um "bem pelo contrário"). Se as regras contra-cíclicas mandam fazer o que Rio enunciou na sic - excedente em ciclo positivo, para poder ter défice em ciclo económico nefasto -, a única questão seria se depois de quatro anos muito depressivos para o bolso dos portugueses e com os serviços públicos sob pressão, haveria grandes possibilidades destes cortes (ainda que o princípio me pareça bem). 
Talvez fosse a esta ausência de anúncio de cortes na despesa que José Eduardo Martins - que expressou apoio a Rui Rio; ele que, justamente, fora ao congresso do PSD reivindicar mais social-democracia - se referia quando falou em "programa expansionista" de Santana Lopes (o que muito me surpreendeu; não tinha dado por isso). Santana Lopes falou no "estado abusador", propôs a baixa de irc - vejam o debate sobre a baixa de impostos nos EUA, disse, a este propósito, André Freire no programa como José Eduardo Martins - e não vi em que sentido se poderia qualificar o seu programa como o fez José Eduardo Martins. 
Nos debates sobre o momento, Maria João Avillez deu o seu empurrãozinho a Santana Lopes - hoje, no Observador, percebendo-se como o passismo está mobilizado neste sentido - enquanto Manuela Ferreira Leite sublinhava as credenciais de economista como factor para se votar em Rio (o argumento tecnocrático, como se estivéssemos a escolher o líder da ordem dos economistas, foi mauzinho) e fez equivaler convicções a social-democracia ("o dr.Rui Rio é social-democrata porque é um homem de convicções"). É verdade que não se pode estabelecer de uma vez para todas o que significa ser hoje social-democrata - um ponto em discussão e a estabelecer tanto na teoria como na prática - mas pareceu-me que quer do ponto de vista jornalístico, como do comentariado, como entre políticos a confusão doutrinária e a ligeireza da abordagem foram a nota. 
Diversamente da abordagem de Ferreira Leite, Clara de Sousa ao perguntar a Rio quando foi a última vez que foi ao teatro fez uma espécie de statement - tirando economia e finanças.... - e o embaraço foi como o aumento de impostos de outrora: colossal. A mesma jornalista que foi capaz de detalhar as trapalhadas de Santana e de o colocar em sentido durante toda a entrevista que com ele realizou - o que Rio nunca esteve perto de conseguir. Até por comparação com os seus pares, Clara de Sousa saiu com nota elevada numa campanha eleitoral que existiu durante 15 dias. 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Um "mercado de notas" (sem regulação)


Resultado de imagem para mercado

O ensino será daquelas àreas de actividade em que é mais penoso assistir-se a avaliações (de alunos), uma das específicas e mais responsabilizantes tarefas de um professor (no que contribuirá para a configuração de uma hierarquização e do delineamento de uma estratificação futura, que passa pela sua pena também), marcada e atenta a considerandos outros que não os estritos critérios desenhados e estabelecidos para essa obrigação ética marcante. E, no entanto, considero verdadeiro o diagnóstico do Professor David Justino, este fim de semana, no JN (aqui, alguns sublinhados da entrevista). Evocar-se, em reuniões de avaliação, o perigo de fuga de alunos para um outro estabelecimento de ensino, privado (porventura, as mais das vezes) ou público, como motivo de ponderação de uma dada nota é, de facto, constrangedor e confrangedor. A sociedade de mercado significa que nenhum âmbito, nenhum sector está (ou parece) a salvo do tudo se vende e tudo se compra, todas as relações têm que dar lucro, o que no caso da escola é especialmente degradante. David Justino diz, neste contexto, que "se eu fosse ministro da educação" já teria havido consequências para as escolas que, sistemática e sucessivamente, apresentam desvios (significativos), nas notas de frequência interna para as notas de exame. Que tal se verifique, em conhecidas escolas e colégios, reiteradamente, desde há, pelo menos, 15 anos (desde que os rankings são feitos e/ou conhecidos) e nada se faça perante essa realidade é, de facto, escandaloso. E que um governo, qualquer governo, que se diga defensor da justiça social e não actue, nem faça deste âmbito uma prioridade - quando, como vimos de dizer, ele, precisamente, é uma das determinantes para moldar a hierarquização das sociedades vindouras - é incompreensível. Até porque, não raramente, com colégios, onde tais ocorrências se têm verificado, sujeitos a propinas impossíveis de serem pagas por famílias desfavorecidas ou remediadas, nem sequer a igualdade de oportunidades - já de si a merecer contributos que vão além dela, para lá da meritocracia - se procura garantir. O actual Governo leva, já, dois anos de mandato. E, se apesar de muitas críticas, a meu ver, tem arriscado e ousado em formas de flexibilização curricular, em valorização das ciências sociais que merecem forte saudação, não encontro justificação plausível para o mutismo face a esta grave questão.
Outra coisa que me custa a entender é a necessidade de se mudar a liderança no Conselho Nacional de Educação (pelos vistos, em marcha, segundo se pôde ler, na nossa imprensa, esta semana). David Justino tem um pensamento político, tem ideologia, pode nem sempre ter estado de acordo, nem tinha que estar, com o que o Ministério da Educação tem vindo a fazer nos últimos dois anos (nomeadamente). Mas isso, por si só, não me parecem razões bastantes para justificar o afastamento de alguém que é um grande estudioso da matéria, que em muitas ocasiões tem posições de grande sensatez neste domínio, preparado, sem, propriamente, a visão dogmática de outros doutrinadores. Pessoas como David Justino, ou - para dar um outro exemplo de uma área diferente, a concertação social - Silva Peneda serem afastados (por partidos diferentes) por delito de opinião, ou eventualmente para colocação de alguém mais lá da casa empobrece a qualidade da nossa deliberação pública. 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Exames - debates



