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terça-feira, 11 de setembro de 2018

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Nem de propósito, saiu hoje uma entrevista com o Pontifício Conselho da Cultura sobre o actual momento pelo qual passa a Igreja Católica. Para os que são menos conhecedores, nestes âmbitos, Gianfranco Ravasi é aquilo a que se poderia chamar, por analogia com estruturas temporais, o Ministro da Cultura do Vaticano. Considerado um dos maiores biblistas da Igreja - bastante citado, por exemplo, na tese de Doutoramento de José Tolentino de Mendonça -, um intelectual de primeira linha, de uma erudição invulgar, tem vasta obra publicada (incluindo diversos livros traduzidos para português). Foi nomeado por Bento XVI para o cargo que ainda continua a exercer. Veio a Portugal, em Novembro de 2012, no âmbito do "Átrio dos Gentios", uma iniciativa do pontificado anterior que prossegue neste momento, com vista ao diálogo com não-crentes. Falou em Guimarães, numa sessão que contou com Marcelo Rebelo de Sousa, João Lobo Antunes e moderação de Maria João Avillez.
E o que diz ele, na entrevista dada hoje? Que as críticas ao Papa Francisco não têm "fundamento teológico nenhum" (e são próprias de quem defende uma Igreja "esclerótica e rígida"). E que, consoante o tipo de personalidade de quem se encontra em posição de decisão em âmbito da Igreja, tem acentuações (eclesiais) diferentes. 
Onde o actual Pontificado é mais "pastoral" (porque "a doutrina está muito consolidada"), o anterior colocava a tónica nesta mesma dimensão (doutrinal).
Por acaso, há exactamente 8 dias, tinha, neste blog, escrito este post (procurando explicitar estes, a minha perspectiva/interpretação destes "doutrinal" e "pastoral"):

A entrevista com Gianfranco Ravasi:


P.S.: é curiosa, para não dizer insólita, vinda de católicos, a forma como se utiliza a figura de um Papa para desmerecer outro (sendo que a figura evocada, depende, quando se procede desta maneira, é sempre diversa, consoante o particularismo/o movimento/a tendência de onde se vem). A dicotomia entre Papas, uma vez mais ressalta, mesmo na entrevista. E no caso de muitos que agora vêem tantas virtudes em Bento XVI, é pena que quando era necessária a sua defesa pública, face a tão má imprensa e tão pouco qualificada durante anos (uma série de preconceitos e ideias feitas, incapazes de acompanhar o que estava a ser a realidade desse mesmo Pontificado; e deixei aqui expressa a minha admiração pelo Pontificado de Bento XVI.) tenham estado tão silenciosos

domingo, 14 de maio de 2017

Os pontos nos i's


Excelente análise de José Manuel Vidal à visita do Papa Francisco a Fátima, no ElMundo. Sem dúvida que para um católico português, o curto mais incisivo discurso, evangelizador, a cujas passagens se refere este texto, serão um dos momentos, e um acquis, deste Pontificado.

quinta-feira, 23 de março de 2017

As "últimas conversas", de Bento XVI (II)

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[o Cristianismo na Europa]

Não podemos desistir de anunciar o Evangelho. No mundo greco-romano, a iniciativa de alguns judeus de partirem à conquista, para o cristianismo, do grande mundo greco-romano erudito e inteligente também pareceu uma ideia totalmente absurda. Haverá sempre grandes insucessos. Não sabemos como a Europa irá evoluir, em que medida é que ainda será Europa no caso das histórias de outros povos lhe darem uma nova estrutura. Independentemente de qualquer cálculo de percentagem de sucesso, é absolutamente necessário anunciar essa outra Palavra que tem em si a força para construir o futuro, dar um sentido à vida das pessoas e ensiná-las a viver. Os Apóstolos não podiam fazer nenhum estudo sociológico para saber se resultaria ou não. Tinham de confiar na força interior dessa Palavra. No início, as pessoas que aderiram eram muito poucas e insignificantes, mas depois foram crescendo. É evidente que a Palavra do Evangelho pode desaparecer de alguns continentes. Vemos bem que as primeiras regiões cristãs – a Ásia Menor e o Norte de África – já não são cristãs. Pode também desaparecer de espaços onde a sua presença era forte. Mas nunca pode deixar de ser dita e nunca pode deixar de ser importante.
pp.230/231

