Rui Tavares é um dos pensadores mais interessantes da política portuguesa. Fundador do Livre, historiador, focado na história das ideias, como o próprio se define, autor de vários livros e ensaios, cronista, libertário e de Esquerda.
Lê-lo, na ponderação das palavras e na argúcia dos argumentos, é sempre uma pequena janela de novas abordagens que se abre. Concorde-se ou não com a sua visão do Mundo. (...)
Muitas vezes, as escolhas que fazemos são definidoras daquilo que somos. Rui Tavares não se reverá, com certeza, no caminho que leva a eleita do Livre. E não terá responsabilidades nisso. Mas tem se o partido que lidera continuar a dar cobertura a uma agenda de folclore e identitária que em tudo o diminui.
Domingos de Andrade, diretor do JN, Joacine e Rui Tavares, JN, 04-11-2019.
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Dir-me-ão, não é assim tão grave ter um deputado gago. A Inglaterra teve um rei gago durante um dos momentos mais duros e decisivos dela, estava cercada e sozinha na Europa, e safou-se...Justamente (é o que tem de bom sermos nós a escolher os exemplos quando se escreve), safou-se porque Jorge VI pouco se fazia ouvir e, em compensação, a Inglaterra era conduzida por um Churchill capaz de fazer discursos empolgantes. Não é inútil o falar bem na política. (...) Nesta semana, ouvindo Joacine Katar Moreira, uma conclusão: a sua gaguez é profunda e o seu discurso quase não se entende. (...) Ora Joacine Katar Moreira, que se vangloriou de não ser gaga a pensar, não nos quer comprovar isso e encontrar uma solução para vencer um problema que até agora ela também não resolveu bem?
Ferreira Fernandes, diretor do DN, À espera de Joacine,a deputada, DN, 02-11-2019, p.56.
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Numa democracia plena não há lugar para tabus nem para interditos e é por isso que a gaguez da deputada do Livre Joacine Katar Moreira se tornou objecto de discussão pública. (...) Sim, a gaguez de Joacine, que a impede de comunicar de forma perceptível ao hemiciclo e ao país as ideias que defende ou as propostas que pode apresentar, é matéria que justifica tomadas de posição. É essa a razão deste editorial. (...)
Um deputado, porém, tem de falar. Aos seus pares e ao país. Boa parte da imagem que constrói e projecta passa por essa necessidade. A arte da oratória é importante desde os primórdios do parlamentarismo por uma razão óbvia: é através da discussão que se faz política. Seja no plenário ou nas comissões, dificilmente a deputada do Livre poderá dispor dos argumentos dos adversários para influenciar os cidadãos da bondade das suas propostas. A gaguez de Joacine é uma realidade com evidentes impactes políticos que só por hipocrisia se pode ignorar. Ela pode ganhar experiência e melhorar a sua comunicação. Se não o conseguir, mesmo que à custa de uma debilidade alheia à sua vontade, só por comiseração deixará de ser avaliada negativamente no seu desempenho. Nem ela o merece, nem a verdade democrática o tolera. (...) Pelo que sabemos até agora, as suas dificuldades discursivas limitam de forma severa esse desempenho. Não o admitir é absurdo. Não o afirmar é-o ainda mais.
Manuel Carvalho, diretor do Público, O que está em causa com a deputada do Livre, Público, 05-11-2019, p.4.
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Dir-me-ão, não é assim tão grave ter um deputado gago. A Inglaterra teve um rei gago durante um dos momentos mais duros e decisivos dela, estava cercada e sozinha na Europa, e safou-se...Justamente (é o que tem de bom sermos nós a escolher os exemplos quando se escreve), safou-se porque Jorge VI pouco se fazia ouvir e, em compensação, a Inglaterra era conduzida por um Churchill capaz de fazer discursos empolgantes. Não é inútil o falar bem na política. (...) Nesta semana, ouvindo Joacine Katar Moreira, uma conclusão: a sua gaguez é profunda e o seu discurso quase não se entende. (...) Ora Joacine Katar Moreira, que se vangloriou de não ser gaga a pensar, não nos quer comprovar isso e encontrar uma solução para vencer um problema que até agora ela também não resolveu bem?
Ferreira Fernandes, diretor do DN, À espera de Joacine,a deputada, DN, 02-11-2019, p.56.
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Numa democracia plena não há lugar para tabus nem para interditos e é por isso que a gaguez da deputada do Livre Joacine Katar Moreira se tornou objecto de discussão pública. (...) Sim, a gaguez de Joacine, que a impede de comunicar de forma perceptível ao hemiciclo e ao país as ideias que defende ou as propostas que pode apresentar, é matéria que justifica tomadas de posição. É essa a razão deste editorial. (...)
Um deputado, porém, tem de falar. Aos seus pares e ao país. Boa parte da imagem que constrói e projecta passa por essa necessidade. A arte da oratória é importante desde os primórdios do parlamentarismo por uma razão óbvia: é através da discussão que se faz política. Seja no plenário ou nas comissões, dificilmente a deputada do Livre poderá dispor dos argumentos dos adversários para influenciar os cidadãos da bondade das suas propostas. A gaguez de Joacine é uma realidade com evidentes impactes políticos que só por hipocrisia se pode ignorar. Ela pode ganhar experiência e melhorar a sua comunicação. Se não o conseguir, mesmo que à custa de uma debilidade alheia à sua vontade, só por comiseração deixará de ser avaliada negativamente no seu desempenho. Nem ela o merece, nem a verdade democrática o tolera. (...) Pelo que sabemos até agora, as suas dificuldades discursivas limitam de forma severa esse desempenho. Não o admitir é absurdo. Não o afirmar é-o ainda mais.
Manuel Carvalho, diretor do Público, O que está em causa com a deputada do Livre, Público, 05-11-2019, p.4.
