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terça-feira, 30 de maio de 2017

Migrações e sustentabilidade demográfica (projecções para o caso português)



Demografia

Sem migrações, sem entrada e saída de pessoas, os cálculos da equipa que trabalhou no estudo agora apresentado pela FFMS apontam para que Portugal passe de 10 milhões e 400 mil pessoas em 2015 para 7 milhões e 800 mil pessoas em 2060.

Com mais de 65 anos, nesta mesma projecção, a percentagem da população portuguesa passaria de 20%, em 2015, para 40%, em 2060.

Para que a população portuguesa não diminuísse, necessário seria que o saldo migratório anual fosse positivo em 47 mil migrantes (partindo do pressuposto de que os índices de fecundidade serão idênticos entre os migrantes que saem e aqueles que entram no país, e que a composição etária destes migrantes é idêntica à de anos anteriores, para os quais possuímos os dados dos Censos).

Para manter a mesma população em idade ativa (face à que hoje existe, no nosso país) o saldo migratório teria de ser positivo em 75 mil pessoas.

Quanto às migrações necessárias para parar a progressão do envelhecimento populacional, elas implicariam a chegada de um contingente populacional a Portugal muito mais significativo: 590 mil pessoas por ano.

Emprego

Em diferentes cenários prospectivos para o emprego, e mau grado a automação, a previsão deste estudo é que nas médias e altas qualificações o emprego aumente; diminua, “apenas”, entre as “baixas qualificações”.

Mesmo no cenário de mais baixo crescimento económico sempre seria necessário um saldo migratório positivo para atender à mão-de-obra necessária para a economia portuguesa.

Nas qualificações baixas, os trabalhadores, sem migrantes, serão escassos para as necessidades (em qualquer cenário, optimista ou pessimista) projetado. Já nas qualificações médias, num cenário de fraco crescimento económico, poderiam não ser necessários trabalhadores advindos de migrações. Mas só neste pior cenário. Nas altas qualificações, em qualquer cenário, as migrações são essenciais. 

De um ponto de vista global, para assegurar as necessidades de população activa, Portugal precisaria de um saldo positivo anual na ordem das 90/100 mil pessoas – nos melhores cenários da economia -, enquanto nos cenários menos exigentes, 40 mil/ano.

Segurança Social

Num cenário de baixo crescimento económico, mas com migrações de substituição, o desequilíbrio financeiro vai sendo corrigida ao longo dos anos.

As migrações de substituição, em qualquer cenário, têm um impacto positivo, sendo que vai sendo maior ao longo do tempo.

A existência de saldos migratórios positivos é condição necessária, ainda que não suficiente, para a sustentabilidade (demográfica e económica) do país.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Emigração (VII)


Na medida em que os dados oficiais da emigração portuguesa, desde o ano 2000, são incompletos e contraditórios, importa lançar um olhar atento ao muito oportuno e interessante estudo de caso, Inquérito aos Portugueses no Estrangeiro - Projecto REMIGR, agora publicado pela Gradiva, organizado por João Peixoto et. al., na obra Regresso ao futuro. A nova emigração e a sociedade portuguesa. Com a realização de 6080 inquéritos (válidos), dos quais 1658 em papel e 4428 online, este estudo oferece-nos, pois, uma amostra muito significativa da emigração portuguesa, concentrada em países como Reino Unido, França, Brasil, Angola e Moçambique (embora os dados não se restrinjam a estes países e incluam mais de 100 respostas de emigrantes portugueses na Alemanha, Luxemburgo, Irlanda, EUA, Holanda, Espanha, Noruega, Suiça).

Neste estudo de caso, observa-se uma proporção ligeiramente superior de mulheres nos países europeus, com sobre-representação masculina fora da Europa.