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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Atual


No seu mais recente livro, A natureza humana (Gradiva, 2017), o filósofo Roger Scruton escreve (p.27): "Não nego que sejamos animais; também não discordo da doutrina teológica que afirma que as nossas funções biológicas fazem parte integrante da nossa natureza enquanto pessoas humanas e também são objecto de escolhas morais fundamentais". Neste passo, remete para a seguinte nota de rodapé do fim de página: "esta perspectiva foi defendida de forma eloquente pelo papa João Paulo II na encíclica Veritatis Splendor, 6 de Agosto de 1993, secções 47 e segs.".
Serve esta brevíssima anotação para mostrar como - tal como registáramos, no último livro de Luc Ferry, 7 lições para ser feliz, também publicado este ano, e no qual o filósofo mostrara ter um conhecimento claro da encíclica Deus Caritas Est, de Bento XVI - relevantes pensadores, destes nossos dias de finais da segunda década do século XXI, mesmo partindo de mundividências divergentes entre si, continuam atentos, lendo e estudando, o que a partir do Magistério católico se oferece como reflexão sobre o humano. Neste caso muito particular a que se refere Scruton, à indivisibilidade alma-corpo, à recusa do esquema dualista (antropológico) e, por consequência, pois, do corpo - "Uma doutrina que separe o acto moral das dimensões corpóreas do seu exercício, é contrária aos ensinamentos da Sagrada Escritura e da Tradição: essa doutrina faz reviver, sob novas formas, alguns velhos erros sempre combatidos pela Igreja, porquanto reduzem a pessoa humana a uma liberdade «espiritual», puramente formal" [nº49, Veritatis Splendor] como lugar de escolhas morais, pois que a «alma (...) se exprime no corpo e [o] corpo [é] informado por um espírito imortal» [nº50, da Veritatis Splendor]. 
Se de outras àreas do saber, muitas vezes sem qualquer ponderação, se coloca fora uma tradição, uma mundividência absolutamente marcante e decisiva a Ocidente, com a alegação de religiosa - como se isso significasse capitis deminutio na cidade -, partindo de compreensões obsoletas dos principais significados que uma comunidade atribui ao que acredita, há quem não se deixe  impressionar com preconceitos que nada devem a uma busca de um olhar sempre ampliado sobre as coisas e o mundo. E, neste sentido, também para o interior dessas comunidades se pode aqui falar, de modo analógico, com o que Ratzinger dizia, quando dizia que não deviam ser os crentes a viver etsi Deus non daretur, mas os descrentes a viver etsi Deus daretur. Nada raramente, há mais interesse, pelos textos provindos desta mesma Tradição, fora da mesma, do que eles são lidos e conhecidos no seu interior (pelos que enformam esse interior).

