Quando Jesus diz Isto é o meu corpo, evoca o sentido que deu a toda a sua vida e que deve ser o sentido da vida dos discípulos, de cada cristão: gastar suas energias para que todos tenham vida e vida em abundância. Nós, ao comungarmos, recebemos essa missão. Cada um tem de se examinar sobre o que pode fazer pelo bem dos mais marginalizados e marginalizadas.
Quando acrescenta: este cálice é a nova aliança no meu sangue, todas as vezes que o beberdes fazei-o em memória de mim, Jesus não estava a erguer um monumento à sua memória, como se tivesse receio de ser esquecido. A nova Aliança é o compromisso de Deus com as populações mais pobres, que não pode ser adulterado. Ao insistir, em memória de mim, é para não esquecermos a vida perigosa em que Jesus se envolveu: o caminho da fidelidade cristã, ao longo dos séculos, nas situações mais imprevisíveis.
Quem vai às celebrações eucarísticas sem este compromisso está a iludir-se: come e bebe a sua própria condenação. Uma Eucaristia é uma convocatória para alterar o rumo do mundo desumanizado e responsabilizar as Igrejas: como é possível missa após missa, rito após rito, continuar tudo na mesma? (...) A pergunta é outra: desta Eucaristia vai sair gente empenhada em que a ninguém falte o pão, a casa e o trabalho? Quando Jesus diz isto é o meu corpo é também a esse corpo social que se refere. (...)
Há duas boas notícias sobre a Eucaristia. No documento de trabalho para o Sínodo da Amazónia, está aberta a discussão sobre a ordenação de homens casados e a revisão dos ministérios das mulheres na Igreja. Este tabu acabou.
Frei Bento Domingues, Há boas notícias, Público, 23-06-2019, p.7.
