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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

"A crise mais séria da democracia desde 1930"


Mesmo depois da crise - se é que faz algum sentido assim falar -, os tempos são de pessimismo (pelo menos, vistos do Ocidente, pelas suas elites). O historiador e economista Nicolas Baverez, regular colunista de Le Figaro, La Repubblica ou ElPaís veio a Portugal, convidado pela FFMS, e deu uma entrevista à Visão, na qual considera, mesmo, que estamos a viver a maior crise da democracia desde os anos 30 do século XX:

P: Em 2012, publicou Réveillez-vous! (Acordem!). Voltaria, agora, a dizer o mesmo aos europeus?

R: O conselho aplica-se, hoje, não só aos franceses e aos europeus em geral, mas também a todo o mundo ocidental. Estamos confrontados com o fim de quatro grandes ciclos da História - o domínio do mundo pelo Ocidente, desde os Descobrimentos; o da liderança norte-americana; o da ordem internacional saída de 1945; e o da mundialização liberal que terminou com o grande abalo do capitalismo em 2008. Hoje, a democracia atravessa a sua crise mais séria desde os anos de 1930 e, ao contrário do que se disse após a queda da URSS, a liberdade política não é um dado adquirido. É preciso que os cidadãos mantenham a fé nela e na vontade de a defender.

[entrevista de Nicolas Baverez, concedida a Emília Caetano, para a Visão nº1337, de 18 a 24 de Outubro de 2018, p.13]

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

E a Europa?


[Exército europeu?]

Para haver um Exército comum tem de haver uma política de Defesa e uma política de Negócios Estrangeiros comuns. Se perguntarmos aos diversos Estados-membros qual é o inimigo, uns dirão a Rússia, outros os EUA, outros o terrorismo, outros os migrantes. Não há aqui um fio condutor que possa dar uma orientação coerente. Por isso, é uma política muito difícil de implementar. Só perante uma verdadeira ameaça os europeus vão unir-se definitivamente. 


[As extremas direitas europeias e Steve Bannon]

Steve Bannon é um alter-ego de Trump. Está a doutrinar estes partidos e, mais do que isso, a congregá-los numa federação. (...) Nenhum dos líderes europeus, nem sequer Marine Le Pen, tinha proposto isto. Foi preciso vir alguém do outro lado do Atlântico para lhes dar esse cimento, criar uma vaga de fundo. Vamos ter eleições europeias em Maio, e, se estes partidos ficarem em maioria, será a implosão do projecto europeu. (...) Então não podem! [ficar em maioria]. Aliás, bastar-lhe-á ficar com uma minoria de bloqueio. O Parlamento Europeu codecide com o Conselho Europeu. Portanto, todas as propostas de regulamentos e de directivas podem ser bloqueadas a nível de Parlamento.


[Imigração, refugiados, resposta europeia]

A minha posição pessoal é que, se houver uma meia dúzia de países que aceitem, dentro das suas possibilidades, integrar estes migrantes é para aí que estes devem ir. Em contrapartida, não podemos forçar outros Estados a recebê-los, porque isso seria dar gás àqueles movimentos. É uma Europa de solidariedade, mas tem limites. Esta imposição a todos resulta nos Viktor Orban desta vida.


Isabel Meirelles, especialista em Assuntos Europeus e vice-presidente da Comissão Política do PSD, em entrevista a Emília Caetano, publicada na Visão, nº1328, de 16 a 22 de Agosto de 2018. Nesta entrevista, Isabel Meirelles diz, ainda, que o PSD, a partir de Outubro levará a várias capitais de Distrito portuguesas diferentes personalidades portuguesas e internacionais, numa série de debates acerca do que a UE pode fazer pelos portugueses. Elogia Jacques Delors e Jean-Claude Juncker pela amizade a Portugal e a atenção aos fundos dirigidos ao nosso país, com a duplicação das verbas, pela intervenção do primeiro destes políticos mencionados.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

MOBILIDADE

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Não concebo um projeto de futuro sem uma reinvenção de alto a baixo do sistema de educação, em termos não só de funcionários, mas de conteúdos. Um miúdo que entre hoje na escola vai viver até final do século e trabalhar até aos 70 anos. Passará dois terços da vida muito para além daquilo que a escola consegue alcançar. E há um tema que nos vai cair em cima dentro em pouco que é o da mobilidade. O modo como nos vamos deslocar e articular a nossa vida será totalmente diferente. É muito provável que os carros autónomos já cá estejam na década de 30, com implicações vastíssimas. Haverá soluções de transporte quase à medida. Além disso, como serão eléctricos, não pagarão impostos sobre combustíveis. (...) Em Portugal, há 30 mil empresas relacionadas com os combustíveis, que empregam 120 mil pessoas e pagam 14 por cento dos impostos. Toda essa mudança, quer em postos de trabalho quer em receitas, tem de ser pensada já, como estão a fazer vários países. E o mesmo se passa com a ferrovia. Ainda se anda a discutir o TGV de há 20 anos, quando hoje já estão a ser testados quatro ou cinco grandes projectos de novas tecnologias que permitirão, por exemplo, ligar Lisboa ao Porto em 25 minutos, a um custo razoável. Um dos empresários que está a desenvolver estas novas tecnologias é Elon Musk (líder dos carros eléctricos Tesla). O País será totalmente diferente e tem de ser repensado. Isso é que é a reinvenção do território

João Cravinho, entrevistado por Emília Caetano, Visão nº1297, 11-01 a 18-01-2018, pp.16-17.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Médicos

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Em Portugal e no activo haverá uns 45 mil [médicos]. Destes, cerca de 27 mil estão no SNS, incluindo uns 9 mil ainda em formação. Os outros ou estão reformados ou a trabalhar no sector privado em exclusividade, o que já é o caso de 12 mil médicos. (...) No entanto, hoje o SNS está a cair por dificuldades várias, sobretudo a do capital humano. (...) Portugal está na cauda da Europa relativamente à qualidade de vida depois dos 65 anos. (...) [O SNS] vai oferecendo cada vez menos serviços [...] O SNS está a perder características como a equidade de acesso. E os utilizadores do privado são cada vez mais, embora as pessoas com seguro paguem 35 a 40% do seu bolso, um dos valores mais altos da Europa. Dentro do SNS ainda há a ADSE, que cobre mais de um milhão e 200 mil pessoas e é, assim, um sistema que o Governo nunca deixará. (...) Se o Estado lá pusesse 400 mil euros, ainda era lucro. Mais de 50% dos utentes da ADSE recorrem ao privado. Se não fosse assim, o sistema público não teria capacidade. A ADSE funciona como almofada do SNS.

Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, em entrevista a Emília Caetano, Visão nº1257, de 06/4 a 12/04/2017, p.13