Mostrar mensagens com a etiqueta Washington Post. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Washington Post. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Carros autónomos


Resultado de imagem para carros autonomos

Em 1921, a cada 100 milhões de milhas (160,9 milhões de quilómetros) percorridas por norte-americanos, num automóvel, registavam-se 24 mortes (em resultado de acidentes com estes); em 2016, a média era de 1,18 mortos a cada 100 milhões de milhas percorridas (diminuição de 95% de sinistralidade mortal em acidentes de automóvel). Os dados de Megan McArdle, no Washington Post (vertidos pelo número de Setembro 2018 da edição portuguesa do Courrier Internacional), procuram colocar em causa a maior segurança dos carros autónomos, face aos carros pilotados por humanos. Isto, na medida em que a vítima mortal de um carro autónomo da Uber - empresa que retirou de imediato os seus carros autónomos de circulação -, nos EUA, em Março último, em Temple, no Arizona, sendo a primeira deve, no entender deste autor, ser perspectivada sob o ponto de vista das milhas percorridas pelos carros autónomos. E a sua conclusão é de que os carros autónomos, todos juntos, das diferentes marcas, não percorreram 100 milhas - pelo que o ratio seria pior do que o alcançado pelos carros conduzidos, não pelo computador, mas por humanos.
Inversamente, no Der Spiegel, no mesmo mês deste texto do Post (Março de 2018), Michael Kroger argumenta que aproveitar o caso de Temple para impugnar os carros autónomos é prestar "uma mau serviço à segurança rodoviária", e isto porque "engenheiros, investigadores e seguradoras são unânimes: os sensores e os programas informáticos de um veículo autónomo podem, evidentemente, ter defeitos, mas o número de acidentes provocados pelos condutores humanos humanos é muito mais elevado. Os peritos partem do princípio de que seria possível reduzir em 90% o número de acidentes, se os carros fossem pilotados por computador (...) o condutor informático é tão superior ao seu equivalente humano que não nos deveríamos perguntar se os computadores devem conduzir veículos mas, sim, por que motivo isso ainda não acontece".
A diretora da polícia local informou os jornalistas que mesmo que o carro fosse conduzido por um humano seria muito difícil ter evitado o acidente, na medida em que a vítima só ficou visível no último segundo. Já os juristas terão que se entender quanto ao responsável pelo acidente: o possuidor, o proprietário ou o fabricante do motorista digital.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Imaginário comum (?)




Os entrevistadores do Público perguntam a Rui Tavares se ele não gostava de estar no papel da protagonista de Borgen, tendo uma palavra determinante a dizer na formação do Executivo (3ª temporada); Jorge Almeida Fernandes recorre à mesma série para falar dos resultados das mais recentes municipais e regionais em Espanha; José Manuel Fernandes pergunta a Francis Fukuyama, partindo de House of Cards e Borgen; ontem, o I trazia uma peça acerca dos cenários pós-eleitorais (pós-legislativas), intitulando o texto de Guerra de Tronos; Fernando Sobral escreveu no último Weekend duas extensas páginas sobre o estado da arte quanto às séries que nos são propostas...
Creio que foi Pacheco Pereira quem disse que muito provavelmente as séries, as melhores séries, seriam vistas - no futuro - como hoje olhamos para o romance do século XIX. Ficção de grande qualidade, na qual atentar se torna imperativo. Bem mais (ou bem menos) do que isso, o recurso exaustivo a títulos, personagens, conteúdo de diferentes séries televisivas fazem delas quase como que o código da cultura, em nossos dias. Em todo o caso, questiono-me, pensando, por exemplo, em um texto de um catedrático de jornalismo que criticava o recurso a colunistas do Washington Post ou do The New York Times no primeiro - e, aliás, glorioso - ano do jornal I (dirigido por Martim Avillez Figueiredo), 'padecendo' de 'excesso de cosmopolitismo' (elitista), segundo o académico, ou a sinalização, de um dos (antigos) provedores do leitor do Público quanto ao registo de linguagem utilizado naquele periódico, se, ainda assim (os números de Borgen, na RTP2, eram considerados bons, no momento em que a série passou pela primeira vez, mas isso significava, às vezes, 80 mil espectadores), estas referências não surgem encriptadas para muitos leitores (mesmo os que lêem 'jornais de referência' e se pretendam mais exigentes e/ou politizados, fazendo parte de tal formação o conhecimento das séries evocadas). Ou, talvez, de modo mais optimista, funcione como estímulo extra a que a tal ficção de qualidade no século XXI seja vista por mais gente.