"Ninguém escolhe o país em que nasce: mas decidir ficar é um acto de amor. E de vontade de reinventar novos futuros", Adriano Moreira, 'Da Utopia à fronteira da pobreza'
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segunda-feira, 17 de setembro de 2018
domingo, 24 de julho de 2016
Futuro do emprego
Em 2 de Janeiro de 2010, o Washington Post noticiava que a primeira década do século XXI não criara nenhum posto de trabalho. Zero. Desde a Grande Depressão que tal não sucedia em qualquer década; de facto, nunca houve nenhuma década no pós-guerra que tenha produzido menos de 20 por cento de aumento no número de postos de trabalho disponíveis. Mesmo nos anos 70, década associada à estagflação e a uma crise energética, houve um incremento de 27 por cento de trabalho. Esta década perdida é especialmente assombrosa quando consideramos que a economia dos EUA precisa de criar cerca de um milhão de postos de trabalho por ano apenas para manter o volume da força de trabalho. Por outras palavras, durante aqueles primeiros dez anos, houve cerca de 10 milhões de postos de trabalho em falta que deviam ter sido criados - mas nunca surgiram.
A desigualdade na distribuição da riqueza ascendeu assim para níveis que não se viam desde 1929, e tornou-se claro que os aumentos de produtividade que iam para os bolsos dos trabalhadores nos anos 50 estavam agora a ser retidos, quase inteiramente, por empresários e investidores. A quota-parte do rendimento nacional bruto destinada ao trabalho, por oposição ao capital, caiu abruptamente e parece estar em contínua queda livre (...) Claro que todo este progresso está a ser impulsionado pela implacável aceleração da tecnologia computacional (...) O resultado de tudo isto é que a aquisição de mais instrução e competências não irá necessariamente oferecer protecção efectiva contra a automatização do trabalho no futuro. Como exemplo, consideremos os radiologistas, médicos especialistas na interpretação de imagiologia médica. Os radiologistas precisam de uma formação longa e apreciável, em geral um mínimo de treze anos após o ensino secundário. Porém, os computadores estão rapidamente a tornar-se mais eficazes na análise de imagens. É muito fácil imaginar um dia, num futuro não muito distante, a radiologia será quase exclusivamente assegurada por máquinas (...) Os vencimentos dos recém-licenciados têm vindo a diminuir durante a última década, ao mesmo tempo que 50 por cento dos novos licenciados se veem forçados a aceitar trabalhos que não exigem formação universitária (...) o emprego para muitos profissionais qualificados - incluindo advogados, jornalistas, cientistas e farmacêuticos - está já a sofrer uma erosão significativa pelo avanço da tecnologia da informação. Não estão sós: muitos dos trabalhos são, de algum modo, de rotina e previsíveis, com relativamente poucas pessoas a serem pagas para se empenharem prioritariamente em trabalho realmente criativo ou em pensamento aberto.
Martin Ford, Robôs. A ameaça de um futuro sem emprego, Bertrand, 2016, pp.13-19
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