O computador é procurado, não
raramente, pelo humano como “máquina intimista”, “objecto no limiar entre o eu
e o não-eu”, na medida em que sendo, simultaneamente, “interactivo e reactivo,
proporciona a ilusão da companhia sem as exigências da amizade” (Turkle, 1997,
p.43).
A internet poderá, adicionalmente, ser
vista como um código hermenêutico da pós-modernidade:
“em The
Electronic Word, o professor de estudos clássicos Richard A. Lanham defende
que o texto no ecrã, inacabado por natureza, subverte as fantasias tradicionais duma narrativa dominante,
pois oferece ao leitor a possibilidade de alterar os tipos de letra, fazer
zooms e reorganizar ou substituir porções do texto. O resultado é um objecto de
trabalho activo e não passivo, um cânone que, em vez de petrificado na
perfeição, continua volátil, ao sabor de motivações humanas contrastantes”
(Ibidem, 25);
contributo para o apagamento/diluição
entre (as concepções de) alta cultura
e cultura de massas, primazia da
superfície sobre o profundo, da simulação sobre o real, do lúdico sobre o
sério. Terá, necessariamente, que ser assim?