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domingo, 4 de agosto de 2019

E assim vai o mundo


Vejo no GPS, de Fareed Zakaria: de acordo com um novo estudo, publicado no Journal of Science apresenta como solução para o (mitigar do) aquecimento global a plantação de muitos milhares de árvores: um bilião deveria ser suficiente. Como as árvores absorvem dióxido de carbono e o transformam em madeira, com esta medida, ao alcance de todos e de cada um, reduzir-se-iam os níveis de carbono na atmosfera para valores não alcançados há quase um século. Um perito assinala uma outra boa notícia: nos últimos 30 anos, a vegetação verde global aumentou 14%. Com a pretendida plantação massiva de árvores, ganhar-se-ia tempo na imprescindível transição energética.

Uma outra notícia, surpreendente, que escutei no 60 minutes da semana passada: agentes norte-americanos, nomeadamente ligados ao sector do comércio, presentes em países como Cuba ou China, tiveram, em ambos os casos, sintomas de afectação da audição, zumbido e confusão cerebral, náuseas (por vezes, extensíveis a familiares), que os estudos apontam para que através de micro-ondas - imperceptíveis e sem modo de defesa, sendo que podem matar um indivíduos - países rivais procuram manietar, interferir, atacar, prejudicar estes mesmos agentes (e respectivos países).

No mesmo programa televisivo, uma acção judicial, nos EUA, destinada a obrigar o Governo a agir no âmbito da emissão de gases com efeito estufa, sendo que a investigação das juristas à frente do caso invocam a Constituição, na medida em que o direito à saúde afectado por essas alterações implicariam um direito a um bom ambiente - com muitos casos concretos de crianças, nomeadamente, com graves problemas de saúde causados por aquelas alterações. O caso passou num primeiro crivo, o que era tido por muitos como improvável por ser difícil imputar o caso - das alterações climáticas - ao Governo dos EUA (em exclusivo). Mas estes incorrem em responsabilidades por nada fazerem a propósito, argumenta a causídica que lidera a acção. Na exaustiva pesquisa feita para o caso, a equipa jurídica que o apresenta demonstrou que o Governo dos EUA tinha relatórios de cientistas, desde 1965 (Lyndon Johnson), registando a correlação entre acções humanas e alterações climáticas (aquecimento) e os responsáveis nada fizeram

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Volta ao mundo


No GPS, de Fareed Zakaria: Mesmo com a prosperidade de hoje em dia, os fundos europeus representam 3% da economia da Hungria e quase 4% da LituâniaEntre 2004 e 2014, 2 milhões de polacos foram para o Reino Unido e Alemanha e 2 milhões de romenos foram para Espanha e Itália. Mesmo a restante crise migratória terá que ser relacionada com esta situação prévia e o que exigiu aos sistemas de acolhimento, defende o politólogo norte-americano, autor deste programa da CNN, que conclui: "a Europa está a ruir". 
Nesta edição, a tecnologia 5G, com a transferência de dados a ser 100 vezes mais rápida do que hoje e com os telemóveis a ganharem uma absoluta centralidade (mesmo para vermos vídeos). Uma das questões que, por exemplo, se coloca aos jornais passa mesmo por aqui: como chegarem a um público que já arrumou os portáteis que se viam a rodos nos cafés há meia dúzia de anos e se fixou nos telemóveis (como ler devidamente um jornal no telemóvel?). 
Os alunos norte-americanos do 7º, 8º ou 9º anos lêem (na escola) "Por favor não matem a cotovia", de Harper Lee (escritora que faleceu há 3 anos). É a primeira vez que lidam, a este nível (leituras escolares) com o tema da injustiça e racismo. Pela primeira vez, um herói usa óculos. 
Aaron Sorkin contrapõe à ideia de que o Presidente Trump alcançou a Casa Branca por falar a linguagem das "pessoas normais", a perspectiva de que isso é um insulto a essas mesmas pessoas que, definitivamente, não falam daquele jeito. De qualquer forma, não caberia ao Presidente verificar qual a pior característica que teria em comum com os demais cidadãos para a potenciar. "Cabe ao Presidente tentar tornar-nos melhores". Já vários Presidentes o conseguiram; Trump, ao invés, parece conseguir convocar o que de pior há em cada ser humano. Sorkin não crê que se trate de uma estratégia, de uma filosofia: apenas o actual Presidente norte-americano não é capaz de melhor. A questão é que o apelo emocional, o apelo ao instinto, mais do que a razão, é mais eficaz - nota Zakaria, recorrendo aos dados de diferentes estudos. 
Os democratas têm que ser capazes de trazer ao debate outras coisas que não a discussão das casas de banho para transgénero. 
Em Haia, o TPI, chegou, na semana passada, à conclusão de que a Procuradora não apresentara provas bastantes quanto a crimes que Laurent Gbagbo terá praticado contra a humanidade quando este ex-Presidente da Costa do Marfim, em 2010, não aceitou o resultado eleitoral, e, nessa sequência, morreram 3 mil pessoas. Foi agora interposto recurso e, nessa medida, o político que pretende regressar ao activo, mantém-se preso.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Uma nova «terceira via» (?)


