Hoje, a Sábado traz uma entrevista com uma das primeiras mulheres a entrar na Força Aérea e, neste momento, a única brigadeiro-general na história das Forças Armadas, Regina Mateus. "Como foi a recruta? Foi excelente! Quer dizer, na altura não foi [risos] (...) Acordar às 6h da manhã, formar, correr a chover. Mas fui atleta e estava habituada (...) Chamaram-me para ler em voz alta o juramento de fidelidade que eu, já tenente, nunca tinha lido. Aquilo termina com "mesmo com o sacrifício da própria vida" e quando terminei saí e reli: "deixa ver o que acabo de ler". Foi aí que percebi exactamente o que é ser militar". Licenciou-se, previamente, em Medicina.
Confesso, sobretudo, que é muito raro ler ou ouvir alguém dizer, como esta senhora diz, que não tem filhos porque "tenho graves problemas existenciais, porque ao fim de 52 anos ainda não percebi bem qual é o propósito da vida - penso muito nisso". Penso que a frase ilustra bem, por outro lado, como essa "inteligência existencial" é tão central no humano, mesmo que negligenciada, ignorada ou esquecida, e como nunca é demais trabalhar(mos) sobre ela, com racionalidade (não de modo mágico, supersticioso ou análogo).
Com excepção de um conhecido casal na história da Filosofia - que se propôs indagar o sentido da existência, e, em caso de resposta negativa a essa indagação, assumir o suicídio -, ou de um amigo num momento mais azedo - trazer um filho a um mundo destes? - não é todos os dias que se colocam tais cartas sobre a mesa.