É notório que já não somos coincidentes com a cultura moderna. A configuração fundamental cristã já não é determinante. Hoje em dia vivemos numa cultura positivista e agnóstica, que se tem mostrado progressivamente mais intolerante em relação ao cristianismo, o que fará com que a sociedade ocidental – pelo menos na Europa – não seja, assim sem mais, uma sociedade cristã. Os crentes terão de esforçar ainda mais por continuarem a moldar e serem portadores da reflexão sobre os valores e a vida. Importante será uma religiosidade mais decidida por parte de cada uma das comunidades e das igrejas locais. A responsabilidade torna-se maior.
pp.261/262

Diria que sou um Papa do período entre essas duas eras [uma era passada e uma nova era]. Já não pertenço ao mundo antigo, mas o novo também ainda não chegou verdadeiramente.
p.262

[sobre a encíclica Humanae Vitae, de Paulo VI, conhecida como «encíclica contra a pílula»]
A Humane Vitae foi para mim, nas circunstâncias de então e no quadro do pensamento teológico em que me situava um texto difícil (…) nós, eu incluído, não considerávamos o tipo de argumentação satisfatório. Eu procurava uma visão antropológica mais abrangente.
p.186

Peter Seewald: Qual considera ser o seu ponto fraco?
Bento XVI: Talvez a governação resoluta e clara, bem como as decisões que têm de ser tomadas não sejam o meu forte. Neste aspecto sou de facto mais professor, alguém que pondera e reflecte sobre os assuntos espirituais. A direcção prática não é bem a minha qualidade, o que é, diria eu, uma certa fraqueza.
p.266

Cada qual tem o seu carisma. Francisco é um homem da reforma prática. Foi durante muito tempo arcebispo, conhece o ofício, antes tinha sido superior dos Jesuítas e tem designadamente coragem para as questões de carácter organizacional. Eu sabia que não era o meu ponto forte, e também não era necessário porque tinha havido a reforma da Cúria levada a cabo por João Paulo II.
p.222

Talvez eu tenha pensado e escrito demais, é possível. Mas dizer que fiz apenas isso também não corresponderia à verdade.
p.223

Na posição de cardeal da Congregação para a Doutrina da Fé, fica-se a saber de tantas situações, já que ali vão parar todos os escândalos. É preciso ter uma alma forte para poder suportar tudo isso. É sabido que há sujidade na Igreja, mas aquilo que se tem de digerir como chefe da Congregação para a Doutrina da Fé é imenso.
p.229

Contudo, no geral, [o Pontificado] foi um tempo em que muitas pessoas despertaram de novo para a fé e houve uma enorme movimentação positiva.
p.267


Bento XVI, in Bento XVI. Conversas finais com Peter Seewald, D. Quixote, 2017.


domingo, 1 de novembro de 2015

Mansos como as pombas, prudentes como as serpentes


«No entanto, os conservadores não estão sozinhos, explica Nello Scavo, num livro que acaba de ser publicado e tem por título "Os inimigos de Francisco: quem o quer desacreditar, quem o quer calar e quem o quer morto". O título é inusitadamente longo, mas eloquente no que se refere ao que está em jogo por trás e no cerne das alegadas contendas de bispos e cardeais sobre as 'famílias não tradicionais'. Segundo Scavo, os opositores de Francisco ter-se-ão aliado, através de certos cardeais da Cúria, a organizações conservadoras como os Cavaleiros de Colombo - um grupo católico - e, através destes, a alguns centros de análise dos EUA associados ao Partido Republicano, à indústria do armamento e seus dependentes como a Haliburton e o ex-vice-presidente Dick Cheney. Scavo defende que o verdadeiro problema não tem a ver com os casais divorciados ou homossexuais e, sim, com a doutrina económica de Bergoglio. Francisco está sempre a repetir que "esta economia mata" e que "este sistema económico deve ser alterado, porque gera resíduos e efluentes e destrói o planeta»