Nem de direita, nem de esquerda? «De direita e de esquerda» - foi o mantra ideológico de Macron durante a campanha que o levou ao Eliseu, postulado cuja decifração (em aberto) se prolonga até à data. Agora, entrevistado por Fareed Zakaria (GPS, CNN), foi confrontado sobre se a sua política não estava a reeditar a «terceira via» de Blair e Clinton («novo centro»), entendida esta como uma combinação de crença nos mercados, reforço destes, maior autonomia para estes com justiça social. A resposta de Macron foi a seguinte:  
a minha aposta passa por três pilares, a saber: a) reforma fiscal e das leis do trabalho - já levadas a cabo (mas que só darão resultado no prazo de 18 a 24 meses, segundo afiançou, confrontado com os números actuais de crescimento económico); b) aposta na inovação e qualificação das pessoas; c) soberania.
Se as reformas já levadas a cabo implicaram uma diminuição de impostos para as empresas e houve flexibilização laboral, e se algumas medidas de combate à pobreza também foram lançadas, a divergência face à «terceira via», na leitura do próprio Macron, prende-se, sobretudo, com o factor soberania e, nesta, o entendimento de que a história, as tradições francesas são importantes, ser francês não é o mesmo que ser japonês ou norte-americano, ou, sequer, alemão, o presidente francês não acredita no "ultraliberalismo" nem num globalismo que posso homogeneizar tudo, e de tudo fazer tábua-rasa, e por isso aposta no reforço do ensino da literatura e da história na Escola (os franceses devem conhecer detalhadamente a sua história e ter orgulho nas suas raízes, disse). No fundo, uma «terceira via» com uma pitada de identidade, esta última muito dentro do espírito do tempo. 

Para ver na íntegra, a entrevista, aqui.

P.S.: Serge Halimi, recentemente, no Monde Diplomatique, questionava o binómio cosmopolitas-nacionalistas como sendo a grande dicotomia ideológica do nosso tempo, dizendo que, em assim se colocando Macron e Trump em campos opostos não se dá conta do que têm em comum, em especial, as suas reformas fiscais e quem delas mais beneficia. Visto pelo prisma ideológico de esquerda, o Presidente Macron, vindo da banca, beneficiaria os grupos económicos mais favorecidos à partida, contribuindo, ainda, porventura, para cimentar a discrepância da tributação do capital face ao trabalho; visto pelo prisma ideológico de direita, os cortes fiscais garantirão um tal incremento de investimento e criação de emprego, gerando crescimento, que mais do que justifica a perda de receita para o Estado e o alavancar dos ditos grupos económicos.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

O mundo e a política


Fiquei a saber pelo GPS (CNN) que, em Singapura, os governantes recebem, anualmente, bónus de 30 a 40% ao seu rendimento (salarial), em função de objectivos de longo prazo, como sejam os que contendem com o PIB, a esperança média de vida, ou o estado das infra-estruturas do país. Singapura tem o chefe de estado mais bem pago do mundo, auferindo este cerca de 1,4 milhões de dólares/ano. Este país asiático tem, ainda, melhor classificação a nível de corrupção.
No referido programa televisivo, uma economista que quis fazer benchmarking e propor, em livro, algumas das que entendeu como melhores práticas internacionais ao nível do sistema política, referiu ainda o caso do mandato único, de 6 anos, para a Presidência mexicana. A possibilidade de um sistema em que fossem dados maior número de votos a pessoas que demonstrassem maior proficiência, conhecimento, interesse e participação política foi outra das ideias aventadas, esta última na linha de um desafiador livro de Jason Brennan (ver, entre outros posts sobre o livro e o autor, aqui). Por cá, ontem, no Público, um politólogo mostrava como a geração jovem (15-24 anos), de acordo com um último livro de Marina Costa Lobo (e respectivos inquéritos comparados), em 2017, mostrava um interesse e conhecimento pela política bastante inferior à da sua congénere de 2007 (que, se bem me recordo, já por si não era especialmente politizada). Nada, em imensos casos, fura a barreira de desinteresse, a ausência de contacto mínimo com notícias acerca da política, nesta geração. O autor sublinhava o escasso número de alunos no Secundário a frequentar Ciência Política; a escassa oferta da escola, neste âmbito; a presença na disciplina de alunos que, apesar de tudo, ainda seriam estimulados em casa para atenderem a tais matérias; a pouquíssima presença de conteúdos desta ordem em diferentes disciplinas, e sua desvalorização; a dimensão um tanto etérea, pouco concretizada, ainda, da disciplina em âmbito de Cidadania (nalgumas escolas espalhada por várias disciplinas).

