Mostrar mensagens com a etiqueta desonestidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta desonestidade. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Inimigo Público


Directamente da Coreia do Norte:

«Paulo Gonçalves, diretor jurídico do Benfica, encontrava-se na zona que dá acesso aos balneários no intervalo do jogo do último sábado, em Alvalade, e não podia - o seu nome estava inscrito no modelo P, que permite a sua presença naquela zona apenas até a partida começar e 15 minutos após o jogo acabar.
O causídico encontrava-se naquela zona na companhia de Luís Filipe Vieira e Rui Costa, tendo estes três elementos abordado o árbitro da partida no período de descanso. Porém, ao que A BOLA apurou, esta situação nem terá sido relatada pelos delegados da Liga que marcaram presença na partida, o lisboeta Manuel Castelo e o escalabitano Rui Manhoso, uma vez que a abordagem foi feita com a máxima educaçãotrocaram-se alguns pontos de vista e o próprio juiz da partida, o portuense Artur Soares Dias, conversou sem qualquer problema com os três educados e cordiais dirigentes do Benfica - não se ouviu um grito ou palavrão que fosse, ou seja, nada se passou que fosse suscetível de ser mencionado no relatório dos delegados.»
in A BOLA, 25-04-2017

terça-feira, 7 de julho de 2015

Para quem precisa de meter explicador



Concretizemos o que de mais importante Marco Ferreira disse, Domingo à noite, na RTPInformação: na última jornada da II Liga (2014/2015), um dos jogos do título era o Santa Clara-Covilhã. O árbitro nomeado para esse jogo foi Duarte Gomes. Duarte Gomes terminou a época numa classificação muito má, à beirinha da descida de categoria. O que Marco Ferreira diz, sem citar nomes, é que Vítor Pereira, deliberadamente, evitou que Duarte Gomes descesse de categoria, nomeando-o para um jogo classificado como de risco, e onde a pontuação seria elevada (se a arbitragem não fosse má; pontuação mais elevada do que num jogo 'normal'). Vitor Pereira, em entrevista à SicNotícias, disse que não havia nomeado Marco Ferreira para jogos do sporting, porque, sem saber, é certo, a classificação (global) do árbitro, sabia, porque recebe a nota de cada árbitro em cada jornada - não se dá ao trabalho de tomar nota e somar...-, que as notas não estavam a ser positivas para o madeirense e optou por deixá-lo de fora dos jogos leoninos (claro que depois desta explicação a final da taça é...inexplicável). Ora, para que Duarte Gomes tenha ficado tão mal classificado como ficou, necessário era que as notas por este obtidas, até à última jornada, tivessem sido bastante negativas. Quem, melhor do que um árbitro com várias notas negativas, para arbitrar um dos jogos que decidia a subida à I Liga? Porque escolheu Vítor Pereira, para o jogo dos Açores, Duarte Gomes? No mesmo fim de semana, Olegário Benquerença, que ficou em terceiro lugar da classificação final - tendo, portanto, ao longo do campeonato, obtido boas classificações - foi designado para o transcendente Porto-Penafiel...Mas vale a pena olhar outro dado com atenção. Não escapou, certamente, a quem acompanha o futebol em Portugal, que o escolhido, sucessivamente, para jogos determinantes da II Liga como foram o Tondela-Chaves e Oriental-União da Madeira (das duas últimas jornadas) fosse Bruno Paixão. Bruno Paixão não é propriamente conhecido, na comunidade futebolística, como um bom árbitro. Durante a época apitara, aliás, de um modo constrangedor até para quem vê (quanto mais para quem tem o tupor de apitar daquele modo), o Paços-benfica, onde chegou ao caricato. No entanto, Paixão terminou - facto a que estas duas nomeações finais não é alheio - a época num espantoso quinto lugar (na realidade, com o abandono de Benquerença, quarto posto; entrará no sorteio de um FCP-slb?). Numa palavra: a quem interessou a manutenção de Duarte Gomes na primeira categoria e a promoção de Paixão a um circense quinto lugar (ladeado pelo não menos caricatural do estado de coisas quarto lugar de João Capela e sexto de Manuel Mota)?
Por mais areia que atirem aos olhos das pessoas, a última época da arbitragem portuguesa constituiu uma vergonha sem nome. E não, não sou a favor do sorteio dos árbitros; sou contra. Quanto a Vítor Pereira, escrevi neste blogue, em 2012: "obviamente, demita-se". Hoje, acho que está há três anos a mais na arbitragem portuguesa.


P.S.: pense-se o que se pensar dos conselhos preparatórios de Pereira a Marco Ferreira, o que fica claro é que, para o árbitro madeirense, essa indicação - bastante divertida, aliás - de que, em Vila do Conde, estávamos perante "o jogo do título" e de que se as coisas corressem bem entraria aquele juiz nas contas para o clássico seguinte - nunca mais houve a chamadinha de incentivo, ironiza, e bem, Marco Ferreira - ilustra bem a quem - isto é, a que ascendente clubístico - o árbitro despromovido atribui a responsabilidade da sua descida de divisão. Quando oiço "comentadores" dizerem que a arbitragem está hoje muito melhor do que há 20 anos, sei bem que se trata de algo que em política se chamaria "afirmação puramente ideológica". Quem alguma vez viu o programa Grande Área, da RTPInformação - e se se excluir Bruno Prata - percebe o que aqui escrevo.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Ninguém?





A argumentação do PM, esta sexta, no Parlamento, para o descalabro na colocação de professores para o presente ano lectivo, inovou face ao que já era conhecido. E cada inovação, neste plano, como sabemos e se confirmou, é de temer. Disse Passos Coelho que os erros cometidos se deram no âmbito de uma reforma - "e não por imobilismo". E que conquanto o erro fosse repudiado, a ninguém se ouvira contestação ao novo modo de colocação de professores, pois que este contrariava arbitrariedades e discricionariedades de anos anteriores.
Assim, pelos vistos, a) há justificação para os erros verificados (ocorreram em contexto de reforma); b) os erros, ou consequências destes podem, deste modo, ser lidos quase como "danos colaterais" (dentro da inevitabilidade que este governo associa a todas as medidas que toma, talvez também estes erros, no seu entender fossem, afinal, dadas as mudanças na forma de colocar professores, inevitáveis; o que parece mesmo inevitável, com este governo, é, com franqueza, a asneira); c) ninguém contesta o novo sistema ou modelo de colocação de professores.
Entre o espanto e a indignação, quem respondeu a perguntas como "já teve alunos surdos?", "já teve alunos autistas?", "já foi director de turma?" e sabe que as respostas são insindicáveis, em um sistema em que a opacidade e a possibilidade de fraude são bem reais, questiona-se em que país vive quem diz semelhantes coisas. Porque, em realidade, esta mesma possibilidade de fraude vem constatada, em diferentes periódicos, nas últimas duas semanas, no nosso espaço público; diferentes professores - certamente, todos os que responderam de modo fidedigno ao que lhes foi perguntado nos "subcritérios" - deram eco a estes consideráveis problemas, em múltiplas plataformas; os sindicatos fizeram saber que não subscreviam este novo modelo de colocação de professores e que, com todos os problemas, melhor seria, então, a contabilização de média de curso e/mais tempo de serviço. Toda esta gente é ninguém?