sábado, 16 de setembro de 2017

O problema do livre-arbítrio, segundo Luc Ferry


Resultado de imagem para Sete lições sobre a felicidade+Luc Ferry


Reforça-se: para o filósofo Luc Ferry, a felicidade tem um carácter antinómico, isto é, o que nos faz felizes é também responsável pelos momentos de infelicidade. Reparemos na liberdade: como poderíamos ser felizes na servidão? Mas, sendo a liberdade a opção de escolha entre diferentes hipóteses, muitas vezes verdadeira e terrivelmente dilemáticas, estar perante essa decisão é, em si mesmo, causa de infelicidade. Neste âmbito, Ferry começa por colocar o binómio felicidade/liberdade como pólos alternativos: prefiro ser feliz, mesmo que à custa da liberdade (não é que esta última não seja relevante, mas na ordem dos valores, podemos, eventualmente, concebê-la num plano secundário), ou prefiro ser livre, ainda que à custa da felicidade? Entre os autores que se situariam na primeira das opções, de acordo com este pensador, estariam, de modo mais ou menos controverso segundo interpretações diversas - e penso em especial nos campos em que Ferry coloca Hans Jonas ou Rousseau - Hobbes, Marx, a ecologia política - é citado Hans Jonas); entre os que se filiariam na segunda das opções, estariam Rousseau, Kant, Tocqueville.
Em nome da felicidade (Hobbes), da sabedoria (Espinosa) ou da serenidade (Nietzsche) fomos tendo, inclusive, a pura e simples negação da existência da liberdade (livre-arbítrio). Ferry concede: "a liberdade e a responsabilidade são fardos, factores incontestáveis de perturbação, que nos impedem de andar à roda [dançar]". E isto porquê? "Desde que eu esteja convencido de que o mundo poderia ser diferente do que é, que eu poderia ter agido de forma diferente no passado ou que deveria corrigir o tiro no futuro, então é certo que a perturbação se instala na minha vida. Digamos as coisas francamente: o sentimento da liberdade, a convicção de que existem possíveis, de que o curso do mundo poderia ser outro, pode deixar-nos acordados durante a noite, estragar-nos o sono" (p.147). O facto de a liberdade poder ser perturbadora é motivo suficiente para a considerarmos inexistente? "Será isso uma razão para negar a nossa liberdade? Duvido, e, sem a menor hesitação, se eu tiver de escolher entre a felicidade e a liberdade, opto, seja qual for o custo, pela segunda, sem entrar sequer no debate metafísico sobre o seu carácter ilusório ou não, pois o debate que desde sempre opõe o kantismo e o espinosismo parece-me impossível de decidir, «infalsificável», como dirá Popper. Pelo que estou convencido de que a única categoria filosófica que nos permite pensar de maneira adequada as relações da liberdade e da felicidade é a do trágico no sentido que os gregos tinham dado a este termo. Porque o trágico designa em primeiro lugar os dilaceramentos do mundo engendrados pelas nossas escolhas livres e resolutas, dilaceramentos que, decerto, arruínam a vida de quem os vive, mas são inseparáveis daquela liberdade sem a qual eles já não se considerariam mais como seres humanos dignos desse nome - pelo que o exercício do seu livre-arbítrio soberano tem primazia sobre a preocupação com o seu bem-estar" (pp.147-148)

Luc Ferry, Sete lições para ser feliz, ou os paradoxos da felicidade, Temas e Debates, 2017

O entusiasmo de aprender

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Porquê o entusiasmo com o conhecimento, com o aprender, com esse processo (aparentemente doloroso) de chegar a adquirir conhecimentos?

a) para Platão: porque regressamos - temos o sentimento de regressar - a casa. Adquirimos o conhecimento (verdade) no "céu do mundo inteligível"; esquecemos como o nascimento; aprender é, pois, recordar, anamnese, voltar a saber o que sabíamos; plenitude (em casa).

b) para Kant: quem tudo conhece é Deus, um sábio ideal; no processo de aquisição de conhecimentos, sentimo-nos, pois, a participar dessa experiência de tipo divino, junção da matéria e do espírito, do sensível e do inteligível; entendimento divino. Onde estão as verdades? No "entendimento divino". "Quando faço uma descoberta, quando aprendo algo importante, quando opero um progresso real nos meus conhecimentos, mesmo se for ateu, não posso deixar de ser tomado pelo sentimento de que me aproximo do divino, de que participo de alguma maneira do saber ideal, que seria o de um Deus ou de um sábio perfeito". "O processo de aquisição dos conhecimentos é, no sentido etimológico da palavra, «entusiasmante»: ele faz-nos entrar na esfera do divino (en theos)".