Rossend Domènech, correspondente do Expresso em Roma, Expresso, 31-10-2015, 2244, p.31, Primeiro Caderno.

sábado, 15 de agosto de 2015

Francisco, pela National Geographic




Relativamente ao trabalho, publicado na National Geographic (Agosto 2015), da responsabilidade de Robert Draper (com fotografias de David Yoder), sobre o Pontificado do Papa Francisco cinco destaques essenciais:

a) Para Ramiro de la Serna, padre de Buenos Aires e amigo do Papa, a Igreja está a ser reconduzida de modo a colocar, de novo, no centro o homem em vez do pecado (que até agora teria ocupado essa posição central);

b) De acordo com o padre jesuíta Thomas J. Reese, do National Catholic Reporter, até ao advento do actual pontificado a Igreja era apreendida como fazendo do combate ao casamento homossexual, ou o controlo da natalidade, as suas grandes causas, enquanto hoje é percebida como tendo à sua frente "o amigo dos pobres";

c) Segundo o antigo professor de Jorge Bergoglio e seu amigo, Scanonne, relativamente à questão da comunhão dos católicos recasados, o Santo Padre "está definitivamente aberto a uma mudança". O pastor pentecostal Saracco deixa perceber, pelas conversas que teve com o Papa, que correndo de feição o próximo Sínodo, a questão do celibato dos padres será colocada em cima da mesa.

d) Na perspectiva de De la Serna, "ainda não assistimos às verdadeiras mudanças", mas "também ainda não assistimos à verdadeira resistência" (dos sectores que as não querem ver implementadas).

e) Francisco é apresentado como sendo tudo menos um homem ingénuo, alguém que é, mesmo, um jogador de xadrez. Quando viajou, da Argentina, para o Conclave, deixou tudo em dia e organizado, sabendo que podia não regressar (embora o desejo de passar os últimos anos na Argentina seja algo revelado pelos seus amigos). Além do mais, o Cardeal Peter Tuckson, do Gana, revela que se sentia, entre os eleitores, um grande desejo de mudança quando Francisco foi eleito, e o seu manifesto, antes da eleição, sobre a situação da Igreja e o caminho que deveria trilhar, foi determinante para hoje Bergoglio ser Papa (ele que fora já votado, significativamente, a quando da eleição de Bento XVI). Desde o início do seu Pontificado que sabe da necessidade de ser reformador e da urgência da celeridade. Tem procedido a diversas mudanças (no IOR, no colégio cardinalício [nomeou 39 cardeais, 24 fora da Europa], criticou severamente a Cúria, criou a Comissão Pontifical para a Protecção de Menores, fez nomeações para a sanação dos problemas das Finanças no Vaticano,  etc.), sente-se um callejero (um vagabundo das ruas), não lida directamente com a informática, gostava, mais vezes, de andar sem segurança e visitar os bairros mais pobres da cidade. A reportagem/análise da National Geographic principia com um episódio ecuménico, ocorrido na Argentina, sob a égide de Bergoglio, que se prostrou de joelhos, face a um sinal de irmandade entre cristãos (evangélicos e católicos) - algo que o jornal conservador do lugar considerou uma traição. E termina com uma frase que Francisco terá dito a Mario Poli, arcebispo de Buenos Aires: "É muito divertido ser Papa".

domingo, 29 de junho de 2014

Francisco, a pobreza e a cultura hodierna




Hoje, também, temos nova entrevista do Papa Francisco, desta vez ao Il Messagero (aqui:http://www.ilmessaggero.it/PRIMOPIANO/VATICANO/papa_francesco_serve_argine_deriva_morale/notizie/770510.shtml)



Lei passa per essere un Papa comunista, pauperista, populista. L'Economist che le ha dedicato una copertina afferma che parla come Lenin. Si ritrova in questi panni?

