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domingo, 15 de dezembro de 2019

Criar dependentes


O desfile já teve início. Uma procissão de milionários (...) que põem os filhos em escolas não conectadas e que lhes proíbem o uso das suas invenções, à imagem do inventor do iPad, objecto cuja entrada está vedada no seu domicílio. A maioria deles denuncia o efeito arrasador da conexão sobre a psicologia humana
Por exemplo, Sean Parker, antigo quadro dirigente do Facebook, que declara publicamente: «Só Deus sabe o que andamos a fazer com o cérebro dos nossos filhos». E que revela que a rede social para a qual trabalhou se aproveita das fraquezas psicológicas dos mais jovens. A ele junta-se Chamath Palihapitiya, outro ex-funcionário do Facebook e que hoje é capitalista de risco e gestor de fundos de investimento. Ou então Justin Rosenstein, criador do botão like do Facebook. 
Tristan Harris (...) antigo designer responsável por questões de ética na Google (...) declarou (...) à revista 1843, editada pela The Economist: «O verdadeiro objectivo dos gigantes tecnológicos é tornar as pessoas dependentes, por meio da exploração da sua vulnerabilidade psicológica». 
Os arrependidos passaram a juntar-se em associações cujos nomes reflectem o seu programa: Time Well Spent («Tempo bem Gasto») ou Center for Humane Technology («Centro para Uma Tecnologia Humana»). (...)
Tim Berners-Lee, pai da Internet, hoje fá-lo [arrependeu-se de ter criado a net] publicamente. Criou uma fundação, a World Wide Web Foundation, para servir de base ao empreendimento (...) Tenta recuperar a utopia primordial de uma Internet descentralizada. Criou o Solid, sistema onde pequenos grupos informáticos se esforçam por construir soluções colaborativas, sem passar pelas plataformas que passaram a reger as nossas vidas. Os libertários tornaram-se resistentes. Contudo, o que antes era preciso conquistar agora tem de ser reconquistado.

Bruno Patino, A civilização do peixe-vermelho, Gradiva, 2019, pp.39-43.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

História do trabalho (síntese)


10000 a.C: O Homem vive como caçador-recolector até à Revolução Agrícola há cerca de 12 mil anos. O trabalho é visto como algo pouco digno, daí ser delegado, em grande parte, a escravos. 

315 a.C.: Aristóteles defende que quem tem de trabalhar para ganhar dinheiro é um escravo. Dinheiro e trabalho intelectual são opostos.

1518: Primeiro navio de escravos parte de África para a América, marcando uma nova era, em que milhares de africanos servem de principal fonte de mão de obra nas Américas.

1520: Lutero argumenta que o trabalho pode servir Deus. O protestantismo acabaria por ser decisivo para a valorização do trabalho quotidiano. 

1760: Arranque da Revolução Industrial e, com ela, inovações tecnológicas decisivas - como o motor a vapor - e o trabalho assalariado. Nasce o local de trabalho e o conceito de trabalhador fabril.

1790: Primeiras fábricas têxteis nascem em Rhode Island. A mão de obra era constituída por crianças entre os 7 e os 12 anos. 

1833: No Reino Unido, as crianças até aos 13 anos passam a "só" poder trabalhar 8 horas nas fábricas.

1850: Segunda Revolução Industrial, com rápida industrialização, novos processos aplicados à produção de aço e a forte expansão da comunicação e do transporte.

1886: Depois da explosão de uma bomba durante um protesto por uma jornada de 8 horas, em Chicago, o 1º de Maio é escolhido como o dia para celebrar os trabalhadores.

1911: Um incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist, em Nova Iorque, mata 146 trabalhadores, quase todos mulheres, com salários muito baixos. As portas estavam trancadas, para impedir pausas não autorizadas. Foi o contributo decisivo para o crescimento dos sindicatos e do movimento laboral. 

1960: Terceira Revolução Industrial. A ascensão da electrónica, o nascimento dos microprocessadores e maior automação nas fábricas.

1974: É instituído em Portugal o salário mínimo. No ano seguinte, surgiria o subsídio de desemprego.

1989: Tim Berners-Lee inventa a World Wide Web e revoluciona a forma como comunicamos e trabalhamos.

1996: É instituída em Portugal a Lei de 40 horas de trabalho semanal.

2009: É fundada a Uber, na altura com o nome UberCab. Os condutores são vistos como colaboradores da empresa, não como trabalhadores. 

2018: Abre em Seattle a primeira mercearia da Amazon sem trabalhadores na caixa. Basta entrar, colocar os produtos no cesto e sair. 


Breve história do trabalho (excertos), in Visão, nº1332, de 13 a 19/09/2018, pp.44-45. Um dossier, o dedicado pela revista ao trabalho, esta semana, da autoria de Nuno Aguiar.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Quando nasceu a Internet?

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No dia 29 de Outubro de 1969 foi enviada uma mensagem a partir de um computador na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, para um outro no Instituto de Investigação de Stanford. Aquela que poderá ser considerada a primeira mensagem da era da internet dizia simplesmente «Lo». Não eram umas boas-vindas criptobíblicas à internet enquanto messias (Vede! Aí vem!), nem a gíria ocasional de algum personagem dos cartoons americanos, mas o resultado de o computador de Stanford se ter ido abaixo antes de receber o g final de «Log». Um mapa feito em dezembro de 1969 daquilo que viria a evoluir até se transformar na internet mostra quatro computadores. O Oxford English Dictionary data a palavra «internet» de 1974. Em Agosto de 1981, havia apenas duzentos e treze anfitriões de internet. A ideia da World Wide Web foi proposta por Tim Berners-Lee em 1989, e foi ele que criou o primeiro sítio da Web no final de 1990
Em seguida tudo avançou rapidamente.

Timothy Garton Ash, Liberdade de expressão, Temas e Debates - Círculo de Leitores, 2017, p.24