Pedro Adão e Silva, sobre a não recondução de Joana Marques Vidal (Por outro lado, 25-09-2018, RTP3): os principais dirigentes políticos portugueses aceitaram, no caso vertente, emular-se (nas sondagens) em função de princípios, ou, mais rigorosamente, do princípio (de mandato único para qualquer PGR) em que acreditavam. Não podemos acreditar que as pessoas na política agem por princípios, e teremos que fazer uma leitura táctica de todas as suas acções?, questionou, de modo retórico.
Podemos acreditar, mas, no caso concreto, não era a mesma coisa: por princípio, os principais dirigentes políticos portugueses deviam, mesmo, respeitar a separação de poderes, e outra coisa não fizeram do que, sistemática e enfaticamente, pressionar o poder judicial, no caso Manuel Vicente (se nem um princípio basilar destes se respeita, estamos menos receptivos a entender como oportuno o argumento "princípios" na decisão em causa); se o mandato único era um princípio intransponível deveria ter sido afirmado imediatamente após a questão da recondução da PGR se colocar, e nem se aceitava ponderar (nem, por princípio, se aceitaria fingir que se ponderava); se era um problema de princípio, não se percebe porque não se o quer plasmado na Constituição, qual regra de ouro (talvez com o fito de o princípio ser outro, quando o filme for diverso); se era um princípio, não se compreende como não ficou fixado quando, há duas décadas, os principais partidos portugueses e actores agora em cena puderam fazê-lo, na Lei Fundamental; se era um princípio sem transigências, para quê ouvir os partidos políticos (ou fingir que eram ouvidos estes)?
A generalidade da sociedade portuguesa, estou em crer, não vê com bons olhos o sinal dado, intencionalmente, no plano político, com a não recondução de Joana Marques Vidal. Vir falar na partidarização ou no enviesamento ideológico sobre a mesma - como se personalidades como Laborinho Lúcio, ou Ricardo Sá Fernandes, por exemplo, fossem "a direita", ou militantes empedernidos do partido A ou B - é apenas o princípio...da táctica. Pedro Adão e Silva não tem idade - e, ao invés, tem a experiência - para canduras fora de lugar e tempo (nem para nos tomar por parvos).