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Experiências radicais


No GPS que passou na RTP a 8 de Julho vale a pena seguir nos últimos 15 minutos (sensivelmente) a colunista, de décadas, do Finantial Times, a abdicar do seu conforto de guru de CEO e outros executivos, de aceder à grande mesa dos senhores dos negócios, e decidir dar aulas de Matemática a adolescentes, em nova profissão/desafio: muito interessante quer a exposição da dificuldade que há em dar aulas - convocar e controlar todas as atenções e desatenções  motivar, conseguir lidar com as diversas singularidades presentes numa sala de aula e o diferente modo como reagem a estímulos diferentes; dificuldades, especialmente relevantes, em quem experienciou o top de uma dada profissão, seguida por gente especialmente poderosa, o jornalismo económico de referência (mundial)  -, quer o modelo britânico, sem reuniões (ainda que muito directivo e pouco democrático), centrado no "dar aulas" e a comparação com a asfixia monumental e o número de reuniões para o Guiness - com records sucessivos - que se verifica em Portugal. 

domingo, 23 de outubro de 2016

Praça Global


No GPS desta semana debateu-se a questão do Rendimento Básico Incondicional (com a presença, em estúdio, de um co-fundador do Facebook, favorável ao dito RBI, e um colunista, da área da economia, do New York Times, com claras reservas à introdução de tal aparato político). Um dos dados que mais atenção me chamou, na argumentação esgrimida pelo defensor da introdução de uma medida deste género, foi o facto de que 50% dos americanos não disporem de 400 euros se surgir uma necessidade de despesa extraordinária (saúde, necessidades relativas a habitação, problemas com eventual automóvel pessoal...). Na sua perspectiva, ademais, a questão do RBI não se coloca para futuro - nas imagens do programa da CNN passa a entrevista da Wired a Barack Obama, na qual o presidente cessante afirma que essa será uma discussão a ter ao longo dos próximos 10 anos -, mas presente, justamente porque o presente é o de empregos precários, a tempo parcial, sub-emprego, desemprego. Remunerações escassas e irregulares. Do lado oposto da barricada da discussão, faz-se notar que 1,4% da riqueza produzida nos EUA seria consagrada ao RBI caso este se cifrasse em 1000 dólares ano, o que significaria o triplo gasto em senhas hoje entregues aos mais necessitados (e sobre as quais existe "uma grande pressão política"). E que a 10 000 dólares anos por cada RBI, então seria 16% do PIB a serem gastos em tais medidas. O que transformaria os EUA na Noruega (ao nível de impostos; e "nunca fomos assim tão generosos com impostos e despesas"). E, se há intervencionismo estatal, onde gastar as senhas, e que fazer para as obter (a contra-prestação do trabalho, ou disponibilidade para trabalhar), contrariando-se, assim, a dimensão libertária da medida - e, em realidade, poucas medidas haverá que, de forma tão nítida, mesclam, simultaneamente, elementos queridos, e detestados, de diferentes àreas ideológicas -, esta terá promovida não apenas o trabalho, mas o trabalhador que se livrou de ficar entregue, em exclusivamente, ao assistencialismo da medida e nesse sentido passou a possuir instrumentos de emancipação (de resto, assinala-se, aqui, de novo, o principal argumento esgrimido por Martim Avillez Figueiredo no livro que dedicou ao assunto, via tese de mestrado, e de que aqui, no jas-mim, nos ocupámos em 2013). Na discussão ora gerada no GPS, concordaram as partes em como adivinhar o futuro será tarefa ingrata - e as discussões sobre o fim do emprego não são novas. Mas Fareed Zakaria lembrou que a principal ocupação (profissional) do homem norte-americano passa mesmo pela condução (camiões, transportes públicos, etc.). E que há mesmo séria ameaça a estes trabalhadores no carro autónomo da google.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Mundo