(pp.190-194)

[Então, se é assim, se há entusiasmo em adquirir conhecimentos, porque é que temos a sensação de que hoje novas gerações não estão entusiasmadas em os prosseguir, em chegar até eles, em participar nesse processo, com a sua penosidade, com as horas de estudo, mas a promessa da alegria da descoberta? Segundo Luc Ferry, um conjunto de imposturas pedagógicas, nomeadamente a ideia do conhecimento auto-construído pelas crianças como se fossem uma tábula rasa a criarem (-se) ex nihilo, a deslocação da noção da educação como continuidade na transmissão de uma herança de conhecimentos e competências (p.200), a perda da gramática, da civilidade, das boas maneiras (como se fossem uma imposição de classe), a inovação capitalista associada a uma "desconstrução muito problemática dos valores e das autoridades tradicionais" (p.225) são causas apontadas para muitos dos casos em que se não nota esse querer conhecer, sendo que o ex-ministro da educação francês não defende um regresso ao passado, mas deixa claro que medidas sublinhava da sua passagem como membro do Executivo: luta contra a incivilidade, reforço da autoridade dos professores, etc]

a partir de Luc Ferry7 lições para ser feliz, ou os paradoxos da felicidade, Temas e Debates, 2017

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Filosofias de vida (colectiva)


Luc Ferry, em 7 lições para ser feliz, afiança que, do séc.XVIII em diante e até aos anos 60 do século XX, houve duas éticas laicas a prevalecerem: a) o republicanismo como secularização da parábola dos talentos cristã, assenta na ideia antiaristocrática de que não há mérito nos talentos com que se nasce - não há, aí, sentido moral -, mas no modo como estes são potenciados/plenificados e, portanto, a ideia de igualdade (em dignidade) entre todos e a possibilidade de o homem ser livre, mesmo que através de trabalhos penosos e duros, a sobrelevar sobre a ideia de felicidade (o trabalho não degrada o homem em animal, mas permite-lhe a liberdade e o colocar-se ao serviço da comunidade); b) o utilitarismo como a maximização do bem-estar geral, com diminuição da dor e potenciação do prazer e o humano sempre como alguém interessado na felicidade, que releva sobre tudo o mais (mesmo o suicídio seria uma forma de procurar a felicidade; o doar-se pelo outro, incluindo dar a vida, idem aspas). Finalmente, emergiria uma «ética da autenticidade», na qual o «direito à felicidade», o cada um a ser feliz à sua maneira, sem nenhuma regra a sobrepôr-se, digamos assim em termos latos, a esse desiderato a ser a regra, com a quebra de todas as autoridades tradicionais, incluindo no mundo do trabalho e o hedonismo e individualismo a serem caucionados em todo o Ocidente.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O rico e a agulha


Sempre a aprender:

"É então que o jovem, muito triste, se vai embora a chorar, pois sente-se incapaz de se separar dos seus haveres - enquanto Jesus, virando-se para os seus discípulos, profere a famosa mensagem segundo a qual será tão difícil a um rico entrar no Paraíso como fazer passar um camelo pelo buraco de uma agulha - metáfora que designa, devo dizê-lo, porque às vezes nos enganamos quanto a isso, não uma agulha real, mas uma porta da cidade sob a qual os camelos tinham de se baixar para entrarem".

Luc Ferry, 7 lições para ser feliz, ou os paradoxos da felicidade, Temas e Debates, 2017, p.20 [tradução de Jorge Pereirinha Pires]

Provocações


[Respigado de Luc Ferry, no mote para o seu novo livro]

«Ser estúpido, egoísta e ter saúde
eis as três condições requeridas para ser feliz
Mas se nos falta a primeira, tudo está perdido»

Flaubert, carta a Louise Colet


«Se a Providência tivesse querido
que fôssemos felizes,
não nos teria dado a inteligência»

Kant, Fundamentação da Metafísica dos Costumes

sábado, 2 de setembro de 2017

"A beleza do pensar"