Ainda a questão dos exames. David Justino, presidente do Conselho Nacional de Educação, olha para o lado muito marginal como as provas do 4º ano contribuíram para chumbos de alunos e daí retira a conclusão: os exames não fizeram mal a (quase) ninguém. Roberto Carneiro, ex-ministro da Educação ao tempo de Aníbal Cavaco Silva como PM, observando a mesma carga marginal como os exames afectaram a passagem de ano lectivo aos alunos, retira lição exactamente oposta: os exames, nomeadamente em idades precoces, corroboraram o que as escolas haviam dito - sobre os níveis de aprendizagem dos alunos -, logo não se afiguram necessários (reiteram a avaliação das escolas e a sua existência parece desconfiar destas). Roberto Carneiro, no mais recente número do JL (nº1183), é claro quando questionado sobre as mudanças introduzidas pelo novo governo em matéria de exames: "em matéria doutrinal e teórica, estou fundamentalmente de acordo". Diferentemente, os timings das mudanças sugerem-lhe fortes críticas: "Contudo, no que toca à forma apressada e desastrosa como a alteração foi anunciada, e cripticamente legislada, estou em frontal desacordo. Aqui está um exemplo de uma boa medida que é desvalorizada pela maneira precipitada como é implementada".

sábado, 13 de junho de 2015

Feira do livro



Seguindo algumas das conferências da FFMS na Feira do Livro de Lisboa: David Justino, em diálogo com Paulo Chitas, diz que cada aluno que chumba, chumba, em média, 2,3 anos, em Portugal. Os chumbos só serão responsáveis por cerca de 2% dos chumbos (do 4º, 6º e 9º anos). Portugal foi o país que mais evoluiu na quebra do abandono escolar, nos últimos 15 anos. E os resultados nos testes PISA encontram-se praticamente na média da OCDE, algo que em muito poucas outras àreas o país alcança (para David Justino tal deve-se não às políticas públicas, mas devido ao aumento de escolarização dos pais dos alunos que na última década melhoraram, claramente, os resultados nos exames comparativos internacionais). Antes de existirem os actuais exames, o número de chumbos era bem maior, pelo que não terão sido estes a aumentá-los. As escolas, no entanto, estão muito centradas nos exames finais e aí o ano escolar pode tornar-se num sucessivo examinar...até ao exame final. "Não quero formar cordeiros para uma sociedade de lobos", afirmou o ex-ministro da educação, em defesa dos exames, falando numa sociedade na qual as pessoas nos seus empregos são avaliadas constantemente e que têm de ser preparadas para tal embate.