Na mais recente edição de GPS, de Fareed Zakaria, o comentário inicial do autor do programa (que assina coluna semanal no Washington Post) exemplifica como a partir de uma perspectiva de direita o Partido Republicano poderia oferecer alternativa: em vez da eliminação do Obamacare (que anunciam), a possibilidade de envolverem, antes, mecanismos de mercado, concorrenciais, neste domínio, para facilitar a vida às classes média e baixa. Capazes de verificarem uma maior transparência nos preços. Na Rússia, Trump é popular, porque Obama é impopular: quem ataca este último tem os favores do público russo. A América é, de novo, naquele país o inimigo geopolítico nº1, o grande SatanásFarage foi à Convenção Republicana e assinalou que por uma vez a esquerda estava certa na atenção às palhaçadas do trumpismo. De Israel, o olhar de quem percepcionou na frase de Donald Trump que incentivou os defensores da posse de armas a agir relativamente a Hillary Clinton o mesmo ambiente que precedeu a morte de Isaac Rabin. Hoje, pela Europa, algum receio de que os EUA estejam a recuar no seu compromisso para com o mundo. Pela Turquia, a ideia de alguns analistas de que Erdogan acabe convocando, brevemente, eleições para concentrar mais poderes na Presidência, sendo que nenhuma forma de sharia foi prescrita, estando, mais, em causa, o poder do que a religião. E um poder sob uma forma em especial: o putinismo (uma dada forma de autocracia). Mas o mais interessante, provavelmente, desta emissão do programa da CNN, a referência a um livro de J.D.Vance, Hillbilly Elegy, que procura explicar a mentalidade do operário branco, nos EUA, face aos dias de hoje e, bem assim, a popularidade que Trump (ainda) tem apesar de todos os disparates e frases tresloucadas: Vance é licenciado em Direito por Yale, nascido no Ohio, lá onde as pessoas sentem que ficaram para trás na moderna economia norte-americana, no moderno modo de vida norte-americano. Muitos empregos deslocalizados, ou encerrados, pura e simplesmente. Trabalhos nas minas de carvão mais difíceis de encontrar. E uma crise cultural pelo meio (não só a economia, portanto), com o aumento do consumo de opioides, taxas de desagregação familiar a aumentarem, pessoas deslaçadas entre si (sem pertença/anomia social). Vance fala de uma tradição familiar de pobreza com 100, ou 200 anos que agora dava ideia de regressar. Portanto, podia ser um símbolo da classe operária branca anglo-saxónica protestante que tinha trabalhado na economia esclavagista do Sul, em fábricas de aço, em minas de carvão. Trabalhos estáveis, mas não muito recompensadores em termos de mobilidade social. Quase todos vindos da tradição escocesa e irlandesa. Esta é uma classe homogénea (em termos culturais), na diversa geografia norte-americana. Os mesmos trabalhos, a mesma visão ambígua, ou mesmo confrontacional, dos mais ricos e elites. Suspeitam das pessoas das elites cosmopolitas das cidades, com muita instrução. Assim, ao ouvirem pessoas como Clinton, ou Obama, pessoas educadas, que usam um vocabulário mais sofisticado, com números, provas, evidências é menos atractivo que o discurso visceral de Trump. As pessoas falam de política, à mesa de jantar ou na Igreja, de modo muito diverso do que fazem os seus líderes políticos. Desta sorte, o desafio a estes é que, sem perderem a capacidade de um discurso bastante articulado e fundamentado, não deixem de se envolver emocionalmente naquilo que articulam. E aqui aparecem pechas nos actuais políticos: por um lado, muito filtrados (tom artificial), por outro, mesmo desligados, desconectados, sem empatia com o eleitorado para o qual estão a falar. Existe uma (actual) grande segregação residencial por classe, nos EUA. Políticos que não conhecem pessoas com grandes dificuldades neste início de séc.XXI (como estarão aptas a captar e compreender essas mesmas dificuldades?). E estas comunidades de tradição escocesa e irlandesa têm, ainda, uma tradição de violência, como que de justiça do vigilante, de quem não vai à polícia e resolve as coisas pelas próprias mãos. O livro de Vance visa, em suma, compreender uma comunidade e mostrar o que o governo pode fazer, mas, igualmente, o que está nas disponibilidade da própria comunidade alterar.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Eles andam aí


Dez anos depois, onde andam eles, que passaram a fazer parte de um imaginário colectivo de quem se interessa pelas questões da cidade (global)? Personalidades que se projectam como personagens-falcão. Segui o rastro de um recente GPS (CNN) de Fareed Zakaria e descobri que Paul Wolfowitz, secretário-adjunto de Defesa da primeira Administração George W.Bush é, hoje, conselheiro de Jeb Bush. Está velho.