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segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

O Pontificado de Bento XVI - para uma síntese (II)


O primeiro sinal para o grande público de que se está a levar a sério o âmbito litúrgico ocorre a 22 de Fevereiro de 2007, quando se publica uma importante Exortação Apostólica do Papa sobre a liturgia, Sacramentum Caritatis (...) O documento, eminentemente teológico, toca também aspectos mais ordinários referidos à celebração litúrgica: o respeito [devido] aos livros litúrgicos, aos gestos e silêncios, às palavras, aos cantos, aos movimentos do corpo e às cores litúrgicas dos paramentos. Toma posição sobre a arquitectura sacra (que deve saber dar unidade aos elementos próprios do presbitério), na música litúrgica (valorizando o canto gregoriano), à estrutura da celebração litúrgica (da homilia bem preparada ao intercâmbio sóbrio da paz, e não só), até à denúncia dos abusos litúrgicos e à proposta de novo do latim, sobretudo em ocasião de reuniões internacionais e na formação litúrgica dos seminaristas. A revalorização do latim durante o Pontificado beneditino recebe diversas reacções, que vão desde o apreço (...) à incompreensão (pp.122-123) (...) Em qualquer caso, entre 2007 e 2010, as principais petições de celebração do rito romano antiquiori referem-se à Europa, América do Norte e Austrália, em segundo lugar a alguns países da América Latina, e muitos poucos de Ásia e África (p.125) (...) A reforma litúrgica também passa pelos gestos. Nas liturgias papais, a partir de 2008, Bento XVI não distribui a comunhão na mão, mas diretamente na boca, a pessoas em cadeiras de roda. Sobretudo esta última postura é característica da visão litúrgica do Pontífice: Deus presente no sacramento e para adorar. O conjunto de estas mudanças litúrgicas visa incluir principalmente os tradicionalistas, unindo-os, sem embargo, também às franjas mais criativas presentes no catolicismo (p.126). 

Roberto Regoli, El Pontificado de Benedicto XVI - Más allá de la crisis de la Iglesia, Encuentro 2018, pp.122-126 [tradução minha]


P.S.: durante o Pontificado de Bento XVI, apenas 2 teólogos vêem os seus escritos condenados: Jon Sobrino e Margaret A.Farley (pp.117-118). Se João Paulo II havia mostrado interesse pela história da santidade da sua própria nação polaca, sob Bento XVI apenas 10 beatos e santos são alemães. Com Ratzinger, continua a internacionalização da santidade (p.151). Pode mencionar-se a valorização teológica da busca de Lutero, sobre a qual Bento XVI ofereceu, na mesma ocasião, um juízo que não tem precedentes entre os Papas. De facto, Ratzinger apresenta Lutero como um buscador apaixonado de Deus, e precisamente de um Deus misericordioso (p.197).