Embora se afirme "não crente", Luc Ferry, se ficasse sozinho numa ilha e pudesse escolher um só livro para ter consigo, elegia o Evangelho de João, "o mais belo" dos livros que já leu. Os valores dos Evangelhos são, muitas vezes, "geniais", "dos quais precisamos", em particular o "amor ao próximo" ("não há vida sem isso"), muito importantes mesmo para "não crentes" ("os valores do Evangelho fala-nos e são extremamente profundos mesmo se somos não crentes") e, de resto, os "direitos humanos", a "democracia" são "cristianismo secularizado" ("a transformação de uma religião numa moral laica"; "não perdemos os princípios cristãos, conservá-mo-los"). Por que é que os símbolos e parábolas cristãs ainda significam e porque atravessaram 2000 anos? Tais factos dão muito que pensar sobre a verdade destas - para além da sua historicidade, em alguns casos, faz notar o entrevistado. O filósofo e ex-ministro da Educação francês, não obstante, é "completamente não-materialista" pois considera a "presença do divino no coração humano". Neste sentido, aliás, se faz a sua ideia de uma ética de auto-contenção (e, portanto, sem remeter para limites outros): a presença do outro deve sempre refrear os meus excessos menos positivos. Aqui se diria que estamos muito próximos de Levinas: o rosto do outro exprime um não matarás (remetendo, esse rosto, na leitura do filósofo judeu, para um Outro com maiúscula). No humano, com efeito, há esse excesso, seja para o mal - "o humano é diabólico" -, seja para o bem - "em iguais doses de generosidade". Assim a distinção para o gato: o gato também faz o mal, mas não tem um "projecto para o mal". É este excesso que confere dignidade ao humano, assinala. O pensador francês entende que a filosofia não é apenas a arte de colocar questões, mas também de lhe responder e só difere da religião a salvação que também busca é procurada sem o sujeito remeter para algo ou Alguém para além de si. Salvação, neste contexto, significará conseguir lidar com o(s) medo(s), (re)conhecer o seu lugar no mundo, aceitá-lo, viver bem com isso.
O homem que também é pai diz que na educação ocidental o fundamental princípio cristão do amor, neste caso para com as crianças, está absolutamente presente, mas o mesmo não se passa com o também importante princípio judaico da norma/lei [justiça]: a incapacidade de se dizer não e traçar limites (tão determinantes para a criança).
E o ensaísta retoma aqui a ideia de que hoje já ninguém morre por uma ideia, a revolução, a pátria, Deus, mas apenas pelo outro humano [Ferry traduz o conceito de "morte de Deus" por "sociedades que se desembaraçaram de motivos para se sacrificarem por causas transcendentes; a questão, contudo, aqui, de Deus só se dar por mediações]. A perda comunitária - já não são os pais, ou o povo que casa alguém - deu uma grande expressão à liberdade individual e temos que reinventar a solidariedade num novo tempo, pois (Lipovetsky diria a propósito que o que se ganhou em liberdade se perdeu em sentido, bússola, direcção e nunca a ansiedade e o stress foram tão grandes).
Por sua vez, Fukuyama tinha razão ao dizer que não há alternativa à democracia: por muito que o radicalismo islâmico tenha vindo para ficar, e ainda vá provocar muitas vítimas, em realidade ele não se oferece como alternativa credível aos regimes demo-liberais, tal como hoje o fascismo, o comunismo ou o nazismo não encontram propriamente grandes seguidores, considera nesta entrevista realizada em 2005.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Livre-arbítrio (XXV)




Na semana em que se realiza um importante conjunto de conferências na Faculdade de Direito de Lisboa, equacionando as questões do livre-arbítrio, responsabilidade (penal), aportes neuro-científicos, alguns tópicos para debate:

Luc Ferry e a história que se abate sobre os humanos.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Dos mitos


