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sábado, 18 de março de 2017

Uma auto-crítica


Provavelmente, não estive de facto muito no meio das pessoas.

[Bento XVI, questionado por Peter Seewald, acerca de que características do seu Pontificado estariam a ser corrigidas pelo Pontificado do Papa Francisco, Bento XVI. Conversas finais com Peter Seewald, D.Quixote, Lisboa, 2017, p.58]

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Revolução na comunicação


Uma característica que define esta revolta é a de o ímpeto para a mudança se ter tornado mais importante do que qualquer consideração sobre o que a mudança pode significar na prática. (...) O que importa é que a revolta está a acontecer e quem quer que seja que apanhe a onda vai estar na crista da mesma. (...) Num país como o Reino Unido, há 20 anos, quando eu era candidato às eleições como líder do partido, os principais noticiários da noite da BBC tinham uma audiência de dez milhões de pessoas; hoje, o número é pouco mais de 2,5 milhões. O que era uma conversa são agora muitas, e muitas vezes, entre pessoas com as mesmas opiniões. Esta mudança no método de receber e debater a informação é um fenómeno revolucionário em si mesmo.

Tony Blair, Salvando o centro, DN, 29/12/2016, p.22

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Paradigmas comunicacionais (IV)



O computador é procurado, não raramente, pelo humano como “máquina intimista”, “objecto no limiar entre o eu e o não-eu”, na medida em que sendo, simultaneamente, “interactivo e reactivo, proporciona a ilusão da companhia sem as exigências da amizade” (Turkle, 1997, p.43). 
A internet poderá, adicionalmente, ser vista como um código hermenêutico da pós-modernidade:
em The Electronic Word, o professor de estudos clássicos Richard A. Lanham defende que o texto no ecrã, inacabado por natureza, subverte as fantasias tradicionais duma narrativa dominante, pois oferece ao leitor a possibilidade de alterar os tipos de letra, fazer zooms e reorganizar ou substituir porções do texto. O resultado é um objecto de trabalho activo e não passivo, um cânone que, em vez de petrificado na perfeição, continua volátil, ao sabor de motivações humanas contrastantes” (Ibidem, 25);

contributo para o apagamento/diluição entre (as concepções de) alta cultura e cultura de massas, primazia da superfície sobre o profundo, da simulação sobre o real, do lúdico sobre o sério. Terá, necessariamente, que ser assim?


quarta-feira, 18 de junho de 2014

Paradigmas comunicacionais


Se o paradigma de inteligibilidade da comunicação assentou, durante algumas décadas, no último quartel do século XX, na pré-compreensão de Marshall McLuhan (1997) de que os media são a mensagem, isto é, todo e qualquer media induz comportamentos, e cria ligações psicológicas e mudanças de mentalidade nos indivíduos receptores, independentemente do conteúdo transmitido, já com Castells assistimos a uma mudança coperniciana, com a relação organizacional dos media actuais a ser entendida como baseada em «message being the media» (Castells, 2002), ou seja, os media são escolhidos de acordo com a mensagem que se pretende transmitir, sendo possível seleccionar o media que melhor se adequa à mensagem e à audiência a que se destina a mensagem (Cardoso, 2013, p.35). Passávamos, então, de um contexto em que os media são a mensagem para um outro de sentido inverso: a mensagem são os media. Hodiernamente, todavia, nova mutação comunicacional se nos impõe: os media precedem a mensagem (Eco, 2001), quer dizer, os canais existem antes de se saber o que se irá transmitir. A discussão sobre mensagem e media torna-se obsoleta, “porque uma vez que entra a mensagem na rede chegará ao destinatário e se o formato não for o indicado será recriada” (Cardoso, 2013, p.36).

A partir de Gustavo CardosoPara além da internet e dos mass media, em A sociedade dos ecrãs, Tinta da China, 2013.