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terça-feira, 25 de setembro de 2018

Tecnologia, cultura


A palavra tecnologia foi criada em 1722 por Johann Beckmann, mas o vocábulo raramente foi utilizado antes do século XX (p.2-3). Esta, a tecnologia, gerando/forjando constante novidade e inovação,  tornou estes dois tópicos verdadeiras "constantes civilizacionais" (a tecnologia como que fazendo cultura, gerando externalidades culturais, modos de vida, que, portanto, externaliza; sendo-lhe intrínsecos a permanente novidade e inovação, e estando a tecnologia a permear, fortemente, o tecido social, conseguindo, ademais, reproduzir-se autonomamente, não se oferece, aqui, pois, como neutra em termos de valores sociais que promove). A ideia de progresso - que fez tanto caminho, entre nós, até há bem pouco tempo - pode ainda interpretar-se à laia dos desenvolvimentos advindos do mundo tecnológico. Em realidade, os computadores aprendem com a experiência (p.6). A evolução (das espécies) é, ela mesma, comparada por Arlindo Oliveira a um algoritmo. Para o Presidente do Instituto Superior Técnico, percebemos, hoje, tão bem o funcionamento de um cérebro que podemos reproduzir o seu funcionamento em mentes digitais. Thomas Hobbes, no séc.XVII, havia, de resto, argumentado que o cérebro mais não é do que um computador (p.16)
Segundo o especialista, a primeira tecnologia importante forjada pelo humano foi o uso, controlado, do fogo (pp.9-10), descoberta, de resto, anterior, inclusive, ao Homo Sapiens. Contudo, a "descontinuidade" mais conhecida no desenvolvimento tecnológico dá-se com a Revolução Industrial do século XVIII. 
Diferentemente de outros autores que dão como adquirida a existência de uma 4ª Revolução Industrial, subsumida na internet das coisas, na fusão homem-máquina, Arlindo Oliveira escreve que a existência de um novo estádio, completamente separado do anterior, neste contexto, é algo que carece ainda apurar.
Postulando que as tecnologias da informação e conhecimento são as mais importantes (p.13), regista que os primeiros sistemas de escrita foram desenvolvidos para registo das quantidades de mercadorias produzidas ou devidas (p.14). E assegura que o transístor, muito provavelmente, foi a tecnologia mais revolucionária alguma vez produzida pela humanidade (p.22).
A Física foi a força motriz por detrás dos grandes progressos tecnológicos do séc.XX (p.28). O transístor, insiste-se, a par da bomba atómica, introduziram grandes alterações na vida e na cultura, aquelas mesmas mudanças através das quais nos demos na conta de avanços nos domínio das matemáticas, digamos assim, que de outra sorte ficariam confinadas a uma corte de estudiosos.
As mudanças tecnológicas serão cada vez maiores e mais rápidas (o seu lado exponencial), com maior dificuldade em nos adaptarmos a estas, transformações na tecnologia em cada vez menor tempo, demandando uma impressionante capacidade de actualização.

[a partir de Arlindo Oliveira, Mentes Digitais. A ciência redefinindo a humanidade, IST Press, Técnico, Lisboa, 2017, tradução do original em inglês por Jorge Pereirinha Pires