A Sabedoria dos Mitos

Luc Ferry, o conhecido filósofo francês, ex-ministro da Educação naquele país, ateu, considera a filosofia "uma doutrina da salvação sem Deus, uma resposta à questão da vida boa que não passa por um 'ser supremo' ". E entende, mais, a mitologia como a pré-história da filosofia; isto é, a literatura e relato míticos (como que matérias primas) para serem conceptualizados depois (pela abordagem filosófica). 
O pensador francês considera essencial contar a mitologia (nomeadamente, grega) às crianças: "assim que comecei a contar aos meus filhos, desde que tinham cinco anos, as grandes narrativas míticas, vi os seus olhos iluminarem-se como nunca.As perguntas saltaram de todo o lado e sobre mil e um aspectos das aventuras que contava. Nunca vira uma tal paixão, nem com a literatura juvenil, nem mesmo com os contos clássicos, no entanto magníficos, dos Grimm, de Andersen ou de Perrault - já para não falar das séries de televisão, que os divertiam, sem dúvida, mas que não os apaixonavam da mesma maneira".
Estas histórias inscreveram-se neles para sempre, regista, e, sobretudo, pensa, quem tem uma vida interior mais rica, de valores culturais, espirituais, morais fica mais livre para resistir e menos interessado em participar do consumismo feroz dos nossos dias - tantas vezes para preencher esse vazio de valores de vária ordem -, mas que nada nos diz do horizonte da vida humana, que nunca deve ser o alfa e o ómega para cada um. Para lá de responder a esta nota muito audível do nosso quotidiano - a do consumismo -, o recuperar da mitologia seria, igualmente, passo na luta contra o desencantamento do mundo. Ou reconhecimento de balizas culturais, bordões de linguagem em que assentamos sem percepcionar a génese.
O que de mais importante haverá a sublinhar, nas palavras que associa à tarefa de retomar esta síntese cultural, situa-se, creio, no estatuto (epistemológico) que o autor confere à mitologia: "a mitologia não é a infância da humanidade: ela não tem nada que invejar, quanto a profundidade e inteligência, à ciência moderna, de que não é, nem de perto nem de longe, a antecipação mesmo aproximativa" (p.35).
O homem que, como já se disse, foi político com importantes responsabilidades em terras gaulesas, deixa, ainda, a propósito do que Jacqueline de Romilly e Jean-Pierre Vernant disseram, ao então ministro da Educação, acerca do abandono das humanidades, esta confissão de impotência (da política/do poder): "Mas sobre este ponto, tal como sobre outros, creio que somos por vezes mais úteis pelos livros do que pela acção política: esta última colide demasiado com constrangimentos inultrapassáveis, obstáculos e entraves de origens tão diversas que os seus efeitos são sempre aleatórios" (p.41)


quarta-feira, 30 de abril de 2014

Ideologia e amizades


Leio a entrevista de Vasco Pulido Valente ao I, no último fim-de-semana. Ficámos a saber que entre os seus amigos há quem “odeie” o que escreve ultimamente; e, em sentido inverso, o historiador “não consegue acompanhar” a deriva de esquerda de alguns companheiros. Percebe-se tensão e mágoa nas palavras. Os amigos a serem quase ex. Por motivos ideológicos.
E penso, então, como a questão está limitada geracionalmente: não encontrei, entre membros da minha geração, quem, alguma vez, se tivesse incompatibilizado com outrem, por motivos politico-ideológicos. (Por razões partidárias, de funcionalismo e aparelhismo, sim, ódios e ranger de dentes). Se cogitada, entre a minha geração, uma eventual zanga, entre amigos, por razões de ordem ideológica, tal ideia ou sugestão (académica?) talvez, mesmo, desse lugar a uma gargalhada, ou um encolher de ombros com que se tratam os doidinhos.
Se Luc Ferry vê nisto uma evolução positiva – já ninguém morre por grandes ideais, ou palavras, IGUALDADE, PÁTRIA, NAÇÃO, etc., mas apenas se dá a vida por quem se ama -, também o abandono, completo, do campo político e das ideias, levou a um desertificação hedonista/indiferentista que, quando os tempos ficaram menos prazenteiros, declinou em sentimento e indignação, mas não propriamente em criatividade para uma resposta (política) à altura, nem com um especial comprometimento com a coisa pública.