Mais do que 15% do PIB (português), garantiu, esta semana, em entrevista ao Público, Paulo Pedroso (um dos homens na origem do Rendimento Mínimo Garantido, inspirado, em parte, como o próprio reconheceu, no RBI proposto por van Parijs) seria gasto num Rendimento Básico Incondicional, pelo que seria necessário, contra a vontade dos proponentes, dizer em que serviços se iria cortar no Estado Social. E cortar nestes seria contraproducente - seria um mau negócio - para os beneficiários, de menores rendimentos, do RBI. Talvez se pergunte aqui como, sem se estabelecer, claramente, um montante do RBI, se poderá de imediato, calcular o seu custo. E, menos ainda, saber o modelo de financiamento.
De qualquer modo, talvez na referida entrevista haja dois momentos a sopesar, ainda, com maior interesse como objecção cultural ao instituto cujo estudo é pertinente: por um lado, uma sociedade aceitar que não é o nascimento, nem o dinheiro a estabelecer o estatuto social do indivíduo (uma utopia que não será concretizada, segundo Pedroso); por outro, a indisponibilidade de um público que redistribui sem grande ganho próprio e, mais ainda, a ideia de um cidadão sem compromisso com a cidade como modelo indesejável.
Curiosa entrevista, na mesma semana em que se soube que uma moção ao Congresso do PSD exorta o partido a estudar o tema e as experiências internacionais realizadas já neste contexto. Embora a moção de Pedro Duarte e Carlos Moedas assinale que o país, até devido ao seu endividamento, não se encontra em condições de introduzir a medida, não deixa de ser extraordinário que tal tema surja num partido como o PSD - bem vimos, é certo, que na Administração Nixon, e com apoio de Milton Friedman também se ponderou seriamente o assunto - quando, ainda há três anos, no país quase ninguém tinha ouvido falar do assunto (e, mesmo hoje, no Portugal profundo, a ignorância do tema é completa).