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sábado, 5 de janeiro de 2019

Eça e a política


O Eça interessava-se por política?

Pouco. Considero-o um liberal, uma pessoa de «esquerda», embora não fosse um republicano, de todo. Teve sempre uma atitude a favor dos desprotegidos, dos oprimidos. Mas não assistiu ao progresso, ao salto enorme que o País deu durante o fontismo, na década de 1870-1880, porque vinha cá pouco. Não se apercebeu de que a riqueza estava a aumentar nos campos ou de que as cidades estavam mais civilizadas. E nem sequer se interessou pelos então designados «melhoramentos materiais»: por exemplo, o caminho de ferro ou o telégrafo.

Maria Filomena Mónica, entrevistada por Filipa Melo, para a Ler, nº151, Outono 2018, p.28.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

O valor da enfermagem


Mesmo a propósito deste post que aqui deixei em Julho, o texto desta semana, com recomendação de livro, por parte de Maria Filomena Mónica (Expresso, 18-08-2018, p.33): 

A enfermagem: uma apologia

Nunca pensei recomendar um livro sobre enfermagem mas, como podem verificar, foi isso que me aconteceu. Escrito por uma ex-enfermeira inglesa, Christie Watson, "The Language of Kindness: a Nurse's Story"(Londres, Chatto&Windus, 2018) é uma obra-prima. Não só pelo que conta, mas ainda, ou sobretudo, pela forma como o faz.
Trata-se do relato da experiência da autora, ao longo de 20 anos, como enfermeira no Serviço Nacional de Saúde inglês. Segundo ela, a uma enfermeira exige-se mais do que a um médico, pois ela tem de ser capaz de interpretar a sombra de um olhar, de ouvir frases desconexas e até de explicar aos doentes os prognósticos mais sombrios. O livro move-se entre a sua aprendizagem como enfermeira de saúde mental, como profissional nas Urgências e, finalmente, como especialista nos Cuidados Intensivos. (...)
Nota, por exemplo, um aspecto que me custou a aceitar quando a minha mãe jazia inconsciente: o facto de as pessoas com Alzheimer apreciarem, mais do que as outras, um gesto físico, aquilo a que ela chama "a fome da pele". (...)
Fala-nos, em seguida, de como a sua vida se alterou com a passagem do tempo: "Aquilo que imaginava ser central na enfermagem, quando comecei a exercer a profissão - a química, a biologia, a física, a farmacologia e a anatomia - foi sendo substituído pela minha convicção de que esta profissão exige, acima de tudo, que se penetre na filosofia, na psicologia, na arte, na ética e na política". Talvez que substituição não seja a palavra adequada, mas entendo o que pretende dizer.
Quando assistiu à morte do seu pai, sofrendo de um cancro no pulmão, apercebeu-se, melhor do que antes, que ser enfermeira não era tanto sobre as tarefas que se tem de efectuar, mas sobre pequenos gestos: "É um privilégio olhar as pessoas nos momentos mais frágeis, mais significativos e mais extremos das suas vidas e ter a capacidade de amar completamente um estranho (...) A enfermagem é - ou deve ser - um acto absoluto de cuidado, de compaixão e de empatia". Após o que Christie Watson reconhece, com tristeza, que a enfermagem é uma profissão desprestigiada. Lá como cá.

domingo, 29 de julho de 2018

Separados à nascença


Em Portugal, os millenials vivem em perpétua corrida académica, sem casa própria (só arrendada, e a preços do Dubai para Lisboa ou Porto), sem poupanças e desprovidos de qualquer tipo de estabilidade laboral.

Pedro Marta Santos, Sábado, nº743, 26 de Julho a 1 de Agosto de 2018, p.84


Basta-me comparar a entrada no mercado de trabalho para verificar que tive mais sorte do que as minhas netas.

Maria Filomena Mónica, citada no mesmo número da Sábado, p.22

domingo, 23 de março de 2014

Flash


Em entrevista ao Expresso, Maria Filomena Mónica diz que esta é a primeira vez, desde Afonso Henriques, que há mobilidade (social) descendente, em Portugal.