Mostrar mensagens com a etiqueta eleições locais. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta eleições locais. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Eleições locais


1.Não sei se hei-de rir, ou chorar, ao ver o vídeo, com comunicado em português de quinta categoria, de um presidente de uma Associação Académica, ladeado por colegas de pé e em pose fúnebre. Depois de anos a fio sem uma palavra para com o país, nenhum protesto ou manifestação, qualquer forma de solidariedade quando milhões sofreram a bom sofrer medidas e medidas que a tantos desesperaram, sendo tais estudantes universitários, como alguém escreveu, "os grandes ausentes" - como nem em ditadura tinha sucedido neste país -, aparecem agora, por causa de umas "barraquinhas", em "marcha silenciosa" (!) pela cidade. Eles não entendem o ridículo, nem ninguém lhes explica - mas, mais do que isso, as suas acções e omissões e seu significado ético. Se lessem Tony Judt tinham percebido como quando estudantes, mesmo os que se consideravam "radicais", como ele escreveu, no pós-1960, se preocupavam mais com "as horas do fecho dos portões das universidades do que com as práticas laborais fabris" (p.94, Um tratado sobre os nossos actuais descontentamentos), quando o umbigo prevaleceu sobre uma visão sobre o "bem comum" da sociedade, em que cada grupo apenas quer saber de si (ou da sua identidade), então a sociedade caminhou para a "fragmentação", "o relativismo ético" prevaleceu e o sucesso de um modelo de Estado Providência pelo qual lutaram os ascendentes ficava em causa pela "privatização" de tudo e o "individualismo" da descendência.
Não me admirou, ainda, ver políticos formados na mesmíssima escola quererem cavalgar uma onda, incapazes, naturalmente, de contrariarem esse eleitorado potencial, procurando, inversamente, como lhes competia, formar e apresentar uma plataforma política que fosse capaz de reivindicar o cimento social onde ficaram os resíduos de reclamações vãs, pequeninas, tão parciais.

2.Olho para programas eleitorais e constato esquizofrenias políticas: de dois em dois anos, alternam entre o reclamar, a nível local, apoios sociais universais (nem sequer tendencialmente, que é para não haver dúvidas) e, ao nível central, a denúncia de um Estado Social que "prende", "aniquila", "desresponsabiliza" do nascimento à cova. Em que ficamos? Obras públicas são muito más, num ano, mas, passados dois, pede-se infra-estruturas que ultrapassam o delírio. Nada disto perturba os espíritos: nem de quem formula tais propostas e por elas se apresenta, nem de um eleitorado que não está para tais complicações.

3.Mudar horários na mobilidade (pública) urbana, tornando-os mais exíguos, mais espaçados, oferecendo piores condições a uma população que muito havia ganho com essa oferta é errado e seria um tiro no pé se houvesse quem estivesse preocupado com outras coisas que não as "barraquinhas", ou, mais propriamente, as "barracadas". De que vale estar-se ufano por se aligeirar, um pouco, a factura com a mobilidade se o preço para os cidadãos é terem, no fundo, um pior, claramente pior, serviço? Isto impede alguém de reivindicar o campeonato da defesa dos serviços sociais, ou o representante da respectiva junta de prosseguir com os bombos, como se nada fosse?