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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Do conhecimento de Portugal


Portugal conhece-se mal hoje?

Conhecia-se melhor talvez há 50, 60 anos, nos tempos obscuros do fascismo, da ditadura, em que havia um conjunto de atravessamentos do país por muitos intelectuais, não apenas das ciências sociais, como do teatro, do cinema e de outras linguagens. E que o interrogaram de uma forma mais densa do que hoje o conhecemos. Sabemos apenas de uma forma esquemática da existência desse desequilíbrio, porque o Instituto Nacional de Estatística nos dá esses dados concelho a concelho. Mas falta um conhecimento mais íntimo e que não são as questões de reconhecimento como património imaterial que resolvem. Essas são apenas um pequeno manto diáfano de fantasia sobre a nudez que lá vai...

Joaquim Pais de Brito, entrevistado por Maria Leonor NunesJL nº1230, ano XXXVII, pp.23-26.

O poder encantatório da voz

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A oralidade implica a proximidade física das pessoas, a sua descoberta. E tem um lado encantatório, desde logo porque tem a ver com a voz. E a voz é em si mesma outra categoria perturbadora e fascinante. Podemos, por exemplo, fazer uma reflexão sobre a História dos regimes autoritários e das democracias, se fizermos uma análise da voz, da forma como foi amplificada ou como foi usada e associada a determinadas expressões faciais, a certos gestos, por ditadores ou homens que querem seduzir a sua população ou por populistas. Não é por acaso que a questão da voz está sempre a saltar nas páginas do livro e não só quando falo do som. Mas no universo onde cresci, também salientaria outra questão: a curiosidade.

Joaquim Pais de Brito, entrevistado por Maria Leonor Nunes, JL nº1230, ano XXXVII, pp.23-26.