Tem sido, em definitivo, uma semana de conferências. Esta noite, no Cais da Vila, em Vila Real, debate entre Francisco Seixas da Costa e António Lobo Xavier sobre o futuro da Europa - e de Portugal nele.
Algumas das ideias deixadas no final da noite desta sexta-feira vilarealense:
Seixas da Costa:
- O nosso aliado principal, na UE, foi sempre a Alemanha. Esta centralidade deve manter-se. Soares deu-se muito bem com Helmut Schmidt; Cavaco tem grande relação com Kohl; Guterres teve excelentes relações com Kohl e Schroeder; Sócrates dava-se na perfeição com Merkel, tal como Passos Coelho. "A Alemanha deve continuar a ser o centro da nossa relação com esta Europa".
- Portugal beneficiou do Plano Marshall (dado muitas vezes esquecido, ignorado, deliberadamente omitido e que Seixas da Costa recuperou no historiar da participação de Portugal em instâncias internacionais);
- "O alargamento [aos países de Leste, na UE] era inevitável e eticamente irrecusável"
- "Para um habitante da Estónia é mais importante a NATO - a NATO é um heterónimo de EUA - do que a UE", dado que muitos habitantes de Leste acham que devem a sua libertação do jugo soviético aos americanos, e não se sentem protegidos pelos europeus em caso de dificuldade nas fronteiras;
- Tudo o que ponha em causa a livre circulação de trabalhadores, como propõe a Grã-Bretanha, deve ser recusado por Portugal (o que teria sido destes quatro anos sem essa válvula de escape)?
- Em 1949, Portugal entra para a NATO e em 1955 entra para a ONU, em resultado de um acordo Este-Oeste. Por outro lado, o nosso país é cooptado para a EFTA, que se forma em 1967. Tal cooptação é curiosa, na medida em que os restantes países são ricos. Com esta sucessiva integração, dar-se-à uma aculturação das elites portuguesas a uma lógica multilateral, em vez da prevalecente até então lógica bilateral.
-Quando entrámos na CE havia poucos países pobres, o que foi, a todos os títulos benéfico para o país. Com esta entrada, assistimos à reconversão de Portugal à normalidade democrática europeia - como, aliás, tinha acontecido à Grécia. Em Portugal, assiste-se, à época, a um choque de culturas e mentalidades, além de um upgrade ao nível da estrutura técnica dos vários ministérios.
- Inicialmente, Portugal era muito soberanista, mas com os tempos soube adaptar-se à partilha da soberania. Durante as primeiras décadas da participação de Portugal no projecto europeu, os Euro-barómetros assinalavam grande entusiasmo pela Europa por parte dos portugueses.
- "Tenho hoje dúvidas quanto ao modo de estarmos no Euro. O que temos que fazer para nos mantermos num projecto desta exigência?"
- A capacidade para os dirigentes políticos actuais planearem uma acção a médio prazo é muito limitada; as pessoas reagem, apenas, a curto-prazo
- Os polacos vivem com pânico: os cidadãos de Almodovar estão dispostos a morrer em Donetsk?
(cont.)