«Io dico solo che i comunisti ci hanno derubato la bandiera. La bandiera dei poveri è cristiana. La povertà è al centro del Vangelo. I poveri sono al centro del Vangelo. Prendiamo Matteo 25, il protocollo sul quale noi saremo giudicati: ho avuto fame, ho avuto sete, sono stato in carcere, ero malato, ignudo. Oppure guardiamo le Beatitudini, altra bandiera. I comunisti dicono che tutto questo è comunista. Sì, come no, venti secoli dopo. Allora quando parlano si potrebbe dire loro: ma voi siete cristiani» (ride).

Sobre a cultura que vivemos, cita uma curiosa estatística e dela retira a conclusão de que se assiste a "uma degradação cultural" e que é mais fácil o afecto com os animais, "mais programáveis", do que com pessoas/bebés: 

L'altro giorno leggevo una statistica sui criteri di spesa della popolazione a livello mondiale. Dopo alimentazione, vestiti e medicine, tre voci necessarie, seguono la cosmetica e le spese per animali domestici».



Contano più gli animali che i bambini?
«Si tratta di un altro fenomeno di degrado culturale. Questo perché il rapporto affettivo con gli animali è più facile, maggiormente programmabile. Un animale non è libero, mentre avere un figlio è una cosa complessa».



segunda-feira, 12 de maio de 2014

Media, fim-de-semana




*Neste fim-de-semana, o I publicou texto de Paul Krugman e Thomas Picketty sobre a desigualdade. No Expresso, Clara Ferreira Alves escreveu, também, sobre “o capital no séc.XXI”. Depois de Manuel Maria Carrilho (julgo que posteriormente à edição portuguesa de O preço da desigualdade, onde Stiglitz o havia referenciado e tomado como muito importantes os seus estudos) o ter citado, há meses, no DN (e esta semana, de novo), está, definitivamente, na moda, também entre nós.

*Assisto a mais uma edição do Panorama BBC (na SicNotícias). Esta semana dedicado à “revolução do Papa Francisco”. Muitos lugares comuns, os testemunhos, quase todos, esperados, pouca novidade. Skorka garante, de modo peremptório, que Francisco sabe perfeitamente os riscos que corre; há um vaticanista ouvido na reportagem que nos dá conta de um Bergoglio que também tem uma (menos conhecida) dimensão autoritária e que pode ferver em pouca água; há um líder da comunidade homossexual, em Buenos Aires, que sublinhou, no Cardeal Bergoglio, uma compreensão e um reconhecimento dos direitos dos homossexuais, que contrastava um pouco com a sua imagem pública na Argentina (quando tais direitos se discutiram); há uma testemunha dos anos de ditadura militar na Argentina que agradece ao Cardeal estar ainda viva; e há, finalmente, uma experiência negativa de uma vítima de abusos sexuais, num seminário de Buenos Aires, com o modo como a hierarquia da Igreja e seu máximo responsável, na altura, lidou com o assunto. Em suma, os pontos que mais se destacaram no documentário.

*Fico com grande curiosidade de ver o filme “O Novo Testamento de Jesu Christo segundo João”, de Joaquim Pinto e Nuno Leonel, após ler, no Expresso, os considerandos de José Tolentino de Mendonça sobre este: “um dos objectos mais insólitos do cinema contemporâneo”, apresentado no IndieLisboa, que, assim, será lembrado por muitos anos: “a curiosidade pelo enigma de Jesus, por mais que se diga, é inultrapassável”. Este filme, em concreto, é “diverso de tudo o que antes vimos”. O jogo de presença/ausência de imagens, ao longo do filme, “soará como blasfémia ao consumismo sonâmbulo e sem atropelos que o mercado impõe”. Finalmente, “Luis Miguel Cintra tem aqui um dos momentos mais inesquecíveis da sua monumental carreira”. Em suma, os realizadores deste filme, recordam-nos, com ele, que “o cinema dá a ver o milagre”.


*Depois da Visão, a atenção/foco e Daniel Goleman, esta semana a Sábado (mais robusta reportagem no seu tema, do que a Visão havia trazido sobre diversa problemática; se bem que a edição da Sábado era especial, pelos seus 10 anos) com as novidades sobre aquilo de que os bebés são capazes Alison Gopnik. Para continuar a acompanhar neste blog.

*Passou um pouco despercebida a edição do Conselho de Directores, há algumas semanas, na RR, com Marcelo Rebelo de Sousa, mas com interesse quanto ao seu futuro político. Acertada, desta vez, a provocação de Henrique Monteiro quanto ao adversário que Marcelo mais teme para as presidenciais: António Guterres.



quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A fronteira do desumano



O Público, hoje, em Editorial (p.49), sobre a Evangelii Gaudium:

Com este documento, Francisco diz-nos duas coisas. Primeiro, que a Igreja tem o dever de reintroduzir os valores no universo do político, reduzido a anomia contabilística, onde o mais forte esmaga o mais fraco. Segundo, que este Papa tem as características necessárias para desempenhar esse papel. Francisco fala na ‘economia que mata’ por entre o silêncio e o conformismo dos políticos. Atravessada a fronteira do desumano, tudo está posto em causa. O Papa é dos poucos a dizê-lo.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Sobre o inquérito aos católicos


1-Leio no I (pág.23) o questionário enviado pela Santa Sé para que, nas dioceses de todo o mundo, se procurem respostas para algumas das mais candentes questões que se colocam à família, nos nossos dias (tendo em vista o Sínodo dos Bispos, marcado para Outubro de 2014, sobre a família).

2-Talvez ao nível da Igreja particular, o primeiro dos méritos do inquérito passe pela constatação da ignorância por parte de muitos católicos…face à doutrina católica (o que ela diz; quais os seus documentos; para que disposições remete), relativa às problemáticas em causa. Assim, quando se questiona, neste inquérito, o que conhece o crente católico da Gaudium et Spes, da Familiaris Consortio, ou da Humanae Vitae a resposta mais directa que se nos oferece, tanto quanto nos apercebemos da realidade envolvente, é: nada, ou muito pouco.

3-Assim, provavelmente mais ainda do que as formulações finais do último Sínodo para a nova evangelização – conclusões que, uma vez mais, ninguém, ou muito pouca gente (católica) leu – este questionário consiga confrontar cada um com as suas lacunas elementares sobre uma doutrina que (alegadamente) segue, e o exorte, deste modo, a uma outra densidade no conhecimento – e, bem assim, na discussão e, eventualmente, procura de correcção, com os meios, mesmo diminutos, à disposição -, isto é, que os circuitos formativos – seja na moral familiar, sexual, seja, por exemplo, na Doutrina Social da Igreja – se intensifique e que os percursos de tipo catequético ganhem uma nova pertinência.

4-Numa outra camada, menos à superfície, o que tal ignorância – que creio indesmentível – igualmente manifesta é o alheamento, o divórcio, a separação – tantas vezes identificada, mas raramente, porventura, tão vivamente ilustrada – entre vida e fé. Não se conhece, em muitos casos, muito daquilo que se propõe no interior de uma cosmovisão que se diz (con)formadora de uma personalidade, de uma gramática e de uma pragmática.

5-Indo ao detalhe das perguntas, e dado que elas remetem muito para a realidade local daquele que a elas responderá, julgo que a reavaliação – pela positiva – das situações, muito comuns, de coabitação antes do matrimónio; a celebração de matrimónios por baptizados não praticantes, ou por não crentes – outra situação por cá muito habitual – e a promoção de uma mentalidade mais aberta à natalidade (isto, no que para lá vai da questão económica que é, de si, muito premente e constrangedora) julgo que são questões a ter em grande atenção.

6-Como, em parte, a grande recessão de 2008 mostrou uma sociedade a colapsar (e não apenas, nem tal podia suceder, em um âmbito estritamente financeiro-económico) sucede, agora, que há na chamada ‘primeira geração incrédula’ – como chama Armando Matteo à actual geração acima dos 30 anos – quem procure uma recomposição, no que a sua existência tem de dimensão, simultaneamente, pessoal e social que inclua, de novo, a linguagem e toda a dimensão religiosa (como importante elemento estruturante e identitário).
Ao pretender, por exemplo, uma renovada formação cristã/católica para os seus descendentes – melhor, com mais qualidade, com outra força do que aquela que recebeu e que o tornou distante da Igreja – tal geração deve contar com um grande acolhimento/hospitalidade de uma Igreja que, muitas vezes descapitalizada culturalmente, com, crescentemente, menos gente e tendencialmente propensa a fechar-se sobre si, ainda revela, por vezes, hábitos de um tempo de uma Igreja-Cristandade, hoje manifestamente inexistente.
Uma grande responsabilidade e sensibilidade, uma grande capacidade de escuta e preparação cultural se depara, pois, como absoluta urgência, a uma Igreja a quem uma nova geração pode ser confiada.

Que este inquérito pudesse fazer assomar à consciência tais realidades era um óptimo contributo à reconfiguração de um colectivo que, independentemente da filiação mundividencial de cada um, tem uma tradição que a sustentou, firmemente, ao longo de séculos e que, por certo, não negligenciará de modo fútil.


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Os católicos enquanto minoria


'Personalmente penso che essere una minoranza sia addirittura una forza'

Papa Francisco, La Reppublica, 30/09/13.


Alma


ScalfariIo non credo all’anima.
Francisco : «Non ci crede ma ce l’ha».

entrevista ao Papa Francisco, hoje, no La Reppublica.


terça-feira, 23 de julho de 2013

Uma viagem e expectativas altas



No en vano, el viaje a Río está siendo parangonado con la histórica visita en 1979 de Karol Wojtyla, el primer papa polaco de la historia, a la Varsovia comunista. En aquel momento se dijo que Juan Pablo II había sido escogido pontífice para luchar contra un comunismo que impedía las libertades y boicoteaba los derechos fundamentales imponiendo una dictadura atea de izquierdas. En aquel primer viaje a Polonia, Wojtyla gritó contra el comunismo que pretendía “excluir a Cristo de la historia”. Y más tarde sería Mijaíl Gorbachov quien agradecería al papa polaco “su ayuda para hacer caer el muro de Berlín”.

Francisco llega a un continente, el suyo, para gritar no contra los que pretenden excluir a Cristo de la historia. Aquí no hay dictaduras que encarcelan a los cristianos, ni comunismos estalinistas que impiden las libertades fundamentales de los ciudadanos. Lo que existe son las políticas neoliberales o populistas teñidas de socialismo que siguen creando pobres. Lo que puede hacer que este viaje cambie la historia, como lo hizo Wojtyla en Polonia, es que ayude a convertir esta realidad en políticas de inclusión y de igualdad de oportunidades.

Quien lo conoce de cerca afirma que el papa argentino es sencillo en su vida y humilde religiosamente, pero sutil y con ambiciones de cambiar no solo a la Iglesia sino de influir en un cambio de sociedad a escala mundial.

Lo mismo que suele decirse que el hombre religioso no puede dejar de ser un animal político, pero sin entrar en la política de partidos e ideologías, Francisco piensa que el católico —el cristiano en general—, así como el judío o el musulmán o el budista, sin dejar su fe, debe bajar al infierno de las desigualdades y colocarse al lado de los que la sociedad de la opulencia y del consumo deja abandonados a su suerte. Es significativo que él insiste en que cuando encuentra a una persona no le pregunta cuál es su credo, sino “si hace o no algo por los demás”, si se preocupa por el prójimo.


Pablo Ordaz/Juan Arias, ElPais, 23/07/13.