Os tribunais não são necessários para condenar a comunicação formal e informal do Benfica: essa não tem remissão possível. Se o FCPorto e Sporting querem de facto marcar uma diferença, devem começar por aí. A verdade é torcida demasiadas vezes, sob uma cobertura de indignação e seriedade que engana os adeptos próprios mas chega a incomodar os observadores alheios ou neutros, ao ponto de irritar a própria imprensa lisboeta. O director Pedro Santos Guerreiro sublinhava, na semana passada, os desmentidos caluniosos e falsas informações com que várias notícias do "Expresso" foram combatidas. Dias depois e a propósito do hacker, o vice-presidente (e médico) Varandas Fernandes irrompia pelas televisões, questionando, entre outras coisas, a ausência de processos do IPDJ ao Sporting e ao FCPorto pelas "invasões" do centro de treinos de Alcochete e do estágio dos árbitros (Maia, 2017). No primeiro exemplo, mistura alhos com bugalhos, por ignorância ou solicitude; no segundo, fala de um mito inacreditável construído pelo próprio Benfica: a queixa, apresentada pelo árbitro Soares Dias contra os "invasores" da Maia foi arquivada e menciona "dois miúdos" (palavras de Soares Dias) que, das bancadas de livre acesso (invasão?) do estádio, insultaram e ameaçaram alguns juízes que estavam no relvado até saírem pelo próprio pé depois de uma conversa com o mesmo Soares Dias. Desafio o Conselho de Arbitragem e a APAF a desmentirem que foi assim.
José Manuel Ribeiro, director do jornal OJOGO, em OJOGO, 16-09-